
Outra Vez... Casados!

Penny Jordan


          Como uma esposa pode virar amante do  marido?
          Ao chegar ao escritrio para mais um dia de trabalho, Kate no esperava ter um grande choque! O  novo dono da empresa  ningum menos do que seu ex-marido!
          Sean Howard, um empreendedor bilionrio, continua magoado pelo trmino de seu casamento. Porm quando v Kate, descobre que ainda existe uma forte qumica
entre eles, que pode ser despertada ao mais leve toque... Assim, Sean decide que Kate no ser apenas sua funcionria...
          Casados no papel, mas ele nunca disse "Eu te amo"
         -  Kate... - protestou ele, segurando-lhe o brao.
         Ela tentou se desvencilhar de imediato.
         - Largue-me. Detesto que me toque.
         - O qu?
         Quando percebeu os olhos dele escurecerem, soube que tinha ido longe demais. Mas era tarde para voltar atrs. Sean a puxara para si, os braos apertando-a
contra o corpo forte.
         - No! - O protesto de Kate morreu nos lbios vidos de Sean.
         A raiva que lhe fervia o sangue a fez revidar com ferocidade o beijo. Mas era uma ira temperada de desejo e nsia, reconheceu impotente, enquanto o prprio
corpo atraa...


PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V.
Tosos os direitos reservados. Proibida a reproduo, o armazenamento ou a transmisso, no todo ou em parte.
Iodos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.
Ttulo original: MISTRESS TO HER HUSBAND
Copyright (c) 2004 by Penny Jordan
Originalmente publicado em 2004 por Mills & Boon Modem Romance
Capa: lsabelle Paiva
Editorao Eletrnica: ARTS SYSTEM Tel.: 2220-3654/2524-8037
Impresso:
RR DONNELLEY
Tel.: (55 11)2148-3500
www.rrdonnelley.com.br
Distribuio exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:
Fernando Chinaglia Distribuidora S/A
Rua Teodoro da Silva, 907
Graja, Rio de Janeiro, RJ - 20563-900
Tel.: (55 21) 3879-7766
Editora HR Ltda.
Rua Argentina, 171,4 andar
So Cristvo, Rio de Janeiro, RJ - 20921-380
Correspondncia para:
Caixa Postal 8516
Rio de Janeiro, RJ - 20220-971
Aos cuidados de Virgnia Rivera
virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
Digitalizao : Rita
Reviso: Marelizpe
CAPTULO UM
         - Kate, no vai acreditar! John nos contou esta manh, enquanto voc estava na consulta do dentista. A empresa foi comprada. O novo chefe chegar amanh
para entrevistar a todos!
         Kate Vincent digeriu em silncio os comentrios excitados da colega de trabalho. Baixando os clios escuros e invejavelmente espessos sobre os olhos cor
de topzio, considerou a informao que acabara de receber. Trabalhava naquela empresa h apenas seis meses. Antes s tivera empregos temporrios, enquanto completava
seu mestrado. Com a qualificao incrementando o curriculum vitae, sentira-se segura para pleitear aquele cargo, o que antes teria considerado fora de seu alcance.
         - E ento, quem nos comprou? - indagou Kate a Laura, jogando, distraidamente os cabelos por sobre os ombros. Fazia calor na rua e o ar condicionado do escritrio
era bastante confortador.
         - Bem, John no nos diria - redargiu Laura, reprimindo um pequeno suspiro de inveja, enquanto admirava a elegncia do corpo esguio de Kate, trajado em
uma alvssima camiseta branca combinada com uma blusa de linho marrom. Estava em companhia da colega quando ela comprara a blusa em uma ponta de estoque, a qual
particularmente Laura achara inadequada. Porm, em Kate parecia no apenas deslumbrante, mas aparentava uma roupa cara.
         - Ao que parece a informao tem de ser mantida em sigilo at amanh - informou, lanando um olhar pesaroso  colega. -Acho que deveramos ter esperado
por isso. Afinal, h anos John manifestava a vontade de se aposentar cedo... mas nunca pensei que tivesse inteno de vender a empresa. Ele e Sheila no tm filhos,
no? Portanto, no h motivo para adiarem quando poderiam estar aproveitando a vida no apartamento que possuem em Miami.
         Kate a ouvia atentamente, enquanto ligava o computador. A empresa que John Loames fundara para fornecer equipamentos e instalaes especializadas ao ramo
de construo era um sucesso, mas Kate percebeu desde que comeara a trabalhar l como executiva responsvel pelas contas dos clientes, que John se mostrava cada
vez menos inclinado a procurar novos contratos. O que era uma lstima, pois sabia que aquele ramo de negcio possua grande potencial e no estava surpresa com o
fato de algum ter se interessado em comprar a empresa.
         - Todos temem o que possa acontecer - confidenciou Laura  amiga. - Nenhum de ns quer perder o emprego.
         - A vinda de um novo dono pode no representar algo ruim - argumentou Kate em tom sereno. - H diversas maneiras de expandir a empresa e nesse caso haver
muito trabalho para todos ns... Contanto que o novo dono j no possua um negcio similar e esteja apenas querendo absorver o de John.
         - Oh, no diga isso! - implorou Laura, com expresso preocupada. - Roy e eu acabamos de aumentar a prestao de nossa hipoteca para podermos expandir a
casa. - O rosto da colega se tornou rubro. - Estamos pensando em construir nossa famlia e um beb requer espao. A ltima coisa que preciso  perder o emprego!
O que me lembra que... John nos comunicou que quer todos aqui, amanh bem cedo. Ao que parece, o novo dono disse que chegaria s 8 horas.
         - Oito? - Kate desviou a ateno de seus e-mails para Laura, franzindo a testa. - Est me dizendo que John nos quer aqui s 8 horas?
         - Sim.
         A pele de porcelana se tornou ainda mais plida. Era impossvel para ela conseguir chegar ao escritrio quela hora. A creche no abria antes das 8 horas
e teria de deixar Ollie ao menos s 7h30 se quisesse estar ali no horrio que John determinara. Sentiu uma crescente tenso comprimir-lhe o estmago.
         J era difcil o bastante para qualquer me trabalhar um expediente inteiro - como se equilibrar na corda bamba, - mas quando se adicionava quele delicado
equilbrio o fato de a me em questo ser sozinha e lutar com todas as foras para prover a segurana emocional que dois pais proporcionariam, esse equilbrio se
tornava perigosamente instvel. Sem contar com o fato de que Kate no informara ao empregador que tinha um filho.
         O simples pensamento sobre o menino foi suficiente para lhe dar um n no estmago pela ansiedade prpria da proteo maternal.
         - O que houve? - indagou Laura, curiosa, percebendo a tenso da colega.
         - Na... Nada.
         Kate no revelara a ningum sobre Ollie. Percebia a atitude dos colegas de trabalho e empregadores diante das dificuldades que costumavam acompanhar uma
funcionria que era me - especialmente solteira. No mencionara o filho na entrevista de admisso. S aps algum tempo trabalhando na empresa percebeu que John
tinha uma atitude um tanto antiquada no que concernia  contratao de mulheres com bebs. Na ocasio, Kate estava convencida de que se encaixava perfeitamente naquele
emprego, e, embora tivesse lhe custado algumas noites insones e muitos escrpulos, decidiu que a existncia de Ollie permaneceria em segredo. De natureza extremamente
ntegra, a resoluo lhe pesara na conscincia em vrias ocasies, mas a cada vez, alertava a si mesma que aquele era um mal necessrio se quisesse ver seus planos
profissionais realizados.
         Adquirira a qualificao de que necessitava e estava determinada a prover o filho de alguns benefcios materiais aos quais teria direito se o pai no a
tivesse abandonado.
         Pai! Kate podia sentir a mistura explosiva de nusea e desespero se apossar de seu ntimo - uma combinao to txica quanto o arsnico, mas era a ela que
aquele veneno ameaava destruir, no ao homem que lhe despedaara o corao e a abandonara.
         Porm, no presente, achava que ela e Ollie passavam bem sem ele, embora o salrio que recebia desse apenas para cobrir a hipoteca que estava pagando pelo
exguo chal que comprara numa bela aldeia muitos quilmetros distante da cidade, deixando apenas o suficiente para a alimentao, os gneros de primeira necessidade
e a creche.
         Creche! Os lbios, sempre macios e graciosos ficaram tensos. Ela era a pessoa indicada para prover o filho de cuidados, mas no estava em situao financeira
que propiciasse tal vantagem.
         O emprego atual era apenas o primeiro degrau da ascenso profissional que teria de atingir para proporcionar a ambos uma vida confortvel. O chefe do departamento
iria se aposentar dentro de dois anos e Kate acalentava a esperana que, se executasse suas funes com brilhantismo, John talvez pudesse promov-la ao cargo.
         Seu 25. aniversrio se aproximava, assim como o 5. de Ollie. Cinco anos de solido, sem... De imediato Kate afastou os pensamentos danosos. No precisava
deles e no permitiria que lhe estragassem a paz de esprito.
         Era no futuro que tinha de se focar e no no passado! A compra da companhia podia destruir suas chances de promoo, mas talvez lhe aumentasse as oportunidades,
refletiu, enquanto estudava alguns grficos comparativos que elaborara por iniciativa prpria, para descobrir que clientes poderiam ser estimulados a aumentar seus
pedidos.
         Enquanto permanecia parada  porta da pequena creche da aldeia e observava o filho correr em sua direo, a face pequenina iluminada ao v-la, Kate sentiu
o corao pular de amor.
         Quando se inclinou para tom-lo nos braos, enterrar o rosto na pele macia do pescoo de Ollie e inspirar a deliciosa fragrncia dele, concluiu que no
importava quantos sacrifcios tivesse de fazer, ou o quanto teria de trabalhar duro, faria tudo que estivesse a seu alcance para o bem-estar de Ollie.
         Pequenas rugas lhe franziram a testa ao vaguear o olhar pela sala de aula, vazia. Escolhera viver em uma aldeia, pois desejava proporcionar a Ollie um senso
de vida em comunidade e prover ao filho um tipo de infncia que lhe fora negada. Mas viver ali significava que tinha de viajar todos os dias para a cidade para trabalhar
e Ollie tinha de esperar mais do que as outras crianas para que ela fosse busc-lo.
         Nunca desejara que Ollie crescesse daquela forma - filho nico sem nenhuma famlia alm dela. Quisera que tudo fosse diferente para ele.
         Dois pais amorosos, irmos, a certeza de ser querido e amado!
         A dor a atingiu inexorvel. Passaram-se cinco anos... Por certo apenas uma mulher desprovida de respeito prprio se permitiria pensar sobre o homem que
a trara e rejeitara. Um homem que jurara am-la pelo resto da vida, dividir com ela os sonhos e aspiraes, que a ensinara a am-lo, que sussurrara contra seus
lbios, enquanto lhe possua o corpo virginal, que no passado desejava que ela fosse a me de seu filho e que iria cerc-lo de amor e segurana.
         O mesmo homem que mentira e a deixara com o corao em frangalhos, desiludida e completamente s.
         Para ficar ao lado dele, Kate fora contra a vontade dos tios que a criaram e por esse motivo tinha sido renegada.
         No que quisesse os tios envolvidos na vida de seu precioso filho. Eles lhe haviam dado uma casa quando ficara rf, mas fizeram aquilo apenas por obrigao
e no por amor. E Kate ansiara por amor a vida toda.
         - Ollie estava comeando a ficar preocupado.
         O tnue trao de reprovao na voz da professora da creche fez Kate estremecer.
         - Sei que estou um tanto atrasada - desculpou-se. - Houve um acidente na estrada.
         A professora era corpulenta e de meia-idade. Tinha netos e as crianas da creche a respeitavam e amavam. Kate perdera a conta do nmero de vezes que ouviu
Ollie citar-lhe o nome quando insistia em alguma coisa.
         - Mas Mary falou... - dizia a criana.
         Dez minutos mais tarde Kate estava destrancando a porta do pequeno chal. Ficava localizado no centro da aldeia. As janelas da frente descortinavam o vasto
verde com um lago para patos e os fundos da casa desembocavam num estreito jardim.
         Ollie era uma criana de compleio robusta com msculos firmes e uma cabea ornada de cachos de cabelos pretos. Uma herana gentica do pai, embora a criana
no soubesse.
         Para Kate, o homem que lhe dera seu filho no mais existia, e ela se recusava a deix-lo entrar na vida de ambos. A natureza plcida de Ollie permitira
at pouco tempo que ele aceitasse a ausncia de um pai sem fazer perguntas. Porm, o fato de seu mais novo amigo ter um pai levou-o a querer saber mais.
         Kate franziu o cenho. At ento o filho se contentara com as respostas evasivas, mas doa-lhe o peito ao ver o modo como Ollie observava encantado enquanto
Tom Lawson brincava com o filho.
         Sean desceu da Mercedes e se deteve a observar o prdio  sua frente.
         O terno Savile Row feito  mo trajava com elegncia o corpo esbelto, no mascarava a largura generosa dos ombros e os msculos que desenvolvera nos anos
em que ganhara a vida oferecendo seu trabalho para qualquer construtor que o quisesse contratar.
         Trabalhara duro na construo de mais de uma via expressa, bem como em vrios projetos de moradia, mas mesmo naquela poca, quando no passava de um adolescente
mal-educado, jurara a si mesmo que um dia seria ele a dar ordens e no a receb-las.
         Quando criana tivera de lutar literalmente para se alimentar at que, aos 5 anos, foi abandonado por sua me hippie e dado  adoo. Aos 20 anos, passava
o tempo se dedicando a trabalhar em construes ou em qualquer coisa que lhe pagassem para fazer. A noite cursava a graduao em Administrao. Comemorou seu 31
aniversrio, vendendo a companhia de construo que fundara por nada menos do que vinte milhes. Quisera fazer aquilo, podia at mesmo se aposentar. Mas aquele no
era o tipo de vida que queria levar. Estudava o potencial de empresas como as de John e agarrava as oportunidades com ambas as mos. Estava agora com 35 anos.
         Tinha planos ousados para a expanso do negcio que acabara de adquirir, mas para que eles lograssem necessitaria de uma fora de trabalho adequada. Dedicada,
cheia de energia, entusiasmada e ambiciosa. Naquela manh conheceria seus novos funcionrios e pretendia avali-los como fizera com a primeira equipe com que trabalhara
quando entrou para o ramo dos negcios - fitando-os face a face. E ento... S ento, leria seus arquivos pessoais.
         Tinha uma beleza cativante, mas os raios de sol matinal realavam as linhas rspidas que cortavam do nariz para a boca e revelavam um homem de arrojada
determinao que raramente sorria. Utilizava a sensualidade inata com claro cinismo que brilhava no azul celta de seus olhos naquele momento, quando uma jovem estacou
para lhe voltar um olhar apreciativo.
         Nos anos em que se dedicava a amealhar milhes, fora assediado por um sem nmero de mulheres deslumbrantes, mas Sean sabia que elas teriam dado as costas
com desdm ao jovem que um dia fora.
         No mesmo instante algo em parte amargo em parte doloroso roubou-lhe o calor do olhar e entorpeceu o seu azul.
         Atravessara um longo caminho que o afastara do que fora um dia. E ainda assim no to longe o suficiente?
         Trancando o carro, encaminhou-se taciturno em direo ao prdio.
         Kate podia sentir a transpirao salpicar-lhe a fronte, enquanto aguardava o semforo mudar de cor. A ansiedade comprimia-lhe o estmago a ponto de doer.
         Engolira o prprio orgulho na noite anterior e pedira a Carol, a me do melhor amigo de Ollie, para deix-lo em sua casa s 7h30 para que ela o levasse
 creche junto com George.
         A dor no estmago se intensificou. Detestava tratar o filho como um... Fardo!
         Por que diabos o novo dono da empresa insistira em que os funcionrios chegassem to cedo?
         Seria um estouvado ou um ditador? O que quer que fosse, no era um bom pressgio para o seu futuro na empresa, decidiu, irritada.
         Quando alcanou o semforo, avistou o carro quebrado que causava o engarrafamento. J passavam dez minutos das oito horas e levaria, no mnimo, mais dez
para chegar ao escritrio.
         Oito e meia! Kate trincou os dentes, enquanto se precipitava para dentro do prdio. Comeou a correr para cobrir os ltimos metros que a separavam do escritrio.
Porm, o fio de esperana que acalentara de se esgueirar discretamente pelo escritrio de John, enquanto a reunio estivesse em andamento se esvaeceu quando a porta
do escritrio se abriu e os colegas de trabalho saram para o corredor.
         - Est atrasada! - sussurrou Laura, quando a avistou. - O que aconteceu?
         Era difcil falar com tanta gente no corredor.
         - Mais tarde lhe conto - comeou Kate, para em seguida congelar ao avistar os dois homens que passavam pela porta.
         Um deles era John e o outro... o outro... seu ex-marido!
         - Talvez queira me contar... agora?
         A lembrana da doce suavidade do tom de voz pontuado pela frieza do gelo ainda estava vivida em sua incute.
         Os colegas a fitavam, percebeu Kate, enquanto lutava contra o choque violento.
         John parecia angustiado e desconfortvel. Sean acho que talvez... estou certo de que...
         Ignorando John com arrogncia, o ex-marido se dirigiu a ela.
         Por aqui - disse, segurando a porta do escritrio para que Kate adentrasse.
         Por um instante os olhares de ambos se chocaram em uma batalha tcita por supremacia. O topzio contra o denso azul.
         Seu ex-marido era o novo dono da empresa!
         Como pudera o destino lhe desferir tamanho golpe?
         Quando Sean desaparecera de sua vida para viver com a mulher pela qual a abandonou, Kate rezou para nunca mais tornar a v-lo. Entregara-se por completo
quele homem - desafiando os tios para ficar ao lado dele, ajudando-o, encorajando-o e o amando - mas aquilo no fora o suficiente para o ex-marido. O sucesso que
Kate o ajudara a alcanar o fez consider-la pouco para ele.
         Ela prendia a respirao e precisava expirar com urgncia, mas temia que se o fizesse, comeasse a tremer - e no permitiria que Sean testemunhasse aquele
tipo de vulnerabilidade nela.
         Recordava-se com riqueza de detalhes daqueles olhos azuis desafiadores. Fitara-a daquela forma quando se conheceram, desafiando-a a ignor-lo. Ningum se
atreveria a faz-lo agora.
         - Kate  muito... - Ela podia ouvir a voz de ex-patro tentando defend-la.
         - Obrigado, John. Lidarei com esse assunto sozinho - interrompeu-o Sean em tom decisivo, enquanto Kate passava por ele para entrar no escritrio. Sean fechou
a porta, excluindo John por completo.
         - Kate? - ele indagou em tom austero. - O que aconteceu com Kathy?
         A simples sonoridade daquele nome ressuscitou de imediato lembranas por demais dolorosas. Este era seu nome quando Sean escarneceu dela a primeira vez
que se encontraram, dizendo que ela era muito sofisticada para danar com um homem como ele. E era assim que se chamava, quando ele a tomou nos braos e lhe mostrou...
Decidida, ela afastou da mente aqueles pensamentos.
         Erguendo o queixo, forou a voz a soar fria.
         - Kathy? - Deixou escapar uma risada forada. - Ela no existe mais, Sean. Voc a destruiu junto com nosso casamento.
         - E seu sobrenome? - Sean imaginou se ela poderia entender a causa da raiva que lhe arranhava a garganta e lhe fazia a voz soar spera, enquanto tentava
dominar o prprio choque.
         - Kate Vincent - ela redargiu em tom frio.
         - Vincent? - questionou Sean de maneira grosseira.
         - Sim, Vincent. No achou que eu iria manter seu nome, achou? Tampouco desejava o de meus tios achavam, assim como voc, eles tambm no me queriam.
         Sendo assim, casou-se outra vez apenas para mudar o nome? - A raiva escureceu os olhos de Kate ante o desdm no tom de voz de Sean. - Por que se atrasou?
ele indagou de modo abrupto. - Seu marido no queria deix-la sair da cama?
         A fria fez a face de Kate queimar.
         S porque voc... - comeou ela, para em seguida deter-se, engolindo em seco, quando de repente as lembranas comearam a lhe assaltar a mente. Sean despertando-a
pela manh com beijos gentis... at que ela estivesse completamente acordada e ento...
         Podia sentir a tenso crescer dentro dela, ativada pelas lembranas que embotavam a realidade presente,  qual tentava desesperadamente se agarrar como
proteo.
         Proteo contra o qu? O amor que uma vez sentira por Sean fora completamente destrudo por ele. Percebeu o corpo ficar tenso pelo orgulho ferido. Ficou
satisfeita que Sean pensasse que ela havia encontrado outra pessoa. E casado outra vez.
         Teria ele casado com a mulher pela qual a abandonara?
         O celular de Sean tocou e ele o atendeu, franzindo de leve o cenho, enquanto dispensava Kate.
         Quando ela se voltou para partir, ouviu claramente a voz feminina do outro lado da linha dizer: Sean, querido...
         Kate estava esvaziando a mesa de trabalho quando Laura entrou na sala.
         - Que diabos est fazendo? - indagou a colega, surpresa.
         - Esvaziando minhas gavetas. No  isso que parece? - retrucou Kate, sucinta.
         - Est indo embora?
         Kate percebeu o quo chocada e desapontada Laura parecia.
         -  Isso significa que ele a demitiu s por que se atrasou?
         Kate se permitiu um sorriso breve e amargo.
         - No, ele no me dispensou, mas digamos que estou partindo antes que o novo dono o faa.
         - Oh, Kate, no! - protestou Laura, visivelmente irritada. - Sei que as coisas no comearam bem com voc... - Ela estacou, mordiscando os lbios, constrangida.
         Laura nunca seria uma boa poltica, refletiu Kate, percebendo a vexao dela.
         - Laura?
         - Bem, estou certa de que ele no tinha inteno de ser crtico... ou indelicado. Mas o ouvi perguntar a John onde voc estava - admitiu Laura, relutante.
- Estou certa de que ele ser compreensivo - acrescentou rapidamente. - Parece to meigo, alm de encantador.
         Meigo! Sean! Kate abafou uma gargalhada amargurada.
         Sean poderia ser muitas coisas, mas nunca meigo, nem sequer da primeira vez que o vira.
         Um espcime masculino forte, experiente, mentiroso, intratvel que era capaz de fazer os joelhos de uma mulher cederem e inflam-la com um olhar cnico.
Ligou o computador e comeou a digitar.
         Oh, Deus! Obrigada por ela ter mudado de idia comeou Laura, aliviada, mas Kate meneou a cabea.
         No mudei de idia. Estou digitando minha carta de demisso - informou, decidida.
         Sua demisso! Oh, Kate! - Laura parecia bastante agastada e tratou de tentar dissuadi-la, mas Kate se mostrava inflexvel.
         Quando terminou a carta, releu-a e imprimiu antes de coloc-la em um envelope, que depositou na correspondncia interna.
         Finalizada a tarefa, encaminhou-se  porta.
         - Aonde vai? - indagou Laura, ansiosa.
         - Estou indo embora - redargiu Kate, paciente. - Acabei de escrever minha carta de demisso, portanto no trabalho mais aqui.
         - Mas, Kate, no pode sair assim... Sem dizer a ningum! - protestou Laura.
         - Ento, observe - devolveu Kate, sucinta, e se encaminhou  porta.
         Mas em seu ntimo estava longe da aparente calma. Furiosa, tentava afastar os pensamentos traioeiros.
         Kathy estava trabalhando ali! Sean caminhou pelo escritrio, quando finalizou o telefonema da esposa de seu advogado. Ela ligara para convid-lo para um
jantar danante que estava planejando, mas ele no costumava comparecer quele tipo de evento. Apertou os lbios com amargura. Antes de conhecer Kathy, no sabia
sequer como utilizar corretamente os talheres. Fora ela que o ensinara. Aparara de maneira gentil suas asperezas. E ele...
         Caminhou com passos vigorosos em direo  janela do escritrio e olhou para fora. Fizera questo de no saber o paradeiro de Kathy depois que haviam se
divorciado. No o ajudaria em nada. O casamento estava acabado e ele lhe deixara um generoso acordo financeiro, apesar de ela t-lo devolvido intacto ao seu advogado.
Com quem e quando ela teria casado?
         Voltou para a mesa e pegou as fichas dos funcionrios que ainda no tivera tempo de ler.
CAPTULO DOIS
         QUANDO Kate saiu do carro, percebeu que no deveria estar dirigindo. Tremia dos ps  cabea e no saberia dizer como chegara em casa. A viagem fora um
tanto dolorosa, durante a qual lutara contra indesejadas lembranas enquanto ondas de pnico e raiva a oprimiam. Kate!
         Ela tentou parecer relaxada e sorriu quando Carol, sua amiga e vizinha, veio correndo ao seu encontro.
         O que est fazendo aqui to cedo? - indagou Carol. - A entrevista foi to proveitosa que seu novo chefe lhe concedeu o resto do dia de folga? - adicionou,
provocativa.
         Kate entreabriu os lbios para retornar uma resposta zombeteira, mas para sua vexao, descobriu os lbios tremendo quando as emoes a engolfaram.
         -  Entreguei minha carta de demisso - informou a Carol com a voz trmula. - Eu... tive que... meu... novo chefe  meu ex-marido! - Os olhos topzio se
inundaram de lgrimas. Tremia to violentamente que poderia se dizer que estava em estado de choque.
         - Venha, vamos entrar - ouviu Carol dizer em tom maternal. - E ento poder me contar tudo sobre isso.
         Dez minutos mais tarde, depois de preparar duas xcaras de caf e conversar calmamente sobre os filhos de ambas, Carol se dirigiu  amiga em tom gentil.
         - No quero parecer intrometida, mas se quiser tirar esse peso do peito, sou uma excelente ouvinte e prometo que o que me contar no sair daqui.
         - Quando Kate no lhe deu qualquer resposta e continuou sentada na cadeira com a xcara de caf nas mos, Carol acrescentou: - Nem mesmo para Tom, se assim
desejar.
         Kate voltou a face para fit-la com o olhar perdido e em seguida forou-se a se concentrar no presente.
         Inspirou todo o ar que podia para os pulmes e comeou a falar devagar e amarguradamente.
         - Conheci Sean quando tinha 18 anos. Ele estava construindo a extenso da casa dos vizinhos dos meus tios. Estvamos em pleno vero e Sean trabalhava com
o peito nu, trajando apenas um jeans velho e apertado.
         -  Hummm, bem sexy. Posso imaginar a cena.
         - Carol sorriu encorajadora, aliviada por perceber um leve trao de humor curvar os lbios de Kate.
         - Eu costumava caminhar em volta da casa apenas para v-lo trabalhar - admitiu Kate. - No sabia que ele havia me notado, at que uma noite ele estava em
um clube local e convidou-me para danar. Fantasiar sobre ele, enquanto passava pela casa era uma coisa, mas ficar frente a frente com Sean em carne e osso era outra!
Senti-me intimidada. - Kate deu de ombros e fitou a amiga. - Eu era uma virgem ingnua de 18 anos e a sensualidade masculina forte e determinada que ele possua
era um tanto avassaladora. Infelizmente ele pensou que eu o estava rejeitando e... Kate meneou a cabea. - Na ocasio no percebi, mas assim como eu, Sean tivera
uma infncia infeliz e solitria, o que o deixou com um tanto carrancudo e determinado a prosperar. Agora percebo que eu era como um desafio para ele, pois era uma
moa de um nvel diferente. Uma namorada trofu, como a imprensa denominaria nos dias atuais, e por algum tempo servi ao propsito dele. Boa o suficiente para casar.
Mas to logo Sean se tornou um homem de sucesso, penso que percebeu que eu no era mais um trofu que queria conservar. Com o dinheiro que possua, poderia conseguir
outros trofus melhores.
         Carol percebia a dor que pontuava o tom de voz de Kate.
         - Voc o amava - afirmou com suavidade.
         - Amar? - Kate a fitou nos olhos. - Sim, eu o amava. Completa, cega, loucamente. Porque naquela poca achava que ele sentia o mesmo por mim!
         - Oh, Kate! - exclamou Carol, sensibilizada, enquanto cobria com as suas as mos frias que Kate mantinha entrelaadas. Kate engoliu em seco.
         - Meus tios ficaram furiosos quando se espalhou a notcia de que eu o estava namorando. Principalmente minha tia. Tivemos uma terrvel discusso na qual
ela revelou que nunca gostara de minha me, e ficara furiosa quando o irmo se casou com seu desafeto. Disse-me que se eu no deixasse de me encontrar com Sean,
eles lavariam as mos e me renegariam. Mas eu no poderia abrir mo dele. Amava-o de todo corao. Ele havia se tornado meu mundo! E quando lhe contei o que minha
tia dissera, Sean afirmou que no me deixaria voltar para eles, para ser ferida e rechaada e que a partir daquele momento tomaria conta de mim. - Kate deixou escapar
um profundo suspiro. - Casamos em seis semanas. Sean terminara a extenso e estava pronto para pegar o prximo trabalho.
         Carol podia perceber que os eventos daquele dia estavam comeando a abater Kate, e, examinando a sua face exausta, ergueu-se.
         - Parece cansada. Por que no descansa um pouco? Vou buscar Oliver na creche, se quiser, e lhe dar o ch.
         Kate sentiu-se tentada a recusar. Mas enquanto uma parte dela ansiava pelo calor do corpo robusto do filho em seus braos, abra-lo e se consolar com a
presena dele, outra parte lhe dizia que aquilo no era justo com Ollie e que no deveria criar o hbito de depender emocionalmente dele. Alm disso, tinha coisas
a fazer, lembrou a si mesma. Como comear a procurar outro emprego!
         -  muito gentil - agradeceu, abatida.
         - Sei que faria o mesmo por mim.
         Sem dvida, mas nunca seria necessrio, pensou Kate depois que Carol partiu. Ela possua um marido extraordinrio e dois sogros adorveis que estavam sempre
dispostos a ficar o maior tempo possvel com o neto.
         E Oliver tinha apenas a ela. Nenhum av. S a me. E Sean? Afinal, ele era o pai de Ollie, disse Kate a si mesma.
         Sean!
         Sentia o corpo pesado pela tristeza e desespero. Havia lutado tanto e lhe parecia to injusto que tivesse a segurana financeira que conseguira arrebatada
de suas mos apenas porque Sean havia comprado a empresa onde trabalhava.
         Pela primeira vez desde que ele lhe dissera que o casamento de ambos havia acabado, Kate sentiu-se zangada consigo mesma por no haver aceitado a penso
generosa que ele lhe oferecera na poca. Dois milhes de libras e ela devolvera tudo! Na ocasio no sabia que estava grvida de Oliver. E ento, quando percebera...
bem, jurara nunca pedir nada a Sean, que afirmara com frieza que havia mudado de idia sobre a paternidade e que no pretendia manter-se ligado a uma esposa que
no mais amava.
         A dor era to aguda quanto a que experimentara na ocasio, e Kate ficou tensa. Ela no deveria mais existir. Deveria t-la destrudo como Sean o fizera
com o casamento deles.
         Todas as coisas que ele lhe dissera e nas quais acreditara, como, por exemplo, a vontade que Sean afirmava ter de ser pai. Todas as promessas que ele lhe
fizera - que os filhos deles teriam todo o amor e segurana que nenhum dos dois conhecera na infncia. Fora tudo mentira!
         Contra sua vontade, Kate se percebia sendo dragada para o passado e para as lembranas dolorosas que o acompanhavam.
         No percebera o que estava por vir ou como a felicidade que sentia era vulnervel. Na verdade, apenas um ms antes, Sean a levara a um idlico passeio em
um hotel fazenda - para compens-la, dissera ele afetuoso, pelo fato de as negociaes em que estivera envolvido para garantir um contrato valioso terem se prolongado
por muito tempo e no ter permitido que eles desfrutassem nenhum feriado no vero.
         Eles chegaram ao entardecer e fizeram um passeio demorado e romntico pelos jardins. Em seguida, voltaram para o quarto, onde Sean a despiu e fez amor com
ela.
         Naquela noite, atrasaram-se para o jantar, recordou Kate. E durante a refeio, Sean lhe entregou um grande envelope marrom, pedindo-lhe que o abrisse.
Dentro ela encontrou os detalhes da venda de uma graciosa residncia paroquial Georgiana pela qual eles passaram de carro no incio daquele ano.
         - Disse-me que era o tipo de lugar no qual sempre desejou morar - relembrou Sean em tom casual. - Est  venda.
         Kate passou o resto da noite planejando como iria decorar a casa e insistindo para que Sean a escutasse, enquanto relatava os detalhes das mudanas que
efetuaria em cada cmodo.
         Fizeram amor mais uma vez naquela noite e pela manh quando acordaram. Aps o que, deitara-se nos braos do marido com os olhos fechados, enquanto inspirava
luxuriosamente a fragrncia daquele homem e imaginava o que teria feito para merecer tamanha felicidade.
         Menos de um ms mais tarde passara a questionar o que fizera para merecer tamanha dor.
         Em um minuto - ou assim pensou - Sean estava negociando a compra da residncia paroquial e no seguinte afirmava que no mais a amava e que pretendia pedir
o divrcio.
         Kate cerrou as plpebras e recostou-se no espaldar da cadeira. Sentia-se fsica e emocionalmente esgotada. O que teria de fazer no momento, disse a si mesma,
em vez de se afogar num mar de auto-piedade.
         Teria que se inscrever numa agncia de empregos e aceitar todos os cargos temporrios que lhe oferecessem at conseguir uma contratao permanente. Possua
algumas economias - que guardava para o futuro - mas a quantia no duraria por muito tempo.
         Por qu? Por que Sean tinha de voltar para sua vida daquela forma? J no a magoara o bastante?
         Cansada, Kate desistiu de lutar contra a exausto e permitiu-se cair em sono profundo.
         O sonho era o mesmo que j tivera antes. Tentou despertar como sempre fazia, mas era tarde demais. Ele a engolfava e arrebatava e Kate se perdia nele.
         Estava com Sean, na sala de estar da casa onde moravam. Ele chegara mais cedo do trabalho. Kate correu para abra-lo, mas ele a empurrou. A expresso no
era a do marido que conhecia e sim do homem irado e agressivo que ele era quando a conheceu.
         - O que h de errado? - ela indagou, estendendo uma das mos para toc-lo, mas recuou quando Sean ignorou o gesto de carinho. Ele se afastou e caminhou
at a janela, bloqueando os raios de luz que dela incidiam. Estupefata, Kate o observou e as primeiras correntes de temor comearam a se enrolar em torno de seu
corao.
         - Quero o divrcio.
         - Divrcio! No. O qu? Sean, o que est dizendo? - ela indagou em pnico, levando a mo  garganta e dando  voz um tom rouco que parecia ecoar pela sala.
         -  Estou dizendo que nosso casamento acabou e quero o divrcio.
         -  No!  No!  No pode estar falando  srio!
         - Aquele tom de voz suplicante era o dela? - Voc me ama.
         - Pensei am-la - concordou Sean em tom frio.
         - Mas descobri que estava enganado. Temos objetivos diferentes na vida. Quer ter filhos. Estou farto de ouvi-la repetir isso. Eu no os desejo!
         - No  verdade. Como pode dizer uma coisa dessas? - Kate o fitava, incrdula, incapaz de entender o que o marido estava lhe dizendo. - Sempre disse que
desejava filhos. Uma famlia numerosa para compensar nossa infncia...
         Se Sean estava escutando a dor que pontuava o protesto de Kate ou se aquilo o estava afetando, no dava a demonstrar.
         -  Pelo amor de Deus! - interrompeu-a ele.
         - Cresa Kathy. Quando disse isso queria apenas lev-la para cama. - As palavras cruis se chocaram contra as sensveis emoes de Kate. - No quero discutir
sobre isso. Nosso casamento acabou, s isso. J falei com meu advogado. Ficar bem financeiramente...
         - H outro algum?
         Em silncio ambos se fitaram, enquanto Kathy erguia uma prece aos cus para que a resposta de Sean fosse negativa, mas em vez disso s encontrou o escrnio.
         - O que acha?
         Todo o corpo de Kathy tremia e embora ela no quisesse chorar, o nome dele lhe escapou dos lbios num soluo enquanto suplicava, incrdula.
         Por que estava fazendo aquilo? As mos de Sean se apertaram no volante enquanto dirigia. O que ganharia ressuscitando o passado? Ela era facilmente substituvel.
Porm, sabia que estava sendo injusto. De acordo com John e pelo que sabia, Kate era uma profissional extremamente inteligente e uma diligente funcionria. O tipo
do empregado de que ele precisava. No permitiria que Kathy se demitisse do emprego sem cumprir ao menos o aviso prvio.
         Ela era sua ex-esposa, diabos, relembrou a si mesmo. Mas aquilo nada tinha a ver com o fato de terem sido casados. Tampouco com a descoberta de que Kathy
no estava casada.
         Encontrava-se na aldeia e sentiu os lbios se comprimirem. Oh, sim, aquele era o tipo de ambiente que agradava a Kate. Pequeno, aconchegante, e caseiro
ao contrrio da vida que levara com os tios.
         Manobrou o carro em uma das vagas do estacionamento e desligou o motor.
         No contara a ningum que Kathy pedira demisso. Oficialmente ainda era funcionria de sua empresa.
         Contornou o lago dos patos e dirigiu-se para a porta de Kate.
         Estava prestes a bater, quando uma senhora idosa, que o observava de seu porto, o chamou.
         - Ter de se dirigir  porta dos fundos, meu jovem.
         Jovem! Sean fez uma careta. Achava que nunca fora um jovem - nunca lhe fora permitido ser! E quanto a ser um homem... Uma expresso perigosa endureceu-lhe
a face, enquanto seguia as instrues da senhora.
         Levou alguns minutos para encontrar o caminho que cortava os jardins dos fundos do chal. O porto de Kate no abriu de pronto e Sean descobriu que ele
estava trancado por dentro, o que o obrigou a esticar a mo para destranc-lo. Um dispositivo que no oferecia nenhuma segurana, refletiu, franzindo o cenho, enquanto
caminhava em direo  porta dos fundos.
         Os vincos na testa de Sean se intensificaram quando descobriu que ela estava aberta. Se Kathy possusse sua experincia de vida, seria mais conscienciosa!
         A mo de Sean se encontrava no batente da porta, quando a ouviu gritar seu nome.
         Ele reagiu de pronto, escancarando a porta e irrompendo pela cozinha, e ento estacou de modo abrupto quando a avistou dormindo em uma cadeira. Era como
se todo o ar lhe tivesse sido roubado dos pulmes. O peito doa quando tentou expirar.
         Sempre amara velar-lhe o sono. Absorver a viso dela em secreto prazer - os clios longos, recostando-se  pele delicada. Os lbios levemente entreabertos,
a face virada para o lado, deixando apenas uma das delicadas orelhas  mostra. O simples fato de estar adormecida a tornava to vulnervel, mostrando o quanto confiava
nele, o quanto precisava de sua proteo.
         Sem pensar, Sean deu alguns passos  frente, a mo erguida para afastar uma mecha de cabelos da face delicada de Kate. Foi ento que percebeu que aquele
em o presente, no o passado e estacou de pronto.
         Mas era tarde demais. De alguma forma, como se tivesse lhe pressentido a presena, Kate gritou seu nome, agoniada. Por alguns segundos, ele hesitou, mas
em seguida, suspirando profundamente, colocou uma das mos no ombro delgado e a sacudiu de leve.
         Kate despertou de imediato, e enquanto abria os olhos inquiriu de modo brusco: - Sean, o qu?
         Ela ergueu o olhar para fit-lo. O sonho ainda lhe enevoando o crebro. Levou alguns valiosos segundos para acordar totalmente. A incompreenso lhe embotando
o olhar.
         -  Voc estava gritando meu nome - afirmou Sean, em tom suave.
         Kate tornava-se cnscia da realidade e a veracidade do sonho que tivera a atingiu como um raio. Sentiu o rubor assomar-lhe  face. No mesmo instante uma
tenso perigosa encheu o ambiente.
         Estava sonhando, apenas isso - argumentou na defensiva.
         - Sempre sonha comigo?
         O perigo crescia a cada batida do corao.
         Podia sentir a pele se retesar em reao ao escrnio no tom de voz dele.
         - Era mais um pesadelo - retaliou Kate de pronto.
         - Voc no casou de novo. - O tom de Sean era quase acusatrio, numa rpida mudana de assunto.
         Cambaleante, Kate conseguiu se levantar. Mesmo de p era muito mais baixa do que Sean. Amaldioou o fato de no estar usando saltos altos e sentiu a velha
amargura mobilizar-lhe o ntimo.
         - Casar de novo? Acha que eu me arriscaria em casar outra vez depois do que fez comigo? - indagou Kate, irada. - No me casei outra vez e nunca o farei.
         E havia uma boa razo para no faz-lo, mas no tinha inteno de revel-la. Era Oliver. Seu precioso filho no seria submetido a um padrasto que talvez
no o amasse. Kate passara por aquela experincia, e no iria submeter Ollie  mesma infelicidade que tivera enquanto crescia.
         - Por que mudou seu nome?
         Ento Sean ainda possua a mesma habilidade de lanar perguntas perigosas como facas entre as costelas. Sentiu que iria tremer e cruzou os braos sobre
o peito para que ele no testemunhasse seu corpo trair a ansiedade.
         - E por que no deveria? No queria carregar seu nome. Tampouco o de meus tios, ento o troquei oficialmente pelo nome de solteira de minha me. O que est
fazendo aqui? - indagou, irritada. - No tem o direito de...
         - Vim at aqui por causa disto - informou Sean, retirando a carta de demisso que ela escrevera do bolso da jaqueta, juntamente com um envelope branco.
         - Este  seu contrato de trabalho - anunciou. Ele a obriga a cumprir aviso prvio de quatro semanas. No pode simplesmente abandonar o emprego.
         A boca de Kate se tornou seca. Sabia que seus olhos espelhavam a prpria mortificao.
         Voc... no pode me obrigar a isso - comeou, destemida. - Voc...
         Oh, sim, posso - contra-argumentou ele. - E pretendo faz-lo.
         Por qu? - inquiriu Kate, furiosa, sentindo a tenso aumentar ao perceber que o prprio tom de voz beirava o descontrole. - Pensei que quisesse me ver fora
dali tanto quanto eu desejava ir embora, dada a rapidez com que terminou nosso casamento! No pode querer que eu trabalhe para voc. Sua ex-esposa, a mulher que
rejeitou? A mesma que...
         Regras so regras.  obrigada por lei a cumprir seu aviso prvio  a quero de volta  sua mesa de trabalho para que possa cumprir com as responsabilidades
de sua substituio.
         No pode fazer isso! - protestou Kate. A voz podia soar forte e determinada, mas em seu ntimo o pnico ameaava agoniz-la. Sabia que tinha obrigao legal
de cumprir o aviso prvio e se no o fizesse seus prximos empregadores pensariam duas vezes antes de contrat-la. Com a responsabilidade de Oliver no podia se
dar ao luxo de ficar fora do mercado de trabalho.
         Sim, posso - corrigiu-a Sean. - Pode ter pulado fora de nosso casamento, mas no o far em relao a seu trabalho.
         O choque de Kate aumentou ante as palavras que o ex-marido lhe atirava.
         - O fiz por que voc estava tendo um caso. Sabe disso. Foi voc a findar nosso casamento.
         -  No estou interessado em discutir o passado, apenas o presente.
         A resposta a deixou sem ao e vulnervel. Fora um erro mencionar o casamento e um maior ainda se referir ao caso que Sean tivera. A ltima coisa de que
precisava era o deboche do ex-marido em relao ao assunto.
         - Gosto de valorizar meu dinheiro. Por certo se lembra disso?
         O comentrio dava-lhe a oportunidade de contra-atac-lo e Kate aproveitou-a.
         - No me permito lembrar nada sobre voc. - As palavras iradas e desdenhosas lhe escaparam antes que pudesse suprimi-las. Podia sentir a tenso crescer
entre ambos e com ela as lembranas perigosas de um tipo de tenso diferente que costumavam dividir.
         -  Nada? - indagou Sean, desafiando-a como se lhe tivesse lido os pensamentos. - Nem mesmo isto?
         A sensao das mos fortes em seus braos, puxando-a contra ele, o calor da pele e a rigidez do corpo msculo era to chocante, familiar e agradvel, que
Kate no conseguiu se mover.
         De alguma forma, como se tivesse adquirido vida prpria, o corpo feminino se moldou ao dele. E as mos delicadas deslizavam por dentro da jaqueta, explorando
as costas largas. Inexplicavelmente a cabea de Kate se inclinou para trs e os olhos cor de topzio bem abertos percebiam o fogo e a paixo espelhados nos do ex-marido.
         Para sua surpresa, era como se uma parte dela estivesse esperando por aquilo, pr ele. No s esperando, mas querendo, ansiando e precisando.
         O som montono do relgio da cozinha foi abafado pela intensidade da respirao de ambos. A de Sean pesada e spera, a dela, um pouco mais suave, baixa
e irregular.
         O toque da mo masculina em sua nuca,  medida que o polegar de Sean deslizava pela pele macia, enviava sinais que eram reconhecidos de imediato pelo corpo
de Kate.
         Tinha de fechar os olhos, antes que o ex-marido visse refletido neles tudo o que estava sentindo - o discreto intumescimento dos mamilos que ansiavam pela
boca de Sean, a contrao em seu ventre e mais abaixo a umidade da prpria intimidade.
         Sentiu o calor dos lbios de Sean e os seus prprios se entreabrirem  arremetida firme da lngua quente o macia - uma sensao que permanecia vivida em
sua mente.
         Os dedos finos apertaram os ombros largos sob a jaqueta, enquanto a presso possessiva e familiar do beijo de Sean silenciava o gemido de prazer que se
formou na garganta de Kate.
         Quando as mos msculas escorregaram para os quadris curvilneos, e os dedos firmes se fecharam em torno de seus ossos delgados, Kate sentiu-se enfraquecer
de desejo. Em breve Sean iria lhe tocar os seios, arrancando-lhe as vestes no af de toc-la com mais intimidade. E ela o desejava tambm. Intensamente.
         Leves tremores de antecipao comeavam a lhe perpassar o corpo. Se passasse a mo pelo corpo dele, poderia sentir-lhe a rigidez, explor-la com os dedos,
atorment-lo at que ele a arrebatasse e...
         - Mame...?
         O som da voz de Oliver do outro lado da porta dos fundos a trouxe violentamente de volta  realidade.
         De imediato, Kate recuou, afastando-se de Sean, enquanto quase ao mesmo tempo ele a soltava. De maneira que, quando a porta se abriu e Ollie entrou na cozinha,
seguido de Carol, estavam distantes um metro, ignorando um ao outro.
         - Ollie quis vir direto para casa ento... - Carol estacou quando viu o visitante, dirigindo em seguido um olhar indeciso a Kate.
         - Obrigada, Carol - Kate se inclinou para receber o peso do corpo robusto de Oliver quando o filho se atirou em seus braos, satisfeita por arranjar uma
desculpa para esconder a face. Erguendo-o, evitou olhar para Sean ou Carol.
         - Bem... ento vou me retirar - ouviu Carol dizer apressada, enquanto se encaminhava para a porta.
         Sean observava Ollie nos braos de Kate com evidente incredulidade. Ela tinha um filho. Era bvio que a criana era dela. Sabia disso. O que significava...
Que outro homem deveria ter...
         Oliver estava se debatendo no colo da me e pedindo para que ela o colocasse no cho. Relutante, Kate obedeceu. No momento em que os ps dele tocaram o
solo, ele se voltou para fitar Sean e ela sentiu como se o corao estivesse sendo arrancado do peito quando ele indagou: - Quem  voc?
         Ollie,  hora de se preparar para ir para cama disse em tom firme e sem voltar o olhar a Sean, acrescentou: - Quero que v embora agora.
         -  Estava falando srio sobre trabalhar para mim, Kathy.
         - No me chame assim!
         Porm, percebeu tarde demais que Oliver estava reagindo ao tom irado de sua voz. O olhar dele se desviou, enquanto ele colocava uma das mos sobre a dela
e fitava o estranho. Mas a angustia de estar assustando Ollie no era nada comparada  raiva que sentiu quando se dirigiu a Sean.
         Est assustando o menino!
         Para sua surpresa e antes que pudesse dar voz  sua dvida, Sean se inclinou e tomou Ollie nos braos.
         Kate esperou que ele se debatesse, como sempre fazia com estranhos, mas para seu desespero, em vez disso, Ollie se recostou no pai, e fitando-o em silncio,
deixou escapar um profundo suspiro.
         Conte uma histria, por favor, moo! - pediu com determinao.
         Kate pensou que seu corao fosse se despedaar. Sean estava segurando o filho nos braos e Oliver estava fitando o pai como se ele fosse um heri. A dor
aguda que sentia beirava o insuportvel. Queria arrebatar Ollie dos braos de Sean e proteg-lo nos seus. Ele no sabia que o pai rejeitara a simples idia de ger-lo!
         - O pai do amigo de Oliver costuma ler histrias para ele quando volta do trabalho - informou ela em tom afetado para explicar o pedido de Ollie.
         Oliver! Ela dera ao filho o nome que ele... Ainda assim, quando fitou Ollie nos olhos, sentiu-se incapaz de se ressentir ou odi-lo.
         - Uma histria? - indagou Sean, sorrindo para Ollie e ignorando Kate.
         Oliver meneou a cabea com entusiasmo.
         - Me... o livro - ordenou, volvendo o olhar a Kate.
         -  Oliver, por favor, utilize frases inteiras - relembrou-o Kate.
         - Mame, busque o livro para que o moo leia, por favor - pediu ele, sorrindo triunfante e fazendo com que Kate se orgulhasse.
         - Sean tem de ir - informou a Ollie, se referindo ao nome do ex-marido sem pensar. - Lerei uma histria para voc mais tarde.
         - No. Sean l para Oliver!
         O beicinho que curvava os lbios de Oliver reforou-lhe a certeza que ele estava cansado e parecia a ponto de fazer um de seus escndalos se fosse contrariado
- a ltima coisa que desejava era que ele o fizesse na frente de Sean. Ele iria, sem dvida, adorar v-la em uma situao embaraosa.
         - Por que no vai buscar o livro?
         A voz calma e macia fez Kate volver a face para fit-lo, surpresa. Oliver estava deitado no ombro de Sean.
         Ainda no est na hora de ele dormir - argumentou Kate.
         E h alguma lei que determine que ele s pode ouvir uma histria quando for dormir?
         Sem dizer nada, Kate meneou a cabea em negativa, por demais abalada por ver Ollie nos braos de Sean para protestar. Assim, retirou-se para buscar o livro
favorito do filho.
         Meia hora mais tarde, Sean tinha Oliver aninhado em seus braos.
         - Pelo visto ele precisa mesmo ir para cama. - Sim, vou lev-lo.
         Num gesto automtico, Kate se moveu para pegar Oliver, mas Sean meneou a cabea.
         - Eu o levo. Diga-me qual o quarto.
         Sem foras para argumentar, Kate obedeceu.
         Enquanto Sean deitava Ollie na pequena cama, sentiu a dor de uma antiga e poderosa emoo que pensava estar seguramente destruda. O filho de Kathy. Sentiu
os olhos se embaarem e piscou com firmeza.
         Quando saiu do quarto, hesitou alguns instantes em frente  porta do aposento contguo e em seguida abriu-a.
         - O que est fazendo? Esse  o meu quarto!
         Ele no ouvira Kate subir a escada e ambos se confrontaram no exguo corredor.
         - E voc dorme a sozinha? - No conseguiu evitar a pergunta que sabia no ter direito de fazer.
         - No! - Kate virou a cabea, para impedir que ele visse a expresso de seu olhar e, consequentemente, no percebeu a dele. - Algumas vezes Oliver vem dormir
comigo durante a noite - explicou.
         No havia razo que validasse o que estava sentindo naquele momento, concluiu Sean.
         - Como consegue conciliar as coisas? Sei que trabalha expediente integral. - Ele franziu o cenho com genuna preocupao e Kate virou as costas, dirigindo-se
 escada. No iria cometer o mesmo erro duas vezes - pensar que ele possua sentimentos.
         - Consigo por que no tenho outra opo. Para o bem de Oliver. Sou tudo que ele possui...
         - Quer dizer que o pai dele a abandonou? - O tom de voz dele era spero e condenatrio. - Ele a deixou?
         Kate mal podia acreditar no tom de censura que identificava na voz de Sean.
         - Sim - concordou em tom calmo quando chegaram ao andar de baixo. - Mas acho que eu e Oliver estamos melhor sem ele.
         Caminhou determinada at a porta da frente e a destrancou, escancarando-a num convite explcito para que ele se retirasse.
         - Quero-a de volta  sua mesa de trabalho amanh pela manh - declarou Sean, autoritrio.
         - Bem, temo que no poderei estar l - ela retrucou no mesmo tom.
         - Estou lhe avisando, Kate... - comeou Sean. - Amanh  sbado - ela lembrou. - No trabalhamos nos finais de semana.
         Houve uma pequena e significativa pausa, durante a qual Kate imaginou o que a mulher com quem ele dividia a vida pensava sobre o fato de o marido trabalhar
sete dias na semana.
         - Muito bem, segunda-feira pela manh, ento. Esteja l ou arque com as conseqncias. - Em seguida, passou por ela e disparou pela porta.
CAPTULO TRS
         - No! - irritada, Kate se ergueu, sentando-se na cama. Eram trs horas da manh de segunda-feira. Precisava dormir e no ficar deitada pensando em Sean.
Recordando como se sentira quando...
         - No! - protestou outra vez, rolando angustiada para o lado e enterrando a cabea no travesseiro, sem, contudo, conseguir apagar as lembranas e os sentimentos
que desejava ignorar.
         Bem, se no os podia esquecer, deveria utiliz-los ao menos para se lembrar como aquele homem a ferira e no deixar que ele o fizesse outra vez. Na sexta-feira,
quando ele a beijara quase o perdoara...
         Podia sentir o tremor agudo de desejo perpassar-lhe o corpo que reconhecera Sean como seu amante. Mas seu corao tambm era dotado de excelente memria
e o que recordava era a dor que ele lhe causara.
         Porm, o amor entre eles fora to., maravilhoso. Sean era um amante apaixonado e excitante que lhe ensinara a conhecer o prprio corpo, tanto quanto o dele.
A capacidade mtua de dar prazer um ao outro transcendia tudo que Kate julgara capaz de existir.
         E como esquecer a primeira vez que fizeram amor?
         Aps deixar a casa dos tios - afinal, nunca pensara nela como seu lar, - mudara-se para o pequeno apartamento de Sean, mas ele lhe dissera que no fariam
amor antes de estarem casados. Durante semanas e meses, quando a cortejava, recusava-se a levar as cadeias apaixonadas e intensas  consumao pela qual kate ansiava,
alegando que se o fizesse ela poderia engravidar.
         No quero que meu filho nasa um bastardo como eu - dizia ele, inflexvel.
         No incio se mostrara relutante em conversar com ela sobre a infncia que tivera, mas aos poucos Kate conseguiu persuadi-lo a revelar as lembranas dolorosas
e ambos dividiram o sonho de prover uma infncia amorosa e idlica aos filhos que viessem a ter.
         Poderamos usar proteo - argumentara ela, ruborizada.
         Sim, mas no o faremos. Quando a possuir quero que seja pele contra pele e no com um pedao de borracha entre ns - retrucara Sean, com a voz rouca de
desejo.
         Casaram-se em uma pequena cidade do interior, onde a me de Kate, h muito falecida, nascera. Um gesto romntico de Sean. E para se unirem l, tiveram que
permanecer na cidade por trs semanas antes do enlace.
         Tempo que pareceu uma eternidade para eles, que se desejavam desesperadamente. Mas Sean fazia questo de esperar.
         Passaram a lua-de-mel completamente sozinhos na casa que haviam alugado. E fora to perfeito que, a simples lembrana daquela noite, fazia-lhe os olhos
se encherem de lgrimas. Mame.
         A voz de Ollie interrompeu-lhe os pensamentos ntimos. Kate saiu da cama de imediato e correu ao quarto do filho.
         - O que foi, querido? - perguntou em tom amoroso.
         - Minha barriga est doendo.
         Oliver era propenso a clicas. Aps verificar se ele estava bem, sentou-se com ele no colo e o acariciou, e ficou tensa com a pergunta inesperada.
         - Quando Sean vir nos visitar de novo? Aquela era a primeira vez que Oliver mencionava
         Sean. J havia se convencido de que ele esquecera por completo o pai.
         - No sei. - Foi tudo que conseguiu dizer. No foi capaz de lhe contar que provavelmente nunca mais o veria. Sempre tentara responder s perguntas de Ollie
com honestidade, mas o brilho de antecipao nos olhos dele a impediu.
         Quando Oliver voltou a dormir, ela estava completamente acordada e o corao batia desconfortvel.
         Seria possvel que Ollie tivesse pressentido que Sean era seu pai? Agira de maneira to incomum em relao a ele por que sentira algum tipo de ligao entre
os dois?
         Apreensiva, Kate colocou o carro na vaga e atravessou o estacionamento. A ltima pessoa que desejava ver era Sean. Detestava saber que iria ter de trabalhar
para ele, mas como Carol lhe alertara quando lhe contara o que havia acontecido, no podia arcar com as conseqncias.
         Mordiscou, ansiosa, o lbio inferior enquanto se apressava em direo ao escritrio. Oliver lhe garantira que a barriga no mais doa quando acordara naquela
manh, mas deixara a professora da creche avisada que ele no passara bem durante a noite.
         Kate! - Laura exibiu um amplo sorriso, ao encontr-la. - Mudou de idia e decidiu ficar!
         Pode-se dizer que sim. Nosso novo chefe fez-me uma oferta irrecusvel - redargiu Kate em tom casual para em seguida perceber o que havia feito, quando
viu o brilho no olhar da colega de trabalho.
         Verdade? - suspirou Laura, invejosa. - No acha que ele  o homem mais deslumbrante e sexy que j viu?
         - No - retrucou, tentando ignorar o salto que seu corao dera dentro do peito.
         Bem, se  verdade,  a nica mulher desta empresa a pensar dessa forma. E quando se considera que ele  solteiro e sem compromisso... Agora o corao de
Kate fazia acrobacias.
         - Quem disse isso? - perguntou, desafiadora.
         - John - informou a colega, presunosa. - Ao que parece o prprio Sean lhe contou.
         Kate imaginou o que Laura diria se lhe dissesse que, ao contrrio do que Sean contara a John, ele possua um compromisso substancial na forma de seu filho,
Oliver.
         Sean franzia o cenho quando concluiu a conversa ao telefone com seu contador. Mas no eram seus negcios que estavam lhe causando problemas. Sentia-se como
em uma gangorra emocional. Algo inapropriado para um homem de sua idade. Ainda mais para quem se considerava  prova de fogo no que concernia s suas emoes e ao
autocontrole.
         Quando terminara seu casamento com Kate, fechara-se por completo a tudo que a envolvesse. Deliberada e cinicamente expurgara tudo sobre ela de sua vida.
Mas, e de seu corao?
         Nada mudara, lembrou a si mesmo, exasperado. As mesmas razes pelas quais se divorciara ainda existiam no presente e sempre permaneceriam. Sabia que nunca
poderia mud-las. Tampouco esquec-las!
         Afastando a cadeira desajeitadamente, ergueu-se e caminhou em direo  janela do escritrio.
         Seria realmente verdade? E se fosse o que estivera fazendo durante aquele final de semana? Nunca passara os dias lendo histrias infantis. E por certo no
costumava perder tempo fazendo coisas tolas como comprar caros e ridculos conjuntos de trens.
         Sean fechou os olhos e colocou as mos nos bolsos, cerrando os punhos, tenso.
         Certo, no fora deliberadamente ao setor de brinquedos quando chegou  loja de departamentos para comprar alguns itens para sua casa. Fora mera coincidncia
o fato de um setor de brinquedos ser ao lado do de utilidades domsticas onde fora procurar o aparelho de televiso. No precisava se submeter a uma auto-analise
apenas porque comprara um conjunto de trens.
         Fizera-o apenas por causa da insistncia do vendedor ao julgar equivocadamente que ele estava interessado no brinquedo.
         Afinal, na primeira oportunidade se desfizera dele.
         Um brilho divertido iluminou os olhos azuis, quando recordou a expresso do menino desconhecido quando lhe entregou o presente que havia comprado. A me
se mostrara desconfiada no incio, mas mediante a insistncia de Sean, concordara em que o filho aceitasse. Temera que ela interpretasse mal seu gesto. Afinal, sequer
podiam imaginar os motivos que o levaram a comprar o brinquedo. Recordar o passado e comprar presentes para criana, apenas por que... Por qu? Apenas pelo fato
de o aconchego do filho de Kate em seus braos ter suscitado lembranas de um tempo em sua vida no qual...
         O qual era passado, tentou relembrar a si mesmo. Porm, a verdade implacvel continuava a confront-lo, apesar de tentar ignor-la.
         Pretende ir  taverna para almoar? Kate meneou a cabea em negativa, sem desviar o olhar da tela do computador.
         No posso, estou preocupada - respondeu. Quero terminar isto e de qualquer modo, j comprei sanduches.
         Almoar na taverna com os colegas de trabalho seria divertido e relaxante, mas como me solteira, Kate tinha de controlar o oramento.
         Depois que Laura partiu, ela se ergueu e pegou os sanduches. A empresa oferecia uma pequena sala de descanso, equipada com uma chaleira, cafeteira e forno
de microondas para os funcionrios utilizarem nas horas de almoo e parada para o caf. Havia alcanado o fim do corredor e comeara a descer a estreita escada quando
Sean saiu de um dos escritrios do andar de baixo e se apressou em sua direo.
         Para o desnimo de Kate, sua reao foi intensa e imediata. Uma relquia dos dias que formavam um casal. Tanto, que j tinha dado o primeiro passo dos poucos
que restavam para que atravessasse o caminho de Sean sem nem mesmo sentir.
         Ao perceber o que estava fazendo, congelou com a face rubra de humilhao quando uma lembrana vivida lhe acorreu  mente. A recordao de Sean subindo
apressado a escada da pequena casa onde moravam para tom-la nos braos, rodopi-la e em seguida deixar que ela escorregasse pela extenso de seu corpo, beijando-a
com luxria.
         Mais tarde celebraram a novidade que ele lhe trouxera - que Sean fechara um novo e lucrativo contrato - na cama, com o champanhe que ele levara para casa.
         Rubra de vergonha, Kate afastou as lembranas para o fundo da mente.
         - Kathy! - ele a chamou, austero, ao perceber a expresso de choque em seu rosto. - Que diabos...? O que h de errado?
         Sobressaltada, Kate tentou desviar, mas Sean fechou os dedos em torno de seu brao.
         No sou mais Kathy - ela lembrou em tom caustico. - Sou Kate! E quanto ao que h de errado... Precisa mesmo perguntar?
         Talvez fosse Kate agora, mas Kathy ainda estava viva dentro dela, obrigou-se a concordar. Afinal, em contradio s palavras speras, a reao de seu corpo
ao toque de Sean foi imediata. Seria por que ningum mais o fizera desde que se separara o motivo do tremor ante ao intenso e voluptuoso prazer? Ou por que era ele
que a estava tocando? Seria pelo fato de que quando Sean a beijara suscitara lembranas que fisicamente no podia ignorar?
         Estaria seu corpo respondendo a um desejo antigo ou atual? Sabia a resposta que queria para a pergunta, mas de alguma forma no pde se furtar em se aproximar
dele, deixando escapar um hesitante suspiro de prazer. Ambos se fitavam diretamente nos olhos. A intensidade eletrizante dos olhos azuis a estontearam.
         Podia sentir o polegar firme acariciando-lhe a curva do cotovelo, onde ele sabia que Kate era vulnervel ao seu toque - a tal ponto que quando Sean a beijava
naquele local, todo seu corpo parecia se derreter de tremer.
         Seria to fcil e natural atirar-se nos braos de Sean naquele momento e senti-los protetores em volta dela...
         O barulho de uma porta se abrindo a trouxe de volta a realidade. Em um rompante, Kate deu um passo atrs, afastando-se dele, com a face ardendo.
         H alguns anos no precisaria esconder o que sentia por ele - seu amante, marido e melhor amigo, - tampouco seu desejo explcito quando ele a tocava. Mas
as coisas haviam mudado, relembrou Kate a si mesma, enquanto desvencilhava o brao.
         - O que  isso? - indagou Sean, volvendo o olhar  caixa que ela carregava.
         - Meu almoo.
         - Nessa caixa? - Ele a fitou com olhar debochado. - Pensei que para o bem de seu filho, deveria saber que tem de se alimentar de maneira adequada.
         Enquanto escutava as palavras crticas, a resposta apaixonada de minutos atrs foi substituda por raiva e ultraje.
         - Para sua informao - no que tenha direito a questionar nada que eu faa, -  justamente por causa de Ollie que vou almoar isto - declarou ela. - Custa
caro criar um filho. No que se importe, j que optou por no se aborrecer com crianas - acrescentou com sarcasmo. - Sanduches so bem mais baratos que um almoo
na taverna. O que foi? - indagou ante o olhar fixo de Sean. - Ou devo adivinhar? Pode passar por um patro zeloso e atencioso para todo mundo, mas eu o conheo.
E sei tambm que atualmente pode almoar no restaurante mais caro do mundo, mas houve um tempo em que at mesmo um sanduche era um luxo para voc.
         Quando percebeu a expresso do rosto dele se contrair de raiva, imaginou se no fora longe demais, mas no retrocederia e esperava que o queixo que mantinha
erguido o assegurasse daquilo.
         Imagino que seu filho tenha um pai - comeou Sean em tom frio. - Por que ele no est contribuindo com o sustento dele?
         Kate deteve-se a fit-lo em silncio, consciente da dor que ele estava lhe causando.
         O pai de Oliver no est contribuindo para seu sustento porque no o deseja.
         Incapaz de prosseguir sem que seu frgil autocontrole fosse destrudo, passou apressada por ele e desceu a escada.
         Sean observou-a afastar-se. Almoos minguados, um corpo magro e a preocupao estampada no olhar. Mesmo que ela no quisesse admitir, a vida que levava
estava h anos luz dos luxos com os quais ele a podia cercar.
         lembraria dele enquanto se relacionava com o homem que lhe fizera um filho?
         Determinado, Sean empurrou tais pensamentos para o fundo da mente, ciente de que eram no s inapropriados, mas perigosos.
         Durante toda a hora do almoo e nas duas que se seguiram, Kate no conseguiu se concentrar em nada alm de Sean. O corao batia em um compasso acelerado
e os msculos estavam doloridos pela tenso que ela lhes impunha. E a situao tendia a piorar.
         Apenas a certeza de que tinha de proteger a vida que se formava dentro dela a mantivera viva nos meses que se seguiram ao trmino do casamento. Teria de
fazer tudo pelo bem-estar de Oliver j que seria o nico parente dele.
         Descobrira que estava grvida dois meses depois que Sean anunciou que queria o divrcio e se separou dela. Desmaiara em uma loja, exaurida pela tristeza
que a envolvia.
         At quele momento, no se importava em viver ou morrer. Ou melhor, se tivessem lhe dado escolha teria optado pela morte. No imaginava a vida sem Sean,
cujas palavras empedernidas - ir me esquecer e encontrar algum com quem poder ter os malditos bebs que tanto quer - despedaaram-lhe o corao. O nico homem
com o qual queria ter filhos era ele. Mas Sean no mais a amava. A casa que haviam dividido estava vazia e Kate vivia, ou melhor, subsistia, em uma residncia alugada,
determinada a no aceitar dinheiro algum dele. E ento descobriu que estava grvida de um filho de Sean. A criana que ele lhe dissera no desejar!
         Foi ento que decidiu no revelar a Sean que estava grvida. No iria querer impingir a rejeio a seu filho. Ele a rejeitara e a dor quase a destrura.
No iria infligir o mesmo destino a Oliver.
         Prometera a si mesma que iria encontrar uma forma de parar de amar Sean, mas temia desesperadamente que tivesse se enganado. Uma dor com uma mescla de desejo
desamparado tomava vulto em seu ntimo. A despeito da ameaa dele, tinha de conseguir um jeito de sair daquela empresa... Imediatamente!
         Agitada, Kate correu em direo  porta do escritrio, escancarou-a e rumou  sala que um dia pertencera a John e que estava sendo ocupada por Sean.
         No havia ningum na ante-sala, e muito nervosa para formalidades, adentrou o escritrio para olhar em volta desanimada quando o encontrou vazio.
         Ao menos achou estar vazio. A porta que dava para a sala privada, que continha um vestirio e itens de banho se encontrava parcialmente aberta e Kate podia
sentir algum se movimentando l. S podia ser Sean.
         Inspirando profundamente, caminhou em direo ao pequeno vestirio e estacou hesitante com a mo no batente da porta. Uma parte dela no estava preparada
para um novo confronto, porm outra queria terminar de vez com aquilo.
         Pigarreou, tomou flego e chamou:
         Sean, est a? H algo que quero conversar com voc...
         No vazio do silncio que se seguiu, Kate comeou a perder a coragem. Talvez ele no estivesse ali...
         Comeou a girar o corpo para sair da sala, quando a porta se abriu e Sean apareceu desnudo, com exceo da gua que lhe cobria a pele e a toalha que mantinha
enrolada nos quadris.
         Por alguns segundos Kate no conseguiu se mover, sair ou fazer qualquer coisa alm de fit-lo com o rosto queimando e os olhos arregalados.
         Oh, voc estava tomando banho! - Seria aquela sua voz? Um sussurro fraco e quase apavorado?
         - Estava - retrucou ele em tom seco, enfatizando o pretrito imperfeito.
         Enquanto lutava contra a sensao dolorosa que tomava conta de seu corpo, Kate se focou na raiva como nica defesa, dizendo a si mesma que ele poderia ter
feito mais para cobrir a nudez do que apenas utilizar uma pequena toalha em torno dos quadris.
         Procurando evitar a repentina vontade de lhe admirar o fsico - e quase perdendo, - ouviu o tom lacnico de Sean.
         -  melhor entrar e fechar a porta.
         O qu? Estava prestes a protestar, transtornada, quando ele voltou a falar.
         - A no ser que queira arriscar que algum entre aqui e surpreenda-nos dessa forma.
         Kate sabia que havia mil argumentos para confrontar as palavras de Sean, mas antes que pudesse responder, ele esticou a mo e fechou a porta do escritrio.
E a trancou.
         - Por que... trancou a porta? - indagou ela, envergonhada pelo tom trmulo da prpria voz.
         - Porque no quero ningum entrando aqui - redargiu em tom seco. - Por que motivo acha que fiz? Estava se recordando...
         - No estava recordando nada - interrompeu Kate em pnico. - Queria apenas...
         Sean se afastara dela e inadvertidamente Kate observou. O olhar vagando impotente pelo corpo desnudo dele.
         Sean era um homem adulto quando se conhecera e ela sentira-se eletrizada a primeira vez que o vira assim.
         Na poca, achara que era impossvel haver corpo mais perfeito - desde a solidez macia do pescoo  largura imponente dos ombros, dos braos que a apertavam
junto a ele s mos que a levavam a lugares nunca antes explorados, do peito to magnificamente liso, do abdome definido e musculoso que possua uma linha de plos,
emprestando-lhe uma aparncia masculina e sexy.
         Mas ela estava errada! Ou o tempo se encarregara de faz-la esquecer a sensualidade que dele emanava para lhe atenuar a dor?
         Um frio ao mesmo tempo familiar e desconcertante comeou a emergir de seu estmago, sobrepujando o poder de Kate em contrair o corpo para evit-lo. E uma
onda de desejo que lhe despedaava os sentimentos e o autocontrole crescia com ele.
         Logo acima do local onde a toalha estava amarrada podia divisar a pequena cicatriz esbranquiada da qual se lembrava to vividamente. O ferimento resultara
de um acidente que Sean tivera quando comeara a trabalhar como operrio aos 15 anos. Quando ele lhe contara como sofrera calado a dor para no ser ridicularizado
pelos outros operrios e ainda perdera o dia de trabalho, Kate chorou e pressionou os lbios contra a cicatriz, enquanto ele enterrava as mos em seus cabelos.
         E ento Sean a...
         Quando percebeu o caminho que seus pensamentos estavam tomando e que no eram apenas as lembranas do passado que a estavam excitando, mas um desejo cego
de experimentar tudo outra vez no presente, Kate ficou em pnico. Tinha de sair dali e naquele momento!
         Com um movimento rpido se dirigiu  porta.
         - Kate!
         Tomado de surpresa pelo movimento gil de Kate, Sean esticou o brao para impedi-la. O pulso que ele segurava lhe pareceu mais frgil do que no passado.
Irritava-o o fato de ela dar to pouca importncia ao prprio bem-estar. E mais ainda o fato de que o homem que a engravidara a ferira e abandonara. O simples pensamento
de algum a magoando o fazia ansiar por abra-la e proteg-la.
         Antes que pudesse evitar, Sean a tomou nos braos, ignorando-lhe os protestos para que a largasse e enterrou ambas as mos nos cabelos macios, trazendo
 vida de maneira inconsciente uma parte das lembranas sensuais de Kate.
         - Fico feliz que no tenha cortado os cabelos. As palavras roucas e sussurradas paralisaram Kate.
         Podia sentir o calor das mos fortes contra a prpria nuca. E recostado ao seu corpo o calor que dele emanava.
         Subjugada pelos prprios sentimentos, Kate deixou escapar um som entre um gemido e um suspiro. Como se esperasse apenas por aquele sinal, Sean tomou-lhe
os lbios, possuindo-os com o desejo e a nsia que o corpo dela de pronto reconheceu.
         E ento no havia passado ou dor. Apenas o presente, aquele lugar... E Sean.
         Uma das mos dele acariciava-lhe a pele da face, escorregando pelo pescoo delgado e traando a linha pela clavcula.
         Tomada de desejo, Kate pressionou o corpo contra o dele, os dedos delicados procurando pela barreira indesejada entre eles, num gesto automtico, antes
de livr-lo da toalha. As aes dela refletiam a mulher que um dia fora e no a que era no presente. Que pressentia direito  total intimidade do corpo de Sean,
a sent-lo, a acarici-lo onde e quando quisesse. Assim como ele tivera o direito de explorar o dela.
         Embora Kate tentasse lembrar a si mesma que ambos no usufruam mais de tais direitos, seus sentidos se recusavam a escutar, to embotados se encontram
pelo prazer.
         Sean gemeu ao sentir o toque vido de Kate sobre sua pele desnuda. Fazia tanto tempo! Demasiado para seu autocontrole, concluiu ele, quando os lbios encontraram
a depresso na base do pescoo macio, e escutou um gemido de desejo.
         Incapaz de impedir a si mesmo, Sean permitiu que as prprias mos despissem as camadas de roupa que o separavam do corpo clido de Kate.
         Seria Sean que estava tremendo ao lhe envolver os seios com as mos ou o tremor advinha dela? Kate imaginou, com a mente embotada de desejo. Podia sentir
o imediato intumescimento dos prprios mamilos e sabia que ele podia perceber tambm. Quando ele os tomou entre o polegar e o indicador, a ferocidade da onda de
prazer que a sacudiu, f-la pressionar os quadris contra os de Sean.
         - Sabe o que acontece quando faz isso, no? - Como resposta, Kate lhe tomou a mo e a deslizou pelo prprio corpo. - Quero que faa isto tambm - sussurrou
ele, e Kate no resistiu quando Sean guiou-lhe a mo  pele quente da prpria ereo.
         Kate no tocara nenhum homem durante todo o tempo em que estiveram separados. Tampouco desejara faz-lo. Ainda assim, os dedos delicados se moveram instintivamente
ao longo da rigidez masculina, acariciando-o.
         - Kate... Kate.
         O tom angustiado e atormentado do prprio nome apenas lhe aumentou a excitao, enquanto a mo fina executava movimentos de vaivm ao longo da masculinidade
rgida. A avidez que explodia em seu ntimo se espelhava no ritmo das carcias que os dedos executavam.
         Aquilo era como estar no cu - e no inferno. Era tudo que sempre desejara e nunca pudera ter, reconheceu Sean, enquanto se submetia impotente ao poder que
Kate exercia sobre ele. Porm, era um autntico exemplo de "macho" alfa, e no permitiria que ela comandasse por muito tempo. Cego de desejo tomou-a nos braos e
comeou a beij-la profunda e possessivamente.
         Ela o desejava mais que tudo. Ansiando por mais, colou-se ao corpo dele, esperando... E ento ambos ficaram tensos ao toque do telefone.
         Mortificada com o que fizera, Kate se vestiu e desapareceu, alheia s ordens de Sean para que permanecesse onde estava.
CAPITULO QUATRO
         -E agora esse tipo de vrus desprezvel nos rondando... - Kate pressionou a tmpora com uma das mos, tentado abrandar a dor latejante na cabea e se concentrar
no que Carol estava dizendo. -  um vrus violento! - continuou a amiga. - Fico imaginando se deveria manter George longe da creche por enquanto.
         Atravs da dor latejante, Kate tentou no invejar a situao da amiga por poder se dar ao luxo de tomar tal deciso. Sem a creche no podia trabalhar e
sem trabalhar como ela e Oliver sobreviveriam?
         Aps a partida de Carol, voltou um olhar preocupado ao filho. Embora estivesse brincando feliz com George, parecia mais quieto do que o normal.
         - Ainda est com dor na sua barriga, querido? - indagou ansiosa, mas Ollie permaneceu em silncio.
         - Sean voltar a nos visitar? - questionou ele. Kate sentiu um aperto na garganta e uma pontada aguda no corao como nunca experimentara. Desejava tom-lo
nos braos e proteg-lo de tudo que o magoasse. Mas no adiantaria esconder a verdade de si mesma por mais tempo. Naquela tarde, enquanto Sean a fazia cativa em
seus braos, descobrira que ainda o amava.
         E fora aquela certeza que a fizera fugir dele. Sean no a amava mais. Deixara aquilo bem claro h cinco unos.
         No, Oliver. Ele no voltar - afirmou ela em tom suave.
         Mas eu quero que ele volte - retrucou Oliver fazendo beicinho.
         Kate podia sentir o autocontrole ser esmagado pela dor. Quando acariciou os cabelos de Ollie, ele lhe voltou um olhar acusatrio e fez a pergunta que ela
mais temia.
         Por que no tenho um pai como George? Um misto de angstia e desespero se mesclou em seu ntimo. Como poderia dizer a Oliver que ele possua um, mas que
ele no o desejava? Era muito novo para compreender a verdade.
         Nem todos os pais e mes vivem juntos como os de George - explicou Kate em tom gentil, observando-o digerir as palavras em silncio. E onde meu pai mora?
O latejar na cabea por certo era o motivo da nusea que sentia, pensou Kate. Mas a certeza de que um dia Oliver no mais poderia ser enganado era como uma pedra
esmagando-lhe o corao.
         E est na hora de ir para a cama. Que histria gostaria que eu lesse esta noite?
         Por um instante pensou que Oliver fosse se recusar a ser enganado, mas ele no o fez.
         Sean observou a vista que se descortinava da janela da suntuosa cobertura que estava alugando enquanto avaliava o futuro de sua nova aquisio. Nas raras
ocasies em que se permitira pensar em Kate desde o divrcio, a imaginara vivendo na paz do campo, com um marido abastado e com a casa cheia de crianas como sempre
quisera. Porm, a realidade do cotidiano dela o chocou. Sim, ela tinha realizado o desejo da maternidade... mas onde estaria o homem que deveria estar a seu lado,
amparando-a?
         No esquecera a vida que levava antes de enriquecer e sabia a luta que Kate estava travando.
         Por que diabos ela no reclamara uma penso ao bastardo? Em sua opinio, todos os pais tinham por obrigao contribuir financeiramente na criao do filho.
Pensou na prpria infncia. Sabia por experincia como a vida de uma criana era difcil quando crescia na pobreza. Aquele no era o caso de Oliver, mas era bvio
que a me tinha que lutar com todas as foras para sustent-lo.
         Aborrecido, Sean passou as mos pelos cabelos. Quando conhecera Kate - ou Kathy como se chamava na poca, - era um rapaz tosco e anti-social e bastante
mal humorado. Ela no s lhe dera amor como o ajudara e encorajara de todas as formas possveis, e fora por causa da f que ela depositara nele que conseguira chegar
onde estava.
         Se ao menos pudesse incutir aquela dvida na mente de Kate.
         Afastou-se da janela. A cobertura parecia ter sado das pginas de uma revista cara e no era apropriada para uma criana. No como a casa paroquial que
um dia prometera a Kate.
         Fechou os olhos, deixando escapar um profundo suspiro. Teria ela amado o homem que lhe dera um filho? E quem era ele afinal?
         A chave do carro se encontrava na bancada imaculadamente limpa da cozinha. Levaria menos de meia hora para chegar ao chal de Kate.
         Havia tomado sua deciso. Insistiria para que ela revelasse o nome do pai de Oliver e em seguida providenciaria para que ele arcasse com as devidas responsabilidades
para com Kate e Oliver.
         Mal Oliver havia pegado no sono, a dor na cabea de Kate finalmente abrandara. A roupa que pendurara naquela manh, antes de ir para o trabalho, estava
seca, e exalando o aroma de roupa limpa pela cozinha.
         Gostava de realizar aquelas tarefas  noite, enquanto o filho dormia para que tivessem o tempo livre para o ritual do final de semana: irem  pequena loja
da aldeia conversar e comprar jornais.
         Kate estava determinada a fazer tudo que pudesse para proporcionar a Oliver o senso de vida em comunidade, ainda que no fosse capaz de lhe propiciar o
convvio com um pai.
         Uma sombra assomou  janela da cozinha, forando-a a desviar o olhar do ferro de passar. Kate congelou ao perceber a presena de Sean.
         Um leve tremor perpassou-lhe o corpo, fazendo os plos da nuca se eriarem, enquanto lutava contra o medo de que os prprios pensamentos haviam feito Sean
se materializar  sua frente.
         No deveria pensar daquela forma, repreendeu-se com firmeza, enquanto retirava a tomada do ferro da parede e, apressada, dirigia-se  porta antes que ele
pudesse bater. No queria que Oliver acordasse.
         Para que ele teria vindo? Para lhe dizer que havia mudado de idia e que a liberava do aviso prvio? De uma forma irracional, o pensamento, em vez de lhe
causar prazer, trouxe-lhe ainda mais dor. Dor de imaginar que sua reao no escritrio o fizera concluir que ela ainda o amava.
         Independentemente do que Sean fizera, no era o tipo de homem que se regozijaria em saber que uma mulher o amava quando no a correspondia.
         Enquanto ele entrava na cozinha, Kate teve tempo de refletir o quo irnico era o fato de no momento ela temer ser demitida quando j havia apresentado
sua carta de demisso.
         - O que est fazendo aqui? O que quer? - indagou Kate, embora ciente de que seu desejo era que ele a arrebatasse em seus braos e...
         A familiar e traioeira fraqueza se espalhava por suas veias, perfazendo um trajeto perigoso at o corao. Sean estava muito prximo - o suficiente para
perceber que ele havia se barbeado, e possua pequenos cortes no pescoo.
         Uma cena do passado lhe assomou  mente. Ela estava parada em frente a Sean na rua em que ele trabalhava. Sean a provocava e Kate tentava fazer o mesmo
com ele, comentando inocentemente sobre o rosto no barbeado dele, que lhe lanara um sorriso malicioso e alegara preferir se barbear antes de ir para cama para
no lhe arranhar a pele, enquanto Kate corava.
         Um sentimento de desolao e perda a envolveu.
         - Quem  o pai de Oliver?
         A intensidade com que ele a fitava lhe fez o corao dar um salto.
         Como?
         Sentindo-se fraca, ela se agarrou  beirada da mesa da cozinha, enquanto lutava contra o choque e imaginava como diabos poderia responder quela pergunta,
e ento concluiu que s havia uma maneira: dizer-lhe a verdade.
         Antes que perdesse a coragem ou mudasse de idia, inspirou profundamente e o fitou.
         - Voc.
         No silncio que se seguiu, o rosto de Sean perdeu a cor e em seguida se fechou com a sombra escura que se espalhou pela pele.
         - No - negou, veemente.
         A negativa ricocheteou pelas paredes da cozinha e a atingiu como um projtil. As esperanas de Kate desvaneceram ante ao ataque fulminante.
         - No! - repetia Sean de maneira selvagem, mexendo a cabea em negativa. - No! Est mentindo para mim. Sei que a feri quando terminei nosso casamento e
posso entender porque se envolveu com outra pessoa, mas  impossvel aceitar que sou pai de Oliver.
         Outra pessoa? Kate podia sentir o sabor acre da prpria raiva, enquanto ouvia Sean renegar o prprio filho. O que estivera esperando?
         Quisera que ele a tomasse nos braos e lhe dissesse que cometera um erro, que ainda a amava. E a amava mais ainda por ela ter lhe dado um filho.
         -  Sim, voc me feriu daquela vez - concordou Kate em tom calmo. - Mas acredite-me que crueldade no  nada comparada ao que fez agora. Pode me ferir o
quanto quiser, mas nunca permitirei que faa o mesmo com Oliver.
         Enquanto se forava a fit-lo, a prpria dor foi suplantada pelo sentimento de proteo maternal. Por Oliver sacrificaria tudo, at mesmo a si. No podia
negar o fato de amar Sean, mas pelo bem de Ollie controlaria e baniria aquele amor de dentro dela.
         A reao de Sean  revelao da paternidade, apenas ratificava sua deciso inicial de no lhe contar que havia concebido um filho dele. Porm, ao mesmo
tempo, rasgava-lhe o corao at que ela quase no pudesse suportar a dor.
         Mas era a raiva que sentia e o interesse no bem-estar do filho que brilhava nos olhos topzio naquele instante e lhe motivava o tom mordaz da voz.
         -  Muito bem. Rejeite Oliver como fez comigo. Mas isso no alterar o fato de ele ser seu filho.
         Testemunhar os esforos de Sean para tentar se controlar a fez sentir uma quase satisfao. Com a face lvida outra vez, ele a encarou.
         - Ele no pode ser meu filho - insistiu Sean em tom spero.
         - No pode? Por que no? Por que estava dormindo com a mulher pela qual me abandonou quando ele foi concebido? A propsito, o que aconteceu com ela? Enjoou-se
da mulher como fez comigo?
         - Muito irritada para aguardar a resposta, continuou: - Pode negar o quanto quiser, mas isso no alterar a verdade. Ele  seu filho. - Meneou a cabea
com violncia. - Acha que eu desejaria que fosse? - indagou de modo agressivo quando ele no respondeu. - Acha que eu no queria que ele tivesse sido concebido com
amor, por um homem que me amasse? Algum que quisesse dividir a vida conosco? No pode imaginar como eu desejava tudo isso. Para Oliver e para mim. Mas ao contrrio
de voc, encarei a realidade.
         Kate tremia da cabea aos ps e estava  beira das lgrimas.
         Por um minuto o rompante dela o impediu de pensar em qualquer resposta. E no minuto seguinte, pensou que gostaria de ser capaz de acreditar nela. Kate estava
fazendo um belo trabalho para crer no que dizia, reconheceu com cinismo. Mas todo o cinismo do mundo no podia mascarar a imediata resposta de Sean ao descontrole
emocional de Kate. Dor, raiva e um desejo inacreditvel rasgavam-lhe o ntimo em iguais propores.
         O que ocorrera ao autocontrole do qual se orgulhava'? E  honestidade que sempre fora a maior caracterstica da personalidade de Kate? Obviamente mais uma
coisa para lamentar junto com suas outras perdas. Levou algum tempo para conseguir conter o impulso de tom-la nos braos, mas por fim conseguiu.
         Est gastando seu latim  toa. Isso no faz sentido. Oliver no  meu filho. - Hesitou, afastando-se deliberadamente de Kate para que ela no lhe percebesse
a expresso. - Nada do que voc disser ir me fazer reconhec-lo como tal.
         - Ela o fitou. A face queimando de indignao, os lbios comprimidos, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sean a interrompeu. - Pelo amor de Deus,
Kate! No torne isso pior do que . Posso entender que tenha se entregado a outro depois que nosso casamento acabou. Sou capaz de compreender que fizesse isso por
revanchismo e que eu mereceria esse tipo de reao, mas no posso aceitar que tenha dormido com outro homem enquanto ainda estvamos casados.
         - Quer dizer como voc fez? - rebateu Kate, mordaz. - O que aconteceu com ela?
         - No est mais em minha vida. Foi apenas um caso sem importncia.
         A voz de Sean soou mais irritada do que preocupada e adicionou mais combustvel  ira de Kate.
         - Uma mulher inteligente! Deve ter percebido que voc a acabaria traindo como fez comigo.
         Sean lhe voltou um olhar amargurado.
         - Quando se trata de traio, voc consegue me superar. Cometeu o maior ato de traio quando tentou imputar-me a paternidade de outro homem!
         A face de Kate se tornou rubra de raiva.
         - Nunca lanaria mo desse tipo de artifcio - gritou, furiosa. - No suporto sequer pensar no que fez, no s a mim, mas, pior ainda, a Oliver! Voc negou
ao seu filho o direito de saber quem  o pai e...
         Irritado, Sean esticou as mos e segurou-lhe o pulso.
         - Oliver no  meu filho!
         As palavras speras ecoaram pela pequena cozinha, fazendo com que Kate tentasse se desvencilhar.
         -  Eu o odeio, Sean - afirmou, descontrolada.
         - No sabe o quanto desejava no t-lo conhecido, o quanto me odeio por permitir que...
         - Permitir o qu? - interrompeu-a Sean, puxando-a at encost-la na parede slida de seu corpo.
         - Que eu a faa sentir isto?
         A boca sensual tomou posse dos lbios de Kate. A presso, curvando-a para trs e a fazendo arquear a espinha. Raiva e orgulho se mesclavam em turbulncia
dentro dela, enquanto trilhas eletrizantes e perigosas de desejo comeavam a lhe correr pelas veias. Podia sentir a volpia tomar o corpo de Sean e, sem conseguir
explicar como aconteceu, viu-se arrebatada em outro beijo apaixonado.
         Como em um tempo quando eles haviam acabado de se conhecer e um beijo lhe fora roubado com a mesma volpia na total escurido da casa de Kate ao retornarem
do primeiro encontro.
         Naquela ocasio, seu corpo explodira de excitao em reconhecimento  paixo predatria. Ela era jovem e inocente, mas totalmente apaixonada por Sean.
         No momento, ela era...
         Kate sentia as lgrimas rolarem pelo rosto ao mesmo tempo em que o corpo, sentidos e emoes refletiam a menina que um dia fora.
         Sentiu um protesto velado escapar-lhe dos lbios. No mesmo instante, o calor e a firmeza dos lbios de Sean a silenciaram. As mos msculas se moveram dos
braos para as costas esguias, no mais a contendo e sim acariciando-a, como se algo no som que ela emitira tivesse se assemelhado a uma splica e no a uma queixa.
         Kate estremeceu quando as mos fortes lhe envolveram a cintura. Os polegares acariciando a estreita curva, antes de escorregarem para baixo e se espalmarem
em suas ndegas, puxando-a ainda mais contra a rigidez da prpria ereo. Num gesto automtico e instantneo, ela ergueu os quadris e murmurou o nome dele.
         Encontrava-se perdida no tempo, espao e para tudo que no fosse os dois. Um som agudo de puro desejo feminino cortou o ar que se encontrava carregado pelos
sussurros e pelas respiraes entrecortadas da paixo mtua.
         E Sean respondeu a ele como se uma porta tivesse se escancarado e o admitido a um reino perdido e encantado.
         Um forte tremor sacudiu o corpo dela quando a mo experiente lhe envolveu um dos seios e comeou a acarici-lo com familiar intimidade, despertando uma
sensao igualmente familiar que se espalhava por todo seu ntimo e se intensificava cada vez mais.
         Incapaz de deter a prpria resposta ao clamor do desejo, Kate arqueou todo o corpo em direo  carcia ousada, gemendo contra os lbios dele, enquanto
os dedos firmes se fechavam em torno dos mamilos rijos e os massageavam.
         Em um curto lampejo de lucidez, Kate percebeu que o simples contato da ereo de Sean contra seu corpo a excitava como a uma adolescente virgem. Em seguida,
Sean deixou escapar um gemido rouco, arrancando-lhe o top e ela observou a tenso alterar-lhe as feies quando a nudez macia de seus seios com os mamilos midos
e trgidos se revelaram. E ento a lucidez lhe pareceu algo remoto, sobrepujado de pronto por sua prpria resposta.
         Lembrar-se-ia Sean de como gostava que ele lhe massageasse os mamilos com a ponta dos dedos? Como aquilo a fazia gritar o nome dele tremendo de excitao?
Recordaria de como a levava ao limite da insanidade quando a tocava de modo lento apenas com os lbios?
         Estremeceu quando sentiu uma das mos de Sean se apossar outra vez de um de seus seios... esperando... ansiando...
         - Kathy...
         O som rouco do prprio nome parecia ter emergido de algum lugar profundo e escondido em Sean, e ela sentiu todo corpo ficar tenso em resposta.
         Kathy! Mas aquele no era mais seu nome. Ela era Kate. E Sean no era o homem que a amara no passado e sim o que a havia trado! O mesmo que se recusava
a aceitar a paternidade do filho. Uma tristeza profunda a engolfou. Como podia estar agindo daquela maneira quando sabia...?
         E ento congelou quando a porta da cozinha se escancarou e viu Oliver parado os observando.
CAPITULO CINCO
         A reao de Sean foi mais rpida do que a dela. E de repente Kate se viu fitando o filho por detrs do corpo protetor dele. Com a face rubra de surpresa
e culpa, ela vestiu o top e se encaminhou em direo a Oliver, mas ele a ignorou, correndo para Sean.
         De imediato Kate tentou impedi-lo, incapaz de lidar com a rejeio que o filho iria sofrer, mas para sua surpresa, Sean passou por ela, erguendo Oliver
quando ele estendeu os braos.
         Segurando Oliver no colo, Sean experimentou uma dor que no se assemelhava a nenhuma que j sentira - nem mesmo quando ouvira que no seria capaz de gerar
filhos ou quando jogara Kate para fora de sua vida.
         A pequena cabea de Oliver se inclinou para trs e dois olhinhos sonolentos o fitaram. Sean sentiu como se algum tivesse enfiando uma faca envenenada com
cime e desespero em suas costelas. Cime por Kate ter se entregado a outro homem e desespero pela situao na qual se encontrava.
         De modo abrupto depositou Oliver nos braos de Kate que o aguardavam e caminhou em direo  porta dos fundos.
         Quando a alcanou, estacou e se voltou. Os olhos azuis enevoados pela dor.
         - Quando ele nasceu?
         Kate apertou os braos em volta do corpo de Oliver que voltara a dormir do jeito que as crianas conseguem fazer, em segundos, e lhe disse a data.
         Aps uma nfima pausa, Sean se manifestou.
         - Ento ele foi concebido duas semanas aps nossa separao?
         O ar na cozinha tornou-se pesado pela combinao das emoes de ambos.
         - Ele nasceu com duas semanas de atraso - respondeu ela  acusao tcita de Sean. - Eles quiseram induzir o parto, mas eu lhes pedi que esperassem. Eu...
Queria dar  luz de parto normal.
         Kate fechou os olhos e virou de costas, tentando afastar a lembrana que esperara at o ltimo momento possvel, agarrando-se  esperana que um milagre
aconteceria e Sean estaria a seu lado quando o filho nascesse.
         Mas aquilo no acontecera e, no final, ningum, alm da equipe do hospital, testemunhou-lhe o parto.
         Despertou do devaneio quando a porta dos fundos se fechou. Sean havia partido. Mas ele j os havia abandonado h muito tempo.
         De alguma forma, aquele pensamento no lhe trouxe conforto algum. A dor que sentia era muito intensa para ser abrandada to facilmente.
         Poderia ter desafiado Sean a deix-la provar que Oliver era filho dele, exigindo um exame de DNA, pensou, encostando o queixo aos cachos macios dos cabelos
de Ollie. Mas aquilo de nada serviria se Sean se negava a ser o pai dele. No iria expor Oliver quele tipo de dor - nem mesmo para provar que ela no o trara com
outro homem!
         A dor continuava a castig-la. To forte quanto no passado. Onde teria ido parar seu orgulho? Por que no a resgatava da prpria vulnerabilidade, relembrando-a
do que Sean fizera no passado? Como Sean se atrevia a fazer acusaes quando fora ele a assumir abertamente a relao com outra mulher?
         Oliver ainda se encontrava adormecido em seus braos, o que significava que podia dar vazo s grossas lgrimas que lhe assomavam aos olhos.
         Sean fez uma careta quando acidentalmente cortou a pele e pousou a lmina de barbear.
         - A culpa  sua - murmurou para o prprio reflexo no espelho, enquanto estancava o sangue. Mas no era ao corte que se referia. Tampouco era seu rosto que
estava vendo - e sim o de Oliver.
         Praguejando, tentou afastar aqueles pensamentos, mas era tarde.
         Vira refletido nos olhos de Kate como ela se sentia ante a sua recusa em aceitar Oliver como filho. Mas no importava o quanto ela persuadira a si mesma
a aceitar aquele fato, Sean sabia que era impossvel.
         Cerrou as plpebras e engoliu em seco ante ao amargo sabor da prpria humilhao.
         Era clinicamente impossvel para ele gerar um filho.
         Ignorava o fato quando se casara com Kate, caso contrrio no teria se unido a ela, sabendo o quanto ela desejava filhos.
         Relembrou a consulta mdica que fora responsvel pelo fim de seu casamento e de sua vida.
         - H algo que tenho a lhe dizer - comeou o mdico. - Um dos testes que fizemos foi o de contagem de espermatozides. Temo que no seja possvel para voc
gerar filhos.
         Nos dias atuais ainda era atormentado por pesadelos sobre aquelas palavras.
         No conseguira acreditar de imediato. Como seria possvel ele no poder gerar filhos? Era um homem saudvel no auge da juventude. Protestara, dizendo que
o mdico devia estar enganado e durante toda a consulta percebera a compaixo humilhante nos olhos dele. O doutor devia ser mais velho que ele uns vinte anos. Um
homem baixo, barrigudo e calvo. Mas de repente, o mdico era o ser viril naquele consultrio, enquanto Sean sentia-se reduzido a um espectro de homem, ao menos de
seu ponto de vista.
         Homens de verdade, que lutavam pela sobrevivncia no mundo em que Sean fora criado, no eram incapazes de gerar filhos.
         Uma cena do passado lhe assomou  mente. O fragmento de um dilogo da me comentando com um amigo sobre um conhecido que tinham em comum. Podia lembrar
o escrnio no riso da me, enquanto se referia ao tal homem.
         -  um pobre coitado em todos os sentidos. Foi incapaz de procriar at agora e no parece que o far. Em minha opinio ele no  um homem de verdade.
         Assim como ele.
         Outra lembrana assomou-lhe  mente.
         - Oh, Sean. Mal posso esperar para termos filhos. - Era a voz de Kate o assombrando e ele praguejou entre dentes. - Odiaria ter um casamento sem filhos
como o de meus tios.
         Ainda podia ver a expresso de repulsa no rosto de Kate.
         - No se preocupe. Darei a voc tantos quantos quiser - garantira, excitado ante ao pensamento de como fariam os filhos.
         E a cada vez que fazia amor com Kate aquele mesmo sentimento estivera presente. A nsia atvica do orgulho masculino ante a certeza de deter o poder de
criar uma nova vida dentro dela.
         Mas aquilo no estava em seu poder, de acordo com as palavras do mdico.
         No fora apenas o presente e o passado de Sean que o mdico destrura, mas a autoconfiana e o orgulho de si mesmo. De um momento para o outro, no era
o homem que sempre pensara ser. Sequer podia se intitular um homem.
         Ter Oliver em seus braos resgatara com intensidade selvagem tudo que nunca poderia ter e, ainda assim, no conseguia odiar o menino. Longe disso, na verdade.
Em vez de rejeitar a criana que outro homem dera  mulher que ele amava, sentia-se cativado por Oliver.
         Se ao menos Kate soubesse o quanto desejava que Oliver fosse seu filho e ela sua esposa!
         Depois de t-lo trado dormindo com outro homem? Um sorriso amargo curvou os lbios de Sean.
         Kate pensara que lhe arremessando de volta a infidelidade que ele afirmara ter estaria lanando mo de uma arma poderosa... Mas aquela fora apenas uma mentira
que ele inventara para apressar o fim do casamento para que Kate pudesse ficar livre.
         E desde que a razo pela qual se empenhara em lhe dar a liberdade fora para que ela encontrasse outro homem com quem pudesse gerar filhos, no havia razo
em se sentir daquela forma pelo que Kate fizera.
         Quem quer que fosse o homem, era um tolo, assim como um canalha, por abandon-la e ao filho.
         - Todos esto surpresos com o fato de o novo patro ficar tanto aqui - confidenciou Laura, enquanto conversava com Kate na tera-feira depois do almoo.
         - Ele tem outras duas empresas. Acha que isso significa que podemos perder o medo de sermos redundantes? - indagou, esperanosa. - Afinal, se no tivesse
inteno de manter a empresa ativa, no perderia tanto tempo aqui, no acha? Kate? - chamou quando no recebeu resposta. - Tem algo que a preocupa?
         - Desculpe... No dormi muito bem ontem  noite - respondeu Kate com sinceridade.
         - Parece mesmo um pouco cansada.
         Cansada! pensou Kate. Sentia-se como se suas emoes tivessem sido estraalhadas e s o que restasse delas fossem ossos modos.
         Por certo a secura nos olhos  que a fazia piscar, e no a vontade de chorar, assegurou Kate a si mesma. Pensar, no fizera outra coisa durante a noite.
         Ainda se sentia chocada, admitiu. E a causa era a descoberta de como permanecia vulnervel a Sean!
         - Oh, no. Veja que horas so! Preciso ir - apressou-se Kate e saiu em disparada pela porta.
         Por trs do choque e da dor jazia uma boa camada de raiva contida. Como Sean se recusava a acreditar que era o pai de Oliver e acus-la de ter dormido com
outro homem?
         Pensar em Oliver a fez voltar-se ansiosa para o celular silencioso. Ele reclamara de clicas outra vez no caf-da-manh, mas para seu alvio no estava
com febre quando lhe mediu a temperatura, e ento resolveu lev-lo  creche.
         Sean tamborilava, irritado, os dedos sobre a mesa. Afastando a cadeira, ergueu-se, passando uma das mos pelos cabelos e caminhou pelo escritrio, praticando
mentalmente o que pretendia dizer a Kate.
         Escolhendo meticulosamente as palavras, estacou, abrupto, perguntando a si mesmo o que estava acontecendo com ele. Tudo o que tinha a dizer era que queria
que ela recebesse de volta o dinheiro que se recusara a aceitar na ocasio do divrcio. Diabos, se necessrio lhe diria que seus contadores insistiam que o dinheiro
fosse legado, do contrrio ele pagaria uma multa tributria. Detestava saber que Kate tinha de lutar tanto para sobreviver, ainda mais quando tinha um filho para
criar.
         Uma criana que no era dele.
         Abrindo a porta do escritrio, instruiu a secretria para dizer a Kate que ele desejava v-la.
         - Jenny me ligou dizendo que queria falar comigo?
         - Sim, quero - confirmou Sean, virando-se para olhar pela janela do escritrio. - Deve ter sido difcil encontrar tempo para estudar para sua ps-graduao.
         - Sim, de algum modo foi - confirmou Kate, se perguntando por que ele a havia chamado.
         - Imagino que tenha sido difcil com Oliver.
         - Sim, foi - concordou ela.
         - Por que no pediu ajuda financeira ao pai dele?
         Quando ela no respondeu, Sean voltou-se para encar-la. A luz que incidia pela ampla janela, realava a tenso no rosto dele e por um instante Kate quase
fraquejou. Ele fora tudo em sua vida, assim como ela era tudo para Oliver, lembrou a si mesma, antes de inspirar fundo e se dirigir a ele em tom cido.
         -  O que est tentando fazer? Pegar-me em uma armadilha? Est perdendo seu tempo. Voc  o pai de Oliver. Nada nem ningum, nem mesmo voc, pode mudar isso.
         Sentiu um desconforto no estmago ao perceber a expresso de rejeio no rosto de Sean.
         -  voc quem desperdia seu tempo. Oliver no  meu filho. No pode ser... - Sean estacou, inspirando profundamente antes de continuar. - No pode impingi-lo
a mim!
         O corao de Sean batia descompassado. O efeito que aquela mulher provocava nele quase o fizera deixar escapar a verdade!
         Kate cerrou os punhos quando percebeu a violncia contida na voz dele.
         - O que eu queria lhe dizer era... - Ele estacou outra vez, quando o repentino toque do celular de Kate se fez ouvir. Com a face rubra, ela o retirou da
bolsa, esquecendo o embarao quando identificou o nmero da creche.
         - Ele est nauseado e perguntando por mim? - Kate no conseguia disfarar a ansiedade no tom de voz, enquanto repetia o que a pessoa no celular dizia. -
Ele no estava se sentindo bem esta manh - admitiu. - Mas no estava febril, ento...
         Embora tivesse se afastado de Sean, sabia que ele estava ouvindo a conversa que travava com a professora da creche.
         - Eu... Vou tentar... - comeou, para em seguida perceber que Sean a girava para encar-lo.
         Tinha uma expresso sria estampada no rosto quando lhe tomou o telefone das mos.
         - Ela est a caminho.
         - No tem o direito... - tentou protestar kate, mas Sean j a puxava pelo brao em direo  porta.
         - Vamos no meu carro - disse ele. - Primeiro porque chegaremos mais rpido, segundo porque est nervosa demais para dirigir em segurana.
         Kate entreabriu os lbios para protestar, mas j se encontravam no estacionamento, caminhando em direo ao carro de Sean. Ele abriu a porta do passageiro
e Kate entrou relutante.
         - A professora disse o que havia de errado com ele? Chamaram um mdico? - indagou Sean, quando se sentou atrs do volante.
         Kate pensou em no lhe dizer nada. Afinal, ele acabara de rejeitar Oliver. Mas a ansiedade maternal sobrepujou o orgulho e, apreensiva, repetiu o que haviam
lhe dito.
         - Ele no est se sentindo bem. H um surto virtico espalhado por a. Oliver disse que estava com dor abdominal esta manh.
         - Levou-o para a creche mesmo sabendo que ele no estava bem? - Kate percebeu o tom crtico na voz dele. - Por que no ficou em casa com o menino?
         - Tenho de trabalhar, lembra-se? No posso ficar faltando.
         - Claro que pode - contradisse-a Sean. - Voc  me. As pessoas vo entender.
         - Ningum na empresa sabe sobre Oliver - admitiu Kate, virando deliberadamente a face em direo  janela do carro para que ele no pudesse lhe ver a expresso.
         - Tem vergonha dele?
         - No! - negou ela, furiosa e voltou-se de imediato para encar-lo, descobrindo que Sean a havia provocado porque sabia qual seria sua reao.
         - Ento por que no contou?
         - No so todas as empresas que admitem mes solteiras. Precisava do emprego. No mencionei Oliver na minha primeira entrevista e quando fui admitida descobri
que John seguia a regra antiquada de no empregar mes com filhos pequenos.
         Uma regra que seria ilegal da parte dele impingir-lhe - lembrou Sean. - Diabos, Oliver precisa de voc! Ambos sabemos o que  crescer sem me.
         - Oliver tem uma me.
         - Que no pode estar com ele quando precisa. Kate no se sentia capaz de manter as barreiras contra a dor que a envolvia.
         - Uma vez que se recusa a aceitar o fato de que Oliver  seu filho, no tem o direito de dar opinies em sua criao, no acha? - desafiou-o ela com uma
amargura, que s cedeu quando alcanaram a aldeia.
         No momento em que Sean estacionou em frente  creche, Kate colocou a mo na maaneta da porta.
         -  Obrigada pela carona - disse por cima do ombro.
         Mas para sua total consternao, ele j se encontrava fora do carro e abrindo-lhe a porta.
         - Vou com voc.
         - No quero que o faa - protestou ela.
         - Talvez Oliver precise ser levado a um mdico - argumentou Sean, sucinto. - Posso lev-la rapidamente.
         Um mdico? Ansiosa, Kate se precipitou em direo  creche.
         - Onde est Oliver? Como ele est? - indagou, frentica, enquanto explorava a sala onde estavam as outras crianas.
         - Est bem, mas dormindo.
         - Dormindo? Mas... - comeou Kate, para em seguida ser interrompida.
         -  Chamaram um mdico? - inquiriu Sean em tom severo.
         Kate sentiu-se um tanto irritada pela prontido com que a senhora idosa respondeu  autoridade dele.
         -  Sou enfermeira - informou ela, quase na defensiva. - Acho que ele no tem nada de grave. Oliver sentiu-se indisposto antes do almoo e depois vomitou,
mas est bem agora... Apenas cansado. - E volvendo um olhar quase crtico a Kate. - Parece-me chateado com alguma coisa e acho que essa  a causa de seu problema.
Crianas quase sempre reagem com sintomas fsicos ao estresse emocional.
         - Vou lev-lo para casa - declarou Kate, corando ante o tom de crtica. Sabia que Sean observava sua reao.
         Oliver estava adormecido em uma das camas do dormitrio e Kate se curvou sobre ele. Oliver era filho de Sean em todos os sentidos, mesmo que ele no aceitasse
o fato.
         - Deixe que eu o carrego.
         Kate se virou. No sabia que Sean a seguira at ali.
         - No h necessidade - redargiu ela, desviando o olhar do rosto para o ombro dele. Outro erro. De imediato, sua mente fugiu para o tempo em que recostava
a cabea no ombro largo e ouvia as palavras apaixonadas de Sean. E naquele instante foi atingida pela dolorosa percepo de como se encontrava sozinha e temerosa.
A simples viso de Sean tomando Oliver nos braos era o suficiente para lhe partir o corao. Controle-se, admoestou a si mesma. Aquele tipo de emoo era um luxo
ao qual no podia se dar.
         Quando saram da creche, Kate pediu para ele lhe entregar Oliver para que ela o levasse para casa.
         - Voc o carregar? Parece no agentar consigo mesma.
         - Eu o levarei!
         Mal alcanara o chal, Oliver descerrou as plpebras, sonolento, no colo de Sean.
         Abrindo a porta, Kate entrou e esticou os braos, mas, para sua desdita, Oliver virou de costas para ela, enterrando a cabea no peito de Sean e voltando
a adormecer.
         Uma pontada aguda lhe atingiu o corao. Aquela era a primeira vez que Oliver a rejeitava em favor de outra pessoa. Mas Sean era o pai dele.
         - Acho melhor entreg-lo a mim - declarou em tom seco. - Estou certa de que no vai gostar se ele vomitar em seu terno.
         Ele entregou-o e a observou pous-lo gentilmente no sof surrado que ocupava uma das paredes da sala.
         - Na verdade o que no gosto  de saber que no tardou a se deitar com outro homem logo depois que nos separamos.
         O corpo de Kate ficou tenso de pronto.
         - No tem direito de dizer isso.
         - Acha que no sei que foi isso que aconteceu? Que abri mo de todos os meus direitos no que concernia a voc?
         - Todos os seus direitos? - Petrificada, Kate imaginou que onda de autodestruio havia incitado aquelas palavras ditas em tom sensual e desafiador. E viu-se
fitando, hipnotizada, os lbios de Sean, enquanto recordava o prazer que ele um dia lhe dera...
         -  Pelo amor de Deus, Kate! Quer parar de me olhar desse jeito?
         Mortificada, ela tratou de se defender.
         - No sei do que est falando.
         Sean deu alguns passos em sua direo com um brilho to intenso no olhar que fez com que seu corpo estremecesse.
         - Mentirosa! Sabe perfeitamente bem o que quero dizer. Est olhando para a minha boca como se a quisesse na sua.
         Que diabos estava fazendo? indagou ele a si mesmo. A nica razo que o trouxera ali era oferecer um suporte financeiro a Kate. Nada alm disso.
         Ainda assim, segundos depois de se repreender, Sean ouviu a prpria voz.
         -  isso que voc quer? Por que se for...
         O simples tom da voz de Sean estava surtindo um efeito excitante e perturbador em seu corpo. Na defensiva, Kate fechou os olhos para descobrir que fizera
o movimento errado quando foi tomada por sensuais lembranas do passado.
         Antes que pudesse perceber o que estava fazendo, sentiu os dedos esticando-se e encolhendo, como se pudessem sentir a pulsao e a rigidez da ereo de
Sean.
         To logo se deu conta do que estava sentindo, levou as mos para trs das costas, rubra de vergonha.
         - Est enganado - afirmou, odiando a si mesma por se sentir daquela forma. - Por que eu desejaria algum que quebrou os votos do casamento e levou outra
mulher para a cama?
         -  exatamente assim que me sinto em relao a voc - retrucou Sean, colrico. - Sabe que posso lhe imputar as mesmas acusaes, no ? Como acha que me
sinto com o fato de no ter esperado sequer um ms para se atirar na cama de outro homem?
         -  Eu no fiz isso - negou Kate, veemente. As palavras do ex-marido tocaram a ferida que pensava cicatrizada em seu corao e a dor aguda voltou, inexorvel.
         A cor fugiu da face de Kate, mas antes que pudesse acrescentar qualquer coisa, Sean girou nos calcanhares e se encaminhou  porta.
         - No v trabalhar amanh. Se Oliver no tiver melhorado at segunda-feira, avise-me. Isso  uma ordem - anunciou Sean, em tom severo. - Providenciarei
para que seu carro seja trazido at aqui.
CAPITULO SEIS
         - Oliver talvez tenha escapado do terrvel vrus, mas voc no parece ter tido a mesma sorte - comentou Carol de modo direto, enquanto observava a face
plida de Kate.
         -  Tive uma pssima noite - admitiu ela, relutante.
         Kate encontrara Carol a caminho da creche e os dois meninos caminhavam juntos  frente.
         - Meu pai sabe fazer qualquer coisa - gabava-se George.
         - Meninos! - Carol riu, meneando a cabea e trocando um olhar pesaroso com Kate.
         - E Sean pode fazer qualquer coisa que imaginar! Kate mordiscou o lbio, ante o comentrio dele, ciente do olhar simptico de Carol.
         - Parece que Oliver tem uma grande admirao por Sean - comentou em tom casual, mas Kate podia adivinhar o que ela estava pensando. A dor que lhe comprimia
o estmago provocou-lhe uma careta.
         No parece nada bem - observou Carol, preocupada. - Por que no vai para casa e deita um pouco? Eu levo e pego Oliver na creche para voc.
         - No posso. Tenho de ir para o trabalho. J faltei sexta-feira por causa de Oliver.
         - Acho que no est em condies de trabalhar, est muito abatida - argumentou Carol. - Est tremendo e no est frio. Essa virose pode ser violenta.
         - Obrigada - disse Kate. - Mas estou bem.
         Mas aquilo estava longe de ser verdade. Ao contrrio de Oliver, que se recuperara da indisposio em questo de horas, Kate sentia-se mal desde a manh
anterior. A cabea latejava. Vomitara vrias vezes durante a noite e o corpo doa.
         Naquele momento, uma onda de nusea a invadiu e Kate fechou os olhos.
         - No tem condies de ir trabalhar! - constatou Carol com firmeza. - Como pretende dirigir assim? V para casa. To logo eu deixe os meninos na creche
passarei l para saber se est bem.
         Uma nova onda de nusea reforou a razo de Carol e entregando Oliver para ela, Kate voltou apressada para casa, sentindo uma dor to intensa na cabea
que a fazia ansiar por se aninhar em um canto escuro e, se tivesse sorte, morrer por l.
         Meia hora mais tarde, Carol retornou da creche, Kate a ouviu bater  porta dos fundos e era seguida entrar.
         - Graas a Deus que teve juzo - disse, aliviada ao encontr-la jogada na cama. - Ficaria com voc, mas prometi levar minha me ao hospital.
         - Ficarei bem. Preciso apenas dormir um pouco - assegurou-lhe Kate.
         Depois de Carol partir, lembrou-se que deveria ter pedido que telefonasse para o escritrio, explicando o que acontecera.
         O simples pensamento de dar o telefonema parecia exaustivo. Alm disso, precisava vomitar outra vez.
         Sean franziu o cenho, enquanto observava a sala vazia de Kate. Estaria Oliver mais doente do que imaginaram?
         O departamento de recursos humanos era o responsvel por verificar porque Kate no dera notcias, no ele.
         Um dos msculos da mandbula de Sean se contraiu, traindo o pensamento. A quem achava que estava enganando?
         Deveria estar partindo dali naquele dia para retornar a seu quartel-general, onde teria uma importante reunio e s retornar na semana seguinte.
         Se a funcionria do departamento de recursos humanos estava curiosa por ouvi-lo perguntar o telefone da residncia de Kate, foi profissional o suficiente
para no demonstrar.
         Na privacidade de seu escritrio, Sean discou o nmero, franzindo ainda mais o cenho quando no atenderam.
         Meio adormecida por um sono provocado pela febre, Kate escutou ao longe o toque do telefone, mas sentia-se muito enfraquecida para atend-lo.
         Sean esperou at ouvir a gravao da secretria eletrnica de Kate para desligar. Onde diabos estaria ela? Pensamentos indesejados lhe povoavam a mente,
como o de Kate sentada na sala de espera de algum hospital, enquanto os mdicos corriam para socorrer Oliver. Uma onda de angstia o assolou, deixando-o sem defesas.
         Sentiria a mesma preocupao por qualquer criana, assegurou a si mesmo. Como ele, Oliver era uma criana sem pai. Sabia muito bem como era aquela sensao.
         Um breve telefonema para o escritrio central foi o suficiente para cancelar a reunio. Como poderia presidi-la enquanto Oliver talvez estivesse doente?
         Tentou postergar o mximo que pode, tentando aplacar a ansiedade com mais telefonemas fracassados, at que no meio da tarde pegou o palet e saiu.
         Quando chegou  casa de Kate, o alvio estampado em dois dos trs rostos ansiosos que se voltaram para ele falava por si.
         - Sean!
         - Oh, graas a Deus!
         Enquanto Oliver corria em sua direo, Sean se inclinou num gesto automtico para ergu-lo.
         - Mame est muito doente - informou ele.
         - Kate no est bem. - Carol apressou-se em explicar. - Na verdade, quando cheguei com Oliver da creche chamei um mdico.
         Sean volveu o olhar ao homem de meia-idade, a terceira pessoa presente.
         - Kate parece ter contrado uma das formas mais violentas dessa virose - explicou ele. - Est desidratada e muito fraca, e sem condies para cuidar de
si mesma; quanto mais da criana. Precisa de algum que cuide dela e lhe d bastante lquido.
         O mdico lanava um olhar significativo a Carol, que mordiscou o lbio, sentindo-se desconfortvel.
         - Normalmente eu ficaria feliz em ficar com Oliver, mas...
         - No ser necessrio - interveio Sean em tom firme. - Ficarei com Kate e tomarei conta de Oliver. Sou seu ex-marido - explicou sucinto.
         - Devo preveni-lo de que ela est apenas semi-consciente - explicou o mdico depois que Carol partiu para cuidar da prpria famlia. - Delirante e confusa
- acrescentou. - Mas isso vai passar. Est com febre alta e clicas estomacais. Mediquei-a e isso dever faz-la sentir-se melhor dentro das prximas doze horas,
embora precise de bem mais tempo que isso para se recuperar e...
         - Por que diabos no quer intern-la em um hospital? - indagou Sean, irado.
         - Por muitas razes - redargiu o mdico. - Primeiro, duvido que encontrasse vaga. Segundo, ela tem um filho, que ficaria estressado com isso. E terceiro,
embora ela esteja se sentindo muito mal, o estado no  grave. Compreendo que cuidar dela no ser fcil. Se no estiver disposto, peo que me fale para que eu possa
providenciar algum tipo de lar adotivo temporrio para o menino e uma enfermeira do distrito para passar por aqui quando puder para cuidar de minha paciente.
         Lar adotivo! Oliver no precisa disso. Tampouco Kate de uma enfermeira distrital. Eles tm a mim afirmou Sean em tom protetor.
         -  Muito bem. Ento lhe direi o que ter de fazer.
         Sean escutou atentamente as instrues do mdico. Oliver se encontrava sonolento em seus braos e quando o mdico partiu, fitou-o nos olhos.
         -  Quando a mame vai ficar boa? - indagou, curioso.
         -  Em breve - assegurou Sean em tom calmo, embora em seu ntimo estivesse longe da serenidade.
         Dez minutos depois, enquanto observava a face plida de Kate, que se encontrava imvel na cama, a ansiedade de Sean aumentou. Observou as mos que pendiam
sem vida. Ela sempre tivera mos bonitas. Fora uma das primeiras coisas que notara nela. Naquele momento, o pulso delgado lhe parecia ainda mais fino do que no passado.
         De repente, Kate fez um movimento brusco e mexeu as mos. Gotas de suor lhe salpicavam a fronte e ela gemeu, tremendo violentamente. Os olhos topzio se
abriram e se dilatando, perplexos, fitaram-no.
         -  Est tudo bem, Kate - acalmou-a Sean, enquanto ela lhe lanava um olhar vago. Porm, a despeito das palavras reconfortantes, Sean sentia um peso enorme
lhe oprimindo o peito.
         - Minha cabea di - gemeu ela.
         -  Por que no se senta e toma um pouco dessa gua? - sugeriu Sean em tom gentil. - Vai ajudar a baixar sua febre.
         Kate tentou obedecer, mas ele podia ver que o mnimo esforo era demais para ela.
         Sem lhe dar tempo para protestos, Sean sentou-se na cama e amparou-a pela cintura, enquanto ajeitava os travesseiros.
         Ela trajava uma espcie de camisola de algodo que estava ensopada de suor e tremia to violentamente que os dentes batiam.
         - Minha garganta est doendo muito - sussurrou ela, enquanto afastava o copo. - Tudo di. - Num gesto automtico, Sean levou a mo  testa febril. - Isso
 muito bom. Frio.
         Sean engoliu em seco ante as sensaes que as palavras e a temperatura de Kate fizeram eclodir dentro dele.
         - Sinto-me muito quente.
         - Est com uma virose - informou ele.
         -  No quero afast-lo do trabalho. No com o contrato da Anderson para ser concludo.
         Os olhos febris se fecharam quando ela se recostou aos travesseiros e Sean a observou, franzindo o cenho. O contrato ao qual ela estava se referindo era
o mesmo em que ele estava trabalhando no incio do casamento deles.
         O mdico o havia prevenido de que Kate estava um tanto delirante.
         Ela fora sua esposa e amante. Seu corpo no guardava segredos inexplorados para Sean. Como poderia quando Kate se entregara to completamente a ele? Ainda
assim, podia sentir os msculos tensos, enquanto removia a camisola mida de suor. A excitao que sentia, atrasando a tarefa de despi-la, ao avistar a pele plida
dos seios firmes.
         Relutante em remexer nas gavetas de Kate para procurar uma camisola limpa, aps ter lavado com uma esponja o corpo suado dela, enrolou-a em uma toalha,
respondendo s perguntas desconexas que ela lhe fazia nos momentos em que acordava.
         Quando por fim Kate se encontrava seca e aquecida, e podia ser coberta com o edredom, as mos de Sean tremiam.
         - Sean?
         Ele congelou ao perceber que Kate acordara outra vez.
         - Sim?
         - Eu o amo muito - declarou ela, voltando-lhe um sorriso doce antes de descerrar as plpebras e imergir em sono profundo.
         Uma dor intensa e perigosa revolvia-lhe o ntimo e os olhos ardiam como se tivessem recebido um banho de cal.
         Eram 2 horas da manh e Sean sentia-se exausto. Para seu alvio, a febre de Kate parecia ter cedido um pouco. E Oliver dormia profundamente na prpria cama,
alheio  dor aguda que sentira quando ele lhe explicou sua rotina na hora de ir dormir.
         Contendo um bocejo, passou as mos pelos cabelos, Embora Kate estivesse adormecida, temia deix-la.
         Entrou no toalete e tomou um banho. Fora um dia cheio. Seus olhos estavam pesados e embaados. Observou a metade desocupada da cama. No faria mal deitar-se
um pouco e cochilar.
         Kate podia sentir a dor do desespero angustiante. No sonho, induzido pela febre, corria com as pernas pesadas como chumbo pelos vrios aposentos de uma
casa vazia, procurando desesperadamente por Sean.
         Ele a abandonara e a dor era lancinante. Sentia-se desolada, abandonada e completamente sozinha.
         A dor atingiu um nvel insuportvel, fazendo-a gritar no sonho o nome dele.
         Sean acordou no instante em que ela gritou. Percebeu o pnico na voz rouca e apesar da semi-escurido podia ver o corpo de Kate tremer.
         - Est tudo bem. - Tentou acalm-la, pousando a mo no brao trmulo e inclinando-se sobre ela.
         Quando conseguiu entreabrir os olhos, Kate expirou, aliviada. Podia divisar a familiar silhueta de Sean na cama. Ele estava ali. Fora apenas um pesadelo!
         Porm, precisava mais do que a presena de Sean para afastar as sombras escuras do sonho conturbado.
         Num gesto instintivo, moveu-se em direo a ele, ansiando por se aproximar dele. Embora o crebro estivesse embotado pela febre, os sentidos se encontravam
aguados e todo seu corpo tremeu quando inspirou a fragrncia almiscarada do corpo de Sean. Podia sentir a familiar excitao a invadir.
         - Abrace-me forte - implorou com a voz rouca e vacilante. - Estava sonhando que voc no estava aqui... Tudo parecia to confuso...
         Estava com uma forte virose e febre alta - informou Sean em tom suave, usando deliberadamente o pretrito imperfeito para no assust-la.
         - Era assustador - sussurrou ela, contando-lhe o sonho em seguida.
         Lgrimas lhe banhavam os olhos e Sean escutou, impotente. A febre lhe afogueava a face e lhe vitrificava o olhar. Kate se aproximou e ele tentou se afastar,
mas era tarde. Ela j estava aconchegada em seus braos.
         Sean lhe lanou um olhar sombrio. Sentia um n na garganta e estava ciente de que aquilo no deveria estar acontecendo. Estava ali para desempenhar o papel
de cuidador e guardio. Mas como explicar aquilo no estado de confuso em que Kate se encontrava? Teria ela noo do que estava dizendo? De alguma forma ele achava
que no. Para confirmar suas suspeitas, ela se moveu, fixando o olhar ansioso nele.
         -  Sean? - chamou, enquanto fechava os dedos em torno dos ombros largos.
         E antes que ele pudesse impedi-la, se aninhou na segurana do seu corpo. Apenas lhe inspirar a fragrncia a tornava mais calma. Calma? Aquilo era tudo que
no conseguia sentir no momento, com o corao batendo descompassado e o corpo parecendo ridiculamente fraco, embora sensvel  sensualidade de Sean.
         Era como se o pesadelo fosse totalmente sobrepujado pela vulnerabilidade que s a proximidade ntima com Sean pudesse lhe proporcionar. E em seguida, enquanto
ele tentava aplacar o prprio espanto, Kate ergueu a cabea e pressionou os lbios contra o peito musculoso, exibindo evidente luxria ao acarici-lo.
         Ele podia sentir as batidas aceleradas do prprio corao, enquanto o corpo ficava tenso ante a imediata reao ao toque de Kate. Nem por um minuto imaginara
que isso pudesse acontecer.
         E agora tinha de travar uma batalha contra a realidade daquela situao. O prazer sensual de ter Kate deitada sobre ele, a suavidade dos lbios macios contra
sua pele.
         Se no pusesse um fim no que estava acontecendo, estaria correndo o risco de perder o controle e viajar por uma estrada na qual Kate em perfeito estado
de sade jamais permitiria que trafegasse.
         Determinado, esticou os braos e fechou as mos em torno dos antebraos dela, pretendendo afast-la de seu corpo e coloc-la de volta ao lugar em que antes
ocupava na cama. Mas no instante que tentou mov-la, ela gemeu e se achegou ainda mais a ele.
         Aquilo era mais que seu autocontrole podia suportar.
         Engoliu em seco. Tinha de dar um fim naquilo.
         - Kate...
         - Humm... - Ela deixou escapar um suspiro de xtase, depositando um beijo em um dos cantos dos lbios de Sean. Ele o retribuiu com entusiasmo, enquanto
uma voz amarga o alertava para o fato de Kate no saber o que estava fazendo.
         Precisou recorrer a todas as foras que possua para desviar os lbios da doura daquele toque, e quando o fez, Kate o fitou confusa.
         A viso dos olhos dela o fez ansiar por tom-la nos braos.
         O edredom havia deslizado, revelando as curvas dos seios firmes e os mamilos rgidos.
         Tonta, Kate observou com explcita luxria, enquanto o olhar de Sean se fixava inexorvel em seus seios. Um tremor forte sacudiu-lhe o corpo, fazendo-a
ofegar.
         Enquanto a observava e percebia o que ela estava sentindo, baixou vagarosamente os lbios em direo aos dela, num gesto quase autmato.
vida, Kate ergueu a face, oferecendo-se  possesso de Sean, as mos o puxando com fora inesperada para si. Um forte tremor a perpassou, enquanto entreabria
os lbios para a explorao da lngua quente e macia contra a dela.
         Sean podia sentir a familiaridade daquele corpo sob suas mos. No teve a inteno de lhe tocar os seios e acarici-los, lnguido, em toda a sua extenso.
Tampouco de pressionar a rigidez do corpo contra as coxas macias, enquanto Kate tremia sob ele. Deus do Cu! No deveria estar permitindo aquilo e no devia sentir
que morreria se no a amasse.
         O desejo embotava-lhe a conscincia e o autocontrole. A rigidez dos mamilos contra a mo que os acariciava, a sensao dos lbios macios em sua pele, a
certeza de que bastaria passar a mo por entre as coxas macias para sentir a doce calidez da intimidade de Kate estava obliterando tudo a seu redor.
         Sean puxou-a para si e tomou-lhe a face nas mos, beijando-a profundamente at que ela gemesse de prazer. As mos delicadas buscando-lhe o membro rgido
com a mesma avidez com que ele procurava a umidade quente e convidativa no corpo de Kate.
         Beijou-lhe os seios. Primeiro languidamente e, em seguida, com mais voracidade, fazendo-a estremecer de desejo, enquanto sentia a umidade sensual da lngua
de Sean explorando a sensibilidade dos mamilos intumescidos e deixava escapar um grito rouco.
         Kate cobriu com a dela a mo que Sean mantinha entre suas coxas, enquanto os dedos longos acariciavam a pele sensvel.
         Sean percebia que suas aes no eram premeditadas ou programadas. O que estava acontecendo entre eles era natural e certo que ele se permitiu por alguns
segundos esquecer a realidade e entregar-se ao amor que sentia.
         To logo a tocou intimamente, ouviu Kate gritar enquanto elevava o corpo. As mos delicadas se espalmaram em seus braos e um grito abafado se fez ouvir
quando as contraes do clmax de Kate comearam.
         - Sean - sussurrou ela, com evidente ternura, quando ergueu a mo para tocar o rosto dele, porm, adormeceu antes de conseguir seu intento.
         Entorpecido, ele aguardou at se certificar que ela estava de fato adormecida antes de se afastar. No conseguia entender por que deixara as coisas chegarem
quele ponto. Uma onda de revolta contra si mesmo o assolou.
         Em seu ntimo, a despeito do trauma da prpria infncia, havia uma essncia masculina antiquada e protetora que era parte fundamental dele. Como um homem
que deveria proteger a mulher que amava de tudo e de todos, inclusive de si mesmo, se necessrio. No fora esse o motivo pelo qual se divorciara de Kate? Para que
ela ficasse livre para encontrar um homem que pudesse gerar os filhos que tanto desejava?
         Aquele era para Sean um trao de sua personalidade de vital importncia que reafirmava o orgulho em si prprio. Mas como poderia se sentir orgulhoso de
si naquele momento?
         Uma queixa seguida de palavras ininteligveis vindas da cama o fez congelar e correr para o lado de Kate.
         A febre aumentara outra vez, e quando a acordou para ministrar a medicao e lhe oferecer lquidos, o olhar vago que ela lhe lanou f-lo deduzir que Kate
no o reconhecia...
         Estava certo que ela no gostaria de saber que se agarrara a ele e implorara que a amasse. Embora, no estado febril em que se encontrava, fosse pouco provvel
que se recordasse do que acontecera.
         Mas, enquanto a banhava mais uma vez, Sean teve certeza de que guardaria aquele momento no fundo de sua memria, onde armazenava outras tantas lembranas
sublimes dela.
         Desviou o olhar de Kate. Estar naquele pequeno chal, com ela, a mulher que sempre amara, e a criana que teria dado a vida para ter sido ele a gerar aumentava
a dor que nunca o deixara em um nvel quase insuportvel. Kate no tinha idia do que lhe fizera, quando tentara convenc-lo da paternidade de Oliver.
         Kate podia sentir a calidez da luz solar que lhe incidia nos olhos fechados. O corpo ficou tenso quando lembrou que o sol s se refletia em seu quarto 
tarde.
         Enquanto abria os olhos, tentou se sentar na cama, apenas para desabar sobre os travesseiros quando o corpo enfraquecido pela virose se negou a se sustentar.
Um medo intenso a envolveu quando percebeu que a casa estava imersa em completo silncio.
         Onde estava Oliver? E por que ela estava na cama? Tinha de procurar o filho. Afastou as cobertas e franziu o cenho ao se perceber vestida com uma camisola
rendada verde-azulada que no conhecia.
         Num gesto instintivo, tocou o tecido. H muito no usava peas como aquela. Sean preferia que dormissem desnudos e ela tambm. Um leve tremor perpassou-lhe
o corpo, enquanto uma vaga e enevoada lembrana dela e de Sean como amantes lhe assomou  mente.
         Com o corao batendo acelerado, apoiou os ps no cho, para descobrir que suas pernas mal conseguiam sustent-la.
         Enquanto lutava para manter o equilbrio, a porta do quarto se abriu, mas o alvio inicial foi rapidamente substitudo pela raiva quando avistou Sean caminhando
em sua direo. De pronto, Kate se afastou de volta  cama.
         Retrospectivas indesejveis a atormentavam. Desconexas e assustadoras imagens de si mesma implorando para que ele a amasse.
         A cabea latejava e a cada segundo se sentia mais fraca.
         - Onde est Oliver? - indagou, ansiosa. - E o que est fazendo aqui?
         - Oliver est na creche e estou aqui por que ambos, voc e seu filho, precisam de mim para tomar conta de vocs.
         - Tomar conta de mim? Esteve cuidando de mim? - inquiriu, no contendo a histeria na voz. - Por que voc?
         - Por que no eu? Sou seu ex-marido - retrucou, dando de ombros.
         - Meu ex-marido?
         - No havia mais ningum, Kate - interrompeu-a em tom gentil. - Sua amiga Carol gostaria de ajudar, mas tem a prpria famlia para se preocupar. Pensei
at mesmo em intern-la em um hospital...
         -  Hospital? - questionou Kate, com o corao batendo forte.
         - O vrus que contraiu a abateu - explicou ele, paciente. - Por que no se deita? - indagou, caminhando em direo a Kate.
         - No me toque! - protestou Kate em pnico, quando ele a fitou como se tivesse a inteno de ergu-la.
         O modo como Sean a observava a fez enrubescer e a pele arder. O simples fato de t-lo to prximo ativava toda a sorte de lembranas perturbadoras. E ento
teve a certeza de que elas lhe assombravam a mente porque haviam sido reais. Ela fizera e dissera todas as coisas que era forada a relembrar.
         Impotente, aguardou pelo sarcasmo do marido, que estava impregnado em sua memria, ao lembr-la que implorara para que ele fizesse mais que a tocar, porm
Sean nada falou. Simplesmente se inclinou e ergueu-a nos braos, pousando-a com firmeza na cama.
         - Ainda est muito enfraquecida... - comeou Sean, para em seguida se deter ao ouvir a campainha da porta. - Deve ser o mdico. Vou descer para receb-lo.
         To logo ele partiu, Kate levou a mo  testa e pressionou-a, tentando recordar o que acontecera. Humilhada, concluiu que tudo que seu corpo podia lembrar
era o prazer que Sean lhe proporcionara.
         A porta do quarto se escancarou e Sean entrou, acompanhado do mdico.
         - Ento est de novo conosco. timo! Seu marido fez um excelente trabalho.
         Seu marido! Kate desejou explicar que Sean era seu ex-marido, mas aquilo lhe parecia um grande esforo.
         J superou o pior, mas isso no quer dizer que esteja curada. Falta muito para isso - afirmou o mdico, enftico.
         E quando estarei curada? - inquiriu Kate, tentando mostrar uma energia que estava longe de sentir, mas sem, no entanto, conseguir convencer o mdico. Bem,
se fizer o que lhe disserem e no tentar apressar as coisas, diria que estar totalmente recuperada dentro de trs semanas.
         Trs semanas! - Kate lutou para se erguer, enquanto o fitava aterrorizada. - No! Isso  impossvel. Tenho de procurar um novo emprego! Preciso trabalhar!
Tive apenas uma virose. No  possvel que leve trs semanas para me recuperar!
         - Foi contaminada pela pior forma desse vrus, e sem querer assust-la... - O mdico se deteve por alguns segundos. -  uma sorte que tenha constituio
forte. Quanto a voltar a trabalhar... - Meneou a cabea em negativa. - No poder fazer isso.
         -  Ela no o far - interveio Sean, voltando a Kate um olhar de advertncia. - Sei que nenhum empregador iria permitir que ela trabalhasse sem um atestado
mdico garantindo seu estado de sade.
         Kate sentia-se angustiada, mas teve de se contentar em lanar um olhar furioso a Sean, enquanto ele acompanhava o mdico at a porta.
         - No posso ficar sem trabalhar por trs semanas! - protestou ela, quando Sean retornou ao quarto.
         - J teria arranjado um novo emprego se no estivesse doente. - E quando ele permaneceu calado.
         - Preciso trabalhar. Tenho um filho para sustentar e uma hipoteca para pagar.
         -  Conversaremos sobre isso mais tarde - redargiu Sean, sucinto. - Tenho de pegar Oliver na creche.
         Kate queria argumentar, mas a cabea latejava e tudo que pde fazer foi observ-lo com fria impotente.
         No era possvel levar trs semanas para se recuperar. O mdico por certo exagerara, incitado por Sean,  claro. Mas ela iria provar-lhes o contrrio. Afinal,
era uma jovem, no uma nonagenria, lembrou a si mesma, ignorando a vertigem que sentia.
         Firmando os ps no cho, ergueu-se e de imediato leve de se segurar  beirada da cama, quando as pernas fraquejaram. Podia estar um pouco fraca, mas aquilo
se devia ao tempo que permanecera na cama.
         Podia sentir a face arderem ante as lembranas do que fizera na cama. Braos fortes a erguendo e a amparando enquanto bebia, mos cuidadosas lhe suavizando
a pele dolorida e quente, a presena de uma lisura provendo-lhe tudo que necessitara.
         Tocou os cabelos. Eles estavam limpos e macios. De imediato a recordao de ser sustentada sob o chuveiro, enquanto a gua reconfortante lhe escorria pelo
corpo lhe assomou  mente.
         Sean cuidara dela como se... ainda fossem um casal. Como se ainda a amasse!
         Mas ele a havia abandonado por outra, relembrou. No importava os sentimentos secretos que acalentava em seu ntimo, no podia se permitir esquecer aquela
traio.
         Trincando os dentes, deu trs passos para frente e parou, quando as pernas fraquejaram, fazendo-a desabar ao cho.
         Dez minutos mais tarde, Kate estava de volta  cama. Os ossos, sem mencionar carne, pareciam ter sido triturados.
         Nunca estivera realmente doente. A nica dor que teve de suportar fora ao dar  luz. Ainda assim, havia sido diferente.
         A desconhecida fraqueza dolorosa era novidade para ela e, ao mesmo tempo, assustadora. Detestava ter que depender de algum, no importava quem. E Sean
suscitava uma avalanche de complicaes emocionais com as quais no conseguia lidar. Mas teria de encontrar um meio de conviver com ela. Afinal, como o mdico previra
e ela acabara de constatar, encontrava-se muito enfraquecida para tomar conta de si mesma.
         Os olhos topzio se encheram de lgrimas, ante a sensao de pnico. Parecia to injusto que depois de todo o trabalho que tivera aquilo tivesse acontecido.
Justamente quando comeara a se permitir a esperana de que os planos que possua para segurana financeira dela e do filho seriam alcanados. Ao ouvir a porta dos
fundos se abrir e a voz excitada de Oliver, piscou para dispersar as lgrimas.
         A viso de Oliver entrando no quarto e correndo em sua direo, seguida por Sean, elevou-lhe o nimo de imediato, embora franzisse o cenho ao perceber que
ele trajava roupas que ela no reconhecia.
         Como a lhe adivinhar os pensamentos, Sean se apressou em explicar.
         - No pude deixar a roupa secar por causa da chuva. Portanto, comprei novas.
         Oliver havia alcanado a cama e se arrastava para cima dela. Ao ajud-lo, Kate observou as etiquetas das roupas e o pnico retornou. Marcas de estilistas
caros! Como poderia ressarcir Sean?
         - Mame, finalmente acordou! - gritou Oliver, beijando-a com entusiasmo. - Olha o desenho que fiz para voc! - Ele lhe mostrou o papel que segurava, triunfante.
         - Somos eu, voc e Sean na casa dele onde iremos viver.
         De imediato Kate ficou tensa, enquanto voltava um olhar acusador a Sean. O corao batia to forte que lhe doa.
         - O que...? - indagou, irada, mas Sean j estava erguendo Oliver da cama.
         - Venha - disse ele. - Vamos l para baixo fazer ch para a mame. - E voltando-se para Kate.
         Conversaremos mais tarde.
         -  Sim e depois vou ler uma histria para voc acrescentou Oliver explodindo de felicidade. - Viemos ler para voc todas as noites, no , Sean? Mas voc
no estava totalmente acordada. Depois de muito sono e muita gua, voc melhorou - declarou de com uma seriedade que lhe cortou o corao.
         - Muita gua e agora uma alimentao saudvel concordou Sean em tom calmo.
         Kate sentiu os olhos marejarem quando os dois partiam.
         Havia se preocupado com o fato de sua doena afetar Oliver, mas era evidente que estivera enganada, ele tivera o pai em sua ausncia.
         Como Sean podia se comportar daquela forma com Oliver e ao mesmo tempo negar com veemncia a paternidade?
         O cansao comeou a invadi-la, sobrepujando as mltiplas tentativas de se manter acordada.
         Quando Sean retornou cinco minutos depois a encontrou mergulhada em sono profundo. Pousando a bandeja com o ch e o omelete que fizera para ela, ele encaminhou-se
em direo  cama para observ-la.
         Sentia-se relutante em acord-la, mas sabia que ela deveria se alimentar adequadamente para recuperar as foras.
         Esticou a mo para toc-la e em seguida hesitou. A ala da camisola que lhe comprara quando foi forado a sair para providenciar comida e roupas novas para
Oliver havia cado, expondo-lhe o ombro.
         Sem pensar, num gesto zeloso automtico, segurou a ala e comeou a ergu-la.                                     \
         Kate despertou no mesmo instante, tensa, ante a viso de Sean inclinado sobre ela. Todas as emoes que tentava em vo reprimir invadindo-a, inexorveis.
         No podia se permitir fraquejar e esquecer o quanto ele a machucara, pior ainda, o quanto Sean poderia ferir Oliver.
         O simples pensamento sobre o filho lhe deu fora para desviar o olhar do rosto dele e pous-lo nos dedos que lhe erguiam a ala da camisola.
         - Quero que me diga quanto gastou comigo e com Oliver. - No admitia o fato de ficar devendo a Sean, embora se sentisse arrasada em ter de gastar as parcas
economias em luxos desnecessrios.
         - H muitas coisas que temos de discutir - retrucou Sean no mesmo tom inflexvel. - Mas antes tem de comer alguma coisa. - Kate lhe lanou um olhar rebelde,
mas o protesto ficou preso na garganta quando Sean voltou a falar. - So ordens mdicas e, se necessrio, eu mesmo a alimentarei.
         - No ser preciso.
         - timo.
         - No posso ficar sem trabalhar por trs semanas disparou Kate, incapaz de conter a ira.
         - Pode - corrigiu ele. - Acredito que seu mdico no a liberar. Devo deduzir que ainda no arranjou outro emprego.
         Os lbios de Kate se contraram em uma linha tnue.
         - No, mas pretendo utilizar o tempo que estarei afastada do trabalho para faz-lo.
         - Ao contrrio - comeou Sean em tom firme. Ir utilizar esse tempo para se recuperar, como seu mdico recomendou. Se no acredita em mim, pergunte a ele.
Amanh passar aqui para se certificar se voc tem condies de viajar para... - Deteve-se por instantes e depois continuou: - Para a minha casa.
         O qu? - Kate sentiu-se esquentar e congelar em seu ntimo. - De jeito nenhum! - meneou a cabea com violncia. - Nunca mais irei morar com voc...
         Oliver est animado com a idia - afirmou Sean, em tom suave.
         Kate sentia como se tivesse recebido um soco no estmago.
         No tinha o direito de dizer nada a ele. Tentou us-lo...
         Para qu? - desafiou-a ele. - No momento precisa de algum que tome conta de voc... dos dois. Fsica e financeiramente - enfatizou, com firmeza.
         No sabe nada sobre minha situao financeira e nem tem direito...
         - Sei que o salrio que recebe, dados os gastos que deve ter, no lhe permite uma situao confortvel. No  provvel que tenha economias para recorrer
no caso de ficar impedida de trabalhar. O que  o caso!
         Kate sentiu um aperto na garganta ante a acurada avaliao de sua situao financeira.
         - Talvez no tenha sua riqueza, mas no preciso de caridade ou...
         - Talvez no para voc. Mas precisa de ajuda para Oliver... e no tente negar! - dizendo isso, afastou-se para que Kate no pudesse ver a expresso de seu
rosto.
         Impotente, Kate teve de admitir para si mesma que ele dissera a verdade. Pelo bem de Oliver, teria de ceder  sugesto de Sean.
         Alm disso, no acalentava em seu ntimo a tola esperana que a convivncia com Oliver o faria reconhecer a paternidade?
         - A nica pessoa que tem  a mim! - disparou ele. -A no ser,  claro, que queira entrar em contato com o pai de Oliver - acrescentou despedaando-lhe a
frgil fantasia.
         Kate sentiu nusea e raiva ao mesmo tempo. Queria gritar que preferia morrer a precisar dele.
         - Carol me ajudar - comeou ela, mas Sean meneou a cabea com violncia.
         - Ela tem a prpria famlia para tomar conta. Alm disso...
         - O qu?
         - Acho que no seria o melhor para Oliver.
         Por alguns segundos Kate ficou sem palavras. Quando por fim recuperou a voz, notou que ela tremia de indignao.
         - Desde quando se preocupa com o bem-estar de Oliver? Ou acha que no seria o melhor para ele ser reconhecido pelo pai?
         Oh, por Deus! - exclamou Sean em tom bruto.
         A despeito de quem seja o pai de Oliver, voc  a me e deve ficar perto dele. Se Carol tivesse de tomar conta de vocs dois, isso significaria que uma
boa parte do tempo Oliver teria de ficar na casa dela.
         Kate fechou os olhos, ciente de que ele estava com razo.
         - E quem prope que tome conta de ns? Eu.
         Ela ergueu a cabea e o fitou.
         - Isso  impossvel!
         - Acho que provei o contrrio nos ltimos dias.
         - Tem seus negcios para gerir - lembrou Kate.
         - Posso faz-lo de casa - retrucou Sean, lacnico. E para desempenhar todas essas tarefas, necessito de uma casa com mais de dois cmodos.
         Kate podia sentir a raiva dar lugar ao pnico. E onde fica isso? - foi forada a indagar. - Oliver est bastante adaptado  creche, no quero entristec-lo...
         Ser apenas por algum tempo. Alm disso, ter que se acostumar, j que em breve ter de trocar a creche pela escola - declarou Sean, franzindo o cenho.
         A escola decente mais prxima daqui fica a mais de seis quilmetros.
         -  Sei disso - interrompeu-o Kate. Aquela era uma de suas maiores preocupaes.
         - Oliver se acostumou em me ter por perto - argumentou Sean, de costas para ela, enquanto observava a janela. - Parece-me injusto submet-lo a mais mudanas.
Ele tem se mostrado preocupado com sua doena, mas est ansioso para que fiquemos os trs juntos.
         Uma pontada aguda de dor atingiu o corao de Kate. Como podia negar ao filho a oportunidade de conviver com o pai?
CAPITULO SETE
         - No se preocupe com o chal. Tomarei conta dele. Estar esperando por voc quando voltar - garantiu Carol, enquanto se movimentava pelo quarto de Kate,
colocando nas malas as roupas novas que Sean comprara para ela e Oliver. - Se voltar - acrescentou, lanando-lhe um olhar interrogativo. - Sean no mediu esforos
em espalhar que foram casados. - E, ante as lgrimas que inundaram o rosto da amiga, disse, preocupada: - Oh, Kate, me desculpe!
         - Est tudo bem - replicou Kate. - Acho que a sensibilidade  um dos sintomas desse vrus terrvel. Por que isso tinha de acontecer comigo? Gostaria que
essas semanas voassem para estar de p outra vez.
         - Oliver parece feliz por ter Sean em sua vida - comentou Carol, era tom suave. - Hoje a caminho da creche o ouvi comentar com Sean o quanto gostaria de
ter um animal de estimao.
         - Ele est ansioso por um cachorro desde que viu os animais na fazenda no ano passado, mas com a vida que levo no podemos ter um.
         - Cus! Acho que Sean lhes comprou toda a roupa do mundo! - Carol riu, divertida. - Em breve ele voltar e sei que desejar partir de imediato. Onde fica
a casa para onde esto indo?
         No sei - retrucou Kate com olhar melanclico, irritada pelo fato de Sean ter comprado ainda mais roupas naquela manh, apesar de seus protestos de que
ela e Oliver no careciam de favores.
         - Certo, o carro est lotado.
         Kate forou um sorriso a Carol e a Tom, que havia se aproximado para se despedir. As duas crianas saram correndo da casa e Oliver tropeou, desabando
no cho.
         Tom se precipitou em direo a ele, tentando acalm-lo, pois ameaava chorar.
         - Deixe que eu cuido dele!
         A face de Kate se voltou na direo de Sean, quando ouviu o tom rude em sua voz, enquanto retirava Oliver dos braos de Tom. Quando ele segurou-o nos braos,
algo em seu olhar fez o corao de Kate dar um salto dentro do peito. Sean se ressentia pelo fato de Tom ter ido em socorro de Oliver!
         Depois de aplacar o orgulho ferido e o joelho machucado de Oliver, Sean colocou-o no cho e a ajudou a entrar no carro.
         No espao fechado do interior do veculo, Kate podia sentir a fragrncia da pele mscula, a barba que comeava a aparecer na mandbula. Caso se inclinasse
para frente, poderia lhe roar os lbios na pele.
         Um som abafado se formou em sua garganta e Sean virou o rosto para fit-la. Os olhos azuis se fixaram nos dela como a traspass-la, e depois escorregaram,
inclementes para seus lbios. Kate sentiu-os entreabrir como se Sean os estivesse comandando. E ento o olhar dele j no mais se fixava em sua face, mas sim nos
seios firmes. Um leve tremor perpassou-lhe o corpo e ela sentiu os mamilos enrijecerem em resposta  repentina excitao.
         Quando vamos partir? - A voz impaciente de Oliver se fez ouvir.
         Imediatamente - retrucou Sean, erguendo-se e fechando a porta do passageiro.
         Todo o corpo de Kate parecia doer e, quando percorreram trs horas de viagem, tudo que desejava era deitar e dormir. Porm, quando Sean lhe perguntou se
estava bem, assentiu, recusando-se a admitir o cansao.
         H um hotel nessas redondezas. Podemos parar para que possa descansar.
         No - protestou Kate. Hotis custavam dinheiro e de alguma forma pretendia ressarcir Sean dos gastos que tivera com ela e Oliver.
         No sabia quanto faltava para chegar  casa dele, mas o orgulho no a deixava question-lo sobre o tempo que levariam para chegar l.
         - J estamos prximos? - indagou o filho sem nenhum constrangimento.
         Quase - assegurou-lhe Sean e Kate percebeu o tom sorridente da voz dele. Cedendo  onda de cansao, ela escorregou no banco do carro, alheia ao olhar ansioso
que Sean lhe voltava. - No fica muito distante daqui. - Ouviu-o dizer. - Dobraremos um pouco adiante e poderemos parar...
         J disse que no quero parar! - disparou Kate, irritada. - Em primeiro lugar no queria sequer ir para essa sua maldita casa.
         Enquanto lutava para encontrar uma posio confortvel no banco, percebeu o olhar que Sean e Oliver trocavam. Um misto de raiva e angstia invadiu-lhe o
ntimo porque os dois estavam se unindo contra ela. A sombra do medo lhe inquietou a mente ao concluir que talvez no fosse capaz de evitar que Oliver pudesse ser
magoado por Sean.
         No deveria ter permitido que ele os levasse para sua casa, pensou, enquanto lutava para resistir ao sono, sem lograr xito.
         - Mame est dormindo.
         - Ela ainda no est totalmente recuperada - retrucou Sean em tom confortador, enquanto saa da estrada. Em seu ntimo, porm, estava mais ansioso do que
aparentava.
         Talvez fosse melhor que ela dormisse, pensou,  medida que passava vrias pequenas cidades para, por fim, alcanar seu destino.
         O movimento lento do carro acordou Kate, que voltou o olhar pela janela do passageiro e paralisou ao reconhecer o local onde estavam.
         Voltou um olhar acusatrio a Sean, mas ele parecia concentrado nas manobras do carro, enquanto entravam no gracioso povoado, pelo qual ela se apaixonara
quando l estiveram pela primeira vez. Nada parecia haver mudado, pensou entorpecida. A rua principal com suas casas de pedras e o caminho para o pequeno rio.
         Haviam chegado ao final da aldeia e Sean girou o volante, passando pela antiga igreja e se dirigindo  estreita travessa, como ela sabia que faria. Sentiu-se
nauseada, chocada e trada quando o carro transpassou os portes e estacou no ptio de pedregulhos.
         Aquela era a casa que Sean prometera comprar para ela, na qual Kate fizera planos de criar os filhos de ambos. Na qual nunca morara pelo fato de seu casamento
ter acabado antes que tivesse oportunidade de coloc-los em prtica.
         Uma dor intensa a atingiu, inexorvel. Se Oliver no estivesse com eles, exigiria que Sean a levasse de volta para o chal, no obstante o cansao e o mal-estar
que sentia.
         No acredito que faria uma coisa dessas - manifestou-se Kate, contentando-se com o comentrio feito.
         Sem lhe voltar resposta, ele abriu a porta do carro o saiu. O reflexo tnue dos raios solares do entardecer ainda aquecia as pedras cor de creme da casa
e a flagrncia de lavanda e rosas encheu as narinas de Kate no momento em que Sean escancarou a porta do passageiro.
         Disse  Sra. Hargreaves para preparar os quartos para voc e Oliver - informou em tom distante, enquanto se inclinava para ajud-la a sair do veculo.
         No me toque - protestou Kate. A raiva lhe brilhando nos olhos.
         Como ele fora capaz de fazer aquilo com ela? Como teve a coragem de traz-la  casa que iriam dividir no  passado?
         Oliver saltou do carro e correu pelo cho de pedra. Acho que um cachorro iria adorar isso aqui.
         -  Estou certo que sim - concordou Sean, mas Kate no percebeu que ele estava sorrindo quando uma onda de fria tomou conta dela.
         -  No se atreva... - comeou, mas deteve-se quando a porta da casa se abriu e uma senhora se precipitou em direo a eles.
         - Fiz tudo que me pediu, Sean. - Annie Hargreaves informou ao patro, fitando de soslaio Oliver e Kate.
         - Obrigado, Annie. No a deteremos mais. Sei que Bill est aguardando o jantar. Bill e Annie Hargreaves tomam conta da casa para mim - informou Sean em
tom baixo. - Porm, no moram nela. Preferem ocupar as acomodaes em cima da garagem. Vou lev-la ao quarto de cima e acomod-la. Em seguida eu e Oliver colocaremos
a bagagem para dentro, certo? - indagou ao menino.
         - Certo! - concordou Oliver com entusiasmo. Entorpecida, Kate se deixou guiar pelos braos de Sean.
         Quando as portas da casa se abriram, revelando seu interior, Kate quase tropeou ao perceber as paredes pintadas em amarelo-manteiga. A cor com a qual to
entusiasmada dissera a Sean que desejava pint-las. Quando voltou o olhar ao corredor, quase perdeu o equilbrio. Tudo estava como dissera a ele que queria, mas
em vez de lhe dar prazer, a constatao a fez sentir-se nauseada.
         Quando percebeu a palidez no rosto de Kate, ele deixou escapar um xingamento e a ergueu nos braos, ignorando-lhe os speros protestos e subiu a escada
de dois em dois degraus.
         O quarto que Sean pedira para Annie preparar para os hspedes, conectava-se a outro. Ela mesma havia dito que o maior daria um excelente quarto principal
e o outro um perfeito quarto de criana.
         - Ponha-me no cho. Posso andar!
         A firmeza do tom de voz de Kate o fez concluir que ela no compartilhava com ele as doces e amargas lembranas do passado.
         - Talvez possa, mas duvido que conseguisse subir esta escada sem auxlio.
         Kate desejou argumentar, mas sentia o corao descompassado, ante a lembrana de como no passado provocara Sean, acusando-o de querer exibir a superioridade
masculina ao ergu-la nos braos com freqncia. Mas uma parte dela sentia-se impressionada com a demonstrao da fora que ele possua.
         No momento, no entanto, era o ressentimento que lhe acelerava as batidas do corao, tentou convencer a si mesma. Fisicamente podia ser vulnervel a Sean,
mas era s. Como poderia, como me zelosa e responsvel, esquecer a recusa dele em reconhecer o prprio filho?
         Por certo, o fato de Sean a ter trazido para aquela casa a estava deixando vulnervel a ponto de desejar pousar a cabea sobre o ombro largo e deixar o
corpo ficar no conforto e segurana dele. Aqui estamos. Ele utilizou o p para abrir a pesada porta e Kate voltou a face para observar o interior do aposento.
         A luz do sol aquecia as paredes creme, e pesadas cortinas pendiam graciosamente das janelas. Um carpete da mesma cor cobria o cho, compondo um ambiente
acolhedor com os mveis de mogno do final da era georgiana.
         Quando Sean a pousou na cama, Kate lutou contra as emoes que a atingiam. O quarto estava decorado exatamente como planejara um dia.
         - Coloquei uma cama no quarto de criana para Oliver - informou Sean em tom prtico, evidentemente alheio ao impacto emocional que lhe causava.
         Naquele instante, Oliver entrou no quarto, excitado.
         - Annie disse que posso ver o cachorro dela se concordar, mame - anunciou em tom solene.
         - Annie? - indagou ela gentilmente. Sean podia chamar os criados pelo nome de batismo, mas no permitiria que Oliver fizesse o mesmo a no ser que tivesse
permisso.
         - Annie prefere ser chamada pelo primeiro nome - interveio Sean de imediato, parecendo ler-lhe os pensamentos. - E Oliver no correr perigo junto ao cachorro
dela - continuou. - Eu mesmo vou lev-lo at l.
         Ignorando a me, Oliver envolveu as pernas de Sean com os braos e o abraou apertado, fitando-o com expresso de total adorao.
         De pronto, o corao de Kate se encheu de medo, dor e amor.
         - Podemos ir agora? - indagou Oliver. Sean meneou a cabea em negativa.
         - Agora no. Iremos amanh.
         Kate prendeu a respirao, temendo que Oliver no aceitasse a negativa. Ele fez uma careta e pareceu querer protestar, mas como se estivesse preparado para
a reao dele, Sean ignorou tal comportamento.
         Venha ver seu quarto, Ollie.  aqui ao lado do da mame.
         O uso do apelido carinhoso fez Kate cerrar os punhos. Em seguida, ambos caminharam de mos dadas para conhecer o aposento, deixando para trs o olhar ansioso
que Kate lhes lanava.
         - H bastante lugar no cho para colocar seu saco de dormir, Sean. - Kate ouviu o filho dizer. - Poder dormir no meu quarto.
         Gostaria muito - retrucou Sean. - Mas como pode ver, tenho meu prprio quarto.
         - Mas voc tem que dormir aqui comigo e com mame - insistiu ele, e de alguma forma Kate concluiu que Sean o havia pegado no colo.
         - Quando eu estava em sua casa, a mame estava muito doente, mas agora parece bem melhor.
         Voc poderia dormir na mesma cama como os pais de George - sugeriu Oliver com a lgica de uma criana de 5 anos, fazendo os olhos de Kate encherem-se de
lgrimas.
         No quarto contguo, Sean girou com o filho nos braos para observar a janela, sentindo a pontada de desejo que a sugesto de Oliver suscitara.
         Kate - que no mais era sua gentil e amorosa Kathy - nunca concordaria com aquilo.
         Estava escurecendo e Oliver apoiava todo o peso em seu colo. Sean relembrou o que sentira quando Tom fora em socorro dele. Era como se o Tom lhe estivesse
usurpando um direito que possua. Os braos fortes se apertaram em torno de Oliver. Teria desenvolvido um amor paternal em relao a ele?
         - Que acha de eu colocar um vdeo para voc assistir antes de ir para cama?
         - E depois vamos ler uma histria para a mame?
         Sean acariciou os cabelos espessos de Ollie. Determinado a no ser acusado por Kate de vici-lo em televiso, estabelecera uma rotina para Oliver antes
de dormir, auxiliado por ele prprio.
         Um discreto barulho na porta o fez girar para ver Kate amparando-se a ela.
         - Deveria estar descansando - afirmou, sucinto.
         - No estou precisando descansar agora - retrucou ela, estendendo os braos para Oliver. - Por que eu no leio uma histria para voc hoje? Tenho certeza
que Sean tem muito a fazer.
         Mas para sua surpresa, Oliver se recostou ainda s pernas do pai quando ele o colocou no cho.
         Kate observou atravs da porta-janela da graciosa sala de visitas, o local onde Oliver brincava animado com a collie mansa dos Hargreave. Estavam hospedados
na casa de Sean h duas semanas e Kate estava convencida de que havia se recuperado totalmente. O que significava... que era hora de ela e Oliver retornarem  prpria
casa.
         Sabia que Oliver no iria querer voltar. Ele adorava Sean. Kate ficou tensa ao ver Sean correr pelo gramado em direo a Ollie. Ele havia sado aps o caf-da-manh
para presidir uma reunio de negcios. No instante que Oliver o avistou, correu sorridente em sua direo e Sean o tomou nos braos, girando-o.
         Enquanto os observava, outra imagem povoou-lhe a mente. Ela caminhava abraada a Sean e Oliver corria em direo a eles.
         Sentiu as pernas fraquejarem e o corpo tremer... mas no por estar doente. Tinha de encarar o verdadeiro motivo de seu mal-estar.
         Ao que parecia, nem mesmo a recusa de Sean em reconhecer o filho conseguia destruir o amor que sentia por ele.
         Pnico, raiva e medo travavam uma batalha inglria em seu ntimo. Tinha de comunicar a Sean que desejava partir. E o faria naquele momento!
         Inspirando profundamente, saiu da casa para se encontrar com eles.
         Quando percebeu a aproximao de Kate, Sean colocou Oliver no cho.
         Vou levar a Nell para a casa dela agora - anunciou Oliver, segurando a coleira do dcil animal.
         Enquanto Kate observava a criana e a cadela caminharem em direo  casa da criada que os aguardava, percebeu Sean aproximar-se dela e se afastou com um
gesto discreto. A proximidade dele era perigosa.
         Estive pensando que no h razo para Oliver no ter um cachorro. Na verdade, no caminho de volta esta tarde, fui ver uma criao de labradores. No esto
em condies de deixar a me ainda, mas se concordar, podemos levar Ollie l amanh para que ele escolha um filhote...
         - No! Oliver no ter um cachorro - interrompeu-o em tom cido, fazendo Sean franzir o cenho.
         - Ele est louco por um.
         - Acha que no sei disso? - desafiou-o Kate. - No v como isso  impossvel? Sabe que tenho de trabalhar - dizendo isso, afastou-se, irada.
         - Kate... - protestou ele, segurando-lhe o brao. Ela tentou se desvencilhar de imediato.
         - Largue-me. Detesto que me toque.
         - O qu?
         Quando percebeu os olhos de Sean escurecerem, soube que tinha ido longe demais. Mas era tarde para voltar atrs. Sean a puxara para si. Os braos apertando-a
contra o corpo forte.
         - No! - O protesto de Kate morreu nos lbios vidos dele.
         A raiva que lhe fervia o sangue a fez revidar com ferocidade o beijo, mas era uma ira temperada de desejo e nsia, reconheceu, impotente, enquanto o prprio
corpo a traa.
         De alguma forma o passado e a traio de Sean desapareceram. Sem que percebesse, deslizou as mos tomando a face de Sean. O simples roar da barba que ele
fizera pela manh a excitava.
         As mos fortes traavam o contorno de seus ombros com as familiares carcias e em seguida escorregaram pelas costas delicadas, passando pela cintura e movendo-se
ainda mais para baixo. Kate podia sentir o tremor que comeava a lhe perpassar o corpo,  medida que as mos de Sean passavam por seus quadris. Parecia-lhe impossvel
que sentisse a mesma vibrao intensa ao contato com a ereo de Sean que sentira na primeira vez que ele a abraara daquela forma... mas a sensao era idntica.
Porm a reao de seu corpo como mulher, e no como menina, era mais intensa ainda.
quela altura, a imaginao de Kate criara asas e saia-lhe ao controle, enchendo-lhe a mente com imagens erticas e bombardeando-lhe os sentidos com promessas
que lhe destruam as defesas.
         No espao de segundos, sentiu o corpo to vido pelo de Sean quanto o era quando tinha apenas 18 unos.
         O movimento da mo mscula que lhe subia pelas ndegas para se espalmar em seus seios, evocou um som rouco e abafado que lhe escapou da garganta, enquanto
ela posicionava o corpo para que o seio se moldasse  mo que executava a carcia ousada.
         No, Sean... hummm... assim. - Kate podia ouvir o som da prpria voz sussurrando palavras de elogio entre os beijos famintos com os quais se apossava dos
lbios dele. - Toque-me da maneira certa.
         Certa? - Ouviu o som rouco da voz dele repetir. Sabe do que estou falando - disse em tom urgente. - Sabe do que gosto. Assim? Os dedos firmes estavam acariciando
a pele sensvel em torno do mamilo rijo, fazendo-a estremecer com violncia.
         - Sim... Isso - concordou Kate, ofegante. - E mais, Sean... Mas sem roupas entre ns. Apenas eu e voc.
         - Sem roupas? Que tal assim? - Puxando-lhe o bojo do suti para baixo, Sean utilizou o polegar e o indicador para massagear o mamilo intumescido atravs
do tecido sedoso da blusa de Kate.
         De imediato ela deixou escapar um grito agonizante de prazer.
         - Assim est bom? - A voz era to baixa e densa que Kate mal a podia escutar.
         Ele lhe havia afastado as roupas por completo e Kate podia ver a palidez do prprio seio em contraste com a mo forte e bronzeada.
         Presa s carcias torturantes, entregou-se sem reservas aos tremores de prazer que lhe perpassavam o corpo.
         - E com sua boca... - implorou ela. As palavras lhe escapando inexorveis dos lbios.
         - Kate! Kate!
         O tom com que Sean pronunciava seu nome lhe embotava os sentidos. Ele lhe tomou a mo, guiando-a ao prprio corpo. No mesmo instante, os dedos delicados
se fecharam em torno da ereo, executando uma febril explorao do territrio familiar. Mas aquilo no era suficiente. Queria senti-lo sem barreiras.
         Kate estava lhe abrindo o zper da cala quando o telefone celular de Sean tocou, arrancando-a do lnguido torpor.
         O que estava fazendo? Afastando-se apressada, correu em direo  casa, querendo escapar da prpria humilhao.
         Kate! Sean deixou escapar um xingamento quando ela se recusou a escutar. O telefone ainda tocava. Ele o desligou e a seguiu.
         To logo alcanou o quarto, Kate abriu o armrio, retirou de l as malas que ele comprara para ela. Em seguida, comeou a retirar as roupas dos armrios
e a jog-las dentro delas.
         O que est fazendo? O som da voz de Sean a fez girar para fit-lo.
         0 que lhe parece? Estou fazendo as malas. Oliver e eu vamos partir! Nunca deveramos ter vindo para esta casa. Eu sabia...
         Sabia o qu? - interrompeu-a Sean, com um brilho no olhar que fez-lhe o corao disparar e um frio percorrer-lhe a espinha, mas Kate recusava-se a ceder
a emoes conflitantes.
         Sei que no quero permanecer em sua companhia, retrucou irada. - E no quero mais falar sobre isso.
         H menos de cinco minutos estava em meus braos...
         J disse que no quero mais falar sobre isso! ela disparou. - O que acabou de acontecer... no significou nada. Apenas...
         Apenas o qu? - desafiou-a Sean com uma sua atitude mais perigosa do que a raiva dela.
         Sean tentava fazer com que ela o encarasse, conhecia Kate. Porm, se o fizesse, ele veria a vulnerabilidade estampada em seus olhos.
         - No significou nada! - insistiu, teimosa. Algo na voz de Sean a prevenia do que estava por vir. Em pnico, deixou cair as roupas que segurava e comeou
a correr. Percebendo tarde demais que em vez de se dirigir  porta, encaminhou-se  cama. No momento, encontrava-se recostada a ela com Sean parado  sua frente,
sem outra opo seno girar e tentar se arrastar sobre a cama.
         -  Belo movimento - Kate escutou-o dizer em tom divertido, enquanto a segurava pelo tornozelo. - Sempre achei que tinha as ndegas mais sensuais que jamais
vi: curvilneas e tentadoramente macias. Posso lembrar...
         Ela no desejava ouvir o que Sean podia se lembrar. Temia que aquilo a tornasse ainda mais vulnervel.
         Obstinada, Kate tentava negar os prprios sentimentos e ignorar a carcia sensual dos dedos firmes fechados sobre seu tornozelo. Retesou o corpo para evitar
a sensao e se recusou a encarar os olhos azuis que a fitavam com expresso sorridente.
         - Quanto ao "nada" a que se referiu - murmurou ele, quase terno. - Podemos recome-lo, no? Que tal a partir daqui...
         De repente Sean estava deitado na cama com a parte superior do corpo musculoso prendendo-a contra o colcho, e Kate percebeu que uma parte dela se regozijava
com o prazer de t-lo to prximo.
         Os olhos de Sean se fixavam deliberadamente em seus lbios, fazendo-a entreabri-los em antecipao.
         - Nada? - As pontas dos dedos firmes percorreram-lhe o queixo e em seguida o contorno dos lbios.
         - Sabe que irei beij-la agora, no? - sussurrou ele.
         Kate tentou responder, mas ele lanava mo de lascivos ardis contra ela. Sean sabia o quanto se sentia vulnervel quele modo lento e sedutor como a beijava.
Ela mesma lhe dissera muitas vezes no passado que compartilharam. E mais recentemente no calor daquela febre.
         Fora um erro fechar os olhos, concluiu Kate tarde demais. Aquilo a fizera voltar a ser a menina que era quando Sean a beijou daquela forma pela primeira
vez.
         Naquele momento, como no passado, sentiu os lbios se entreabrirem vidos pela invaso da lngua quente e macia. Chocada, percebeu o prprio corpo rebelar-se,
impaciente, contra as preliminares, consumido por um desejo voraz.
         Ergueu as mos, envolvendo o corpo dele e puxando-o contra o dela. Sentiu Sean ficar tenso e afastar os cabelos, para fit-la nos olhos.
         Seriam suas mos que passavam pelo corpo musculoso enquanto depositava beijos ousados na pele de Sean e gemia apaixonadamente?
         Toque-me, Sean. - Ame-me, sussurrou para si mesma. - Faa da forma como costumava ser...
         Teria sido ela a dizer aquilo?
         Como costumava ser? - ouviu Sean repetir em tom suave. - Quando ramos to vidos um pelo outro que estar afastados nos causava dor? Foi isso que quis dizer?
Que me quer da mesma forma?
         Enquanto ele falava, as mos fortes percorriam-lhe todo o corpo, fazendo-a sentir inmeras pequenas chamas se acenderem dentro dela, alimentadas pelas palavras
sussurradas e crescendo em um espiral incontrolvel. Em breve, se transformariam em uma conflagrao que a consumiria, mas Kate no se importava com o perigo...
Apenas com as mos de Sean que lhe acariciavam a pele, o contato com os lbios quentes e possessivos, o corpo forte que cobria o dela.
         Com avidez impressionante, correspondia aos beijos de Sean com igual intensidade, como fazia quando a confiana que depositava nele ainda no havia se rompido.
         Mas a mo que erguia naquele momento para segurar a face mscula e prolongar o beijo era da mulher que era hoje. E como tal, desejava-o com a mesma intensidade
do passado.
         - Sean... minhas roupas... no as quero. Desejo voc... suas mos... pele. Apenas voc. - Kate podia sentir o tremor violento que a perpassava ante a intensidade
dos prprios sentimentos, enquanto envolvia o corpo musculoso dele com as mos e pressionava os quadris contra os dele. - Quero-o, Sean - declarou, ofegante. - Sua
essncia... por completo...
         Era impressionante como as mos fortes e experientes podiam ser gentis, enquanto lhe removiam as vestes, mas naquele instante exibiam uma impacincia inesperada,
 medida que Sean lhe puxava as roupas. A urgncia lanava ondas eltricas a cada clula viva do corpo dela.
         Kate... Kate. Oh, Deus! Como senti sua falta... e disso... de ns...
         As palavras escaparam trpegas dos lbios dele para a pele de Kate. O passeio lnguido e sensual das mos fortes havia se tornado uma possesso opressora,
exigindo que ela se entregasse por completo. A nsia explcita com que os lbios de Sean tomavam os dela, refletia um desejo h muito negado que ameaava devorar
a ambos. Mas Kate exultou ante tal percepo. Como no poderia faz-lo, se as emoes por ele expressas refletiam as dela?
         Tire suas roupas - implorou ela com voz rouca. - Quero senti-lo sem barreiras. - Enquanto pronunciava as palavras, estremeceu de leve, lembrando como era
prazeroso sentir a pele sedosa de Sean contra a dela.
         Faa isso voc - ordenou ele. Quando ela hesitou, Sean tomou-lhe a mo e guiou-a com a dele, ajudou-a a desabotoar e lhe retirar a camisa.
         J lhe disse o quanto me excita quando me despe? - diante do olhar faminto de Kate. - O quanto est me excitando agora?
         Todo o corpo dela arqueou quando as mos fortes lhe tomaram os seios. E quando os lbios quentes lhe beijavam a pele ao redor dos mamilos, Kate ouviu o
suave gemido de prazer ecoar pelas paredes do quarto. Sean parecia saber o momento exato que ela no conseguiria suportar o doce tormento por mais tempo, assim de
repente levou os lbios aos mamilos intumescidos, despertando nela a vontade de afastar as pernas e envolver-lhe o corpo com elas.
         Determinada, puxou as roupas que ainda a afastavam do corpo viril com a ajuda de Sean.
         - Kate! - O repentino alerta a fez encar-lo, confusa. - Se deixar que me toque desse jeito, perderei o controle muito cedo - explicou Sean, com voz rouca.
- E no quero que isso acontea at que tenha lhe dado todo o prazer que puder. At que esteja dentro de voc, onde anseio por estar cada noite desde que nos separamos.
At que eu faa isto...
         Muito antes que as mos geis viajassem por seu corpo e se detivessem na intimidade clida e mida, Kate estava tremendo de desejo.
         Quando sentiu o toque dos lbios quentes contra a pele macia do interior de suas coxas, ela fechou os olhos em uma antecipao tcita. A mo forte lhe cobriu
o sexo, enquanto os dedos longos abriam caminho pelas reentrncias de seu corpo, arrancando-lhe um grito rouco de desejo.
         O corpo de Kate pulsava e ansiava, excitado pelas carcias ousadas que a lngua de Sean executava ponto mais sensvel.
         Kate se viu impotente em deter a sensao que se espalhava por toda sua pele, fazendo-a gritar de prazer e erguer os quadris contra os lbios de Sean.
         E ento, quando ele se posicionou entre suas pernas, tomando-a nos braos, Kate o recebeu com evidente prazer. Aquilo era exatamente pelo que ansiava...
O total preenchimento. As firmes e determinadas investidas de Sean que a saciavam e completavam. O passeio que executavam juntos em direo a um lugar delirante,
onde pelo tempo de uma batida do corao, ambos pareciam imortais.
         Kate chegou ao xtase primeiro, gritando ao mesmo tempo em que o seu corpo se abria para arrast-lo junto consigo. E quando sentiu o familiar jorro da satisfao
de Sean dentro dela, os olhos topzio se encheram de lgrimas.
         Aquele ato, to extraordinariamente intenso e que levava os amantes a ultrapassarem as barreiras do prazer, podia tambm criar o milagre da vida, o que
lhe emprestava uma intensidade especial na opinio de Kate.
         Uma vez pensara que Sean compartilhava daquela opinio - ele mesmo lhe dissera quando, pela primeira vez, lhe confidenciara o que significava fazer amor
para ela.
         E agora ele negava a paternidade do prprio filho!
         Uma onda de amargura imensa se apossou dela. Onde estariam seu orgulho e respeito prprios?
         Podia sentir Sean se separando dela, no s fsica mas emocionalmente, e de repente um cataclisma de tristeza e exausto a envolveu.
         Sean baixou o olhar para a cama, onde Kate dormia placidamente. Retirara-se para ir ao toalete e quando voltou a encontrou adormecida. Uma angstia infinita
sombreava-lhe o olhar e distorcia-lhe as feies enquanto a observava.
         Durante o tempo que fizera amor com Kate, esquecera-se que existira outro homem na vida dela - viril o suficiente para lhe ter feito um filho. Um sabor
amargo assomou-lhe  garganta.
         Em seus braos, Kate lhe correspondera como se nunca outro homem a houvesse tocado. E Deus sabia como ele ansiava por aquilo ser verdade. O doce sabor dela
ainda estava impregnado em seus lbios e a fragrncia de Kate preenchia a atmosfera  sua volta.
         No conseguiria mais viver sem ela, reconheceu Sean. Apesar de tudo que sabia sobre Kate.
CAPITULO OITO
         Kate despertou lnguida e lentamente. Os lbios se curvando em um sorriso. Ainda sonolenta, espreguiou-se. A sensao dolorida familiar fez-lhe o sorriso
ampliar. No havia nada como acordar pela manh repleta de feromnios, concluiu, satisfeita, esticando a mo em direo a Sean.
         Sean! A velocidade com que foi catapultada da inegvel segurana para a dura realidade causou-lhe dor fsica.
         Rolou-se na cama. A mente, uma mistura de ansiedade e raiva. As roupas que retirara do armrio tinham desaparecido, bem como as malas! Quando constatou
que eram nove horas da manh, a agitao que sentia se intensificou. Estava entardecendo quando entrara para aquele quarto e...
         No era possvel que tivesse dormido por tanto tempo e to profundamente, embora Sean sempre dissesse que tomava aquilo como sinal de que ele a deixava
totalmente saciada e exausta depois de fazerem amor.
         A repentina abertura da porta do quarto, interrompeu-lhe a linha de pensamento. Mame!
         O corao de Kate fez um giro de 360 graus ao ver que Oliver trajava uma das novas roupas que Sean insistiu em lhe comprar.
         -  Trouxemos seu caf-da-manh - anunciou, radiante.
         Kate rezou para que ele estivesse se referindo  criada e no a Sean, mas a tenso que crescia em seu estmago aumentou ao v-lo entrar no quarto, carregando
uma pesada bandeja.
         - Est dormindo h muito tempo - recriminou-a Oliver e, em seguida, exibiu um sorriso largo. - Mame, eu fiz a torrada e meu pai me ajudou...
         Os trs paralisaram e, alm da prpria angstia, Kate foi golpeada pelo olhar estampado na face escarlate de Oliver, que corria em direo a ela e escondia
o rosto envergonhado contra seu corpo. Num gesto automtico, ela fechou os braos protetores em torno dele. Oliver era muito novo para perceber porque chamara Sean
de pai, mas crescido o suficiente para saber que no deveria t-lo feito.
         Por sobre a cabea abaixada de Ollie, Sean fitou Kate, e pousou a bandeja em silncio antes de partir.
         No podia mais adiar, disse Kate, determinada a si mesma. A inocente indicao de Oliver do papel que ansiava para que Sean desempenhasse em sua vida lhe
reafirmara a deciso de partir.
         A vulnerabilidade de Ollie lhe partia o corao com uma dor lancinante.                                                 Fingira no perceber o ato falho
dele, incentivando-o a dividir uma torrada com ela e pedindo que lhe contasse o que fizera na tarde anterior.
         M... Sean disse que voc estava muito cansada e precisava dormir. - O corao de Kate se contraiu com o comentrio inocente.
         Mas acima de tudo foi o olhar desejoso estampado nos olhos de Oliver ao fit-la antes de lhe dizer que gostaria de viver ali para sempre que a destruiu.
         Bem, tem sido divertido ficar aqui - concordou ela, tentando soar calma. - Mas e George? Ele  seu amigo e...
         Sean  meu amigo e Nell tambm - interrompeu a Oliver com ar de teimosia. - Queria que Sean fosse meu pai! - afirmou, desferindo-lhe o golpe final.
         Naquele momento, observando a janela da sala de estar, avistava Oliver ajudando o jardineiro a retirar as ervas daninhas das plantas. Impotente, fechou
os olhos.
         Quando os tornou a abrir, divisou o reflexo de Sean do seu lado e de imediato girou para encar-lo.
         Precisamos conversar - afirmou Sean em tom casual.
         No temos nada a dizer um ao outro - retrucou ela amarga. - As malas j esto quase prontas e... sei que deve estar pensando que influenciei Oliver a...
dizer o que disse. Mas no  verdade. Ele v George chamar Tom e... ele... tem essa pedra em seu sapato por no ter um pai...
         Sean reconheceu que o novo nome que ela adotara ficava bem. Era Kate agora, uma mulher. No Kathy, uma menina. E estava ciente de que algo dentro dele respondia
a Kate como homem. A menina se fora e lhe doa o fato de saber que no estivera presente para dividir aquele amadurecimento. Ento como poderia suportar que ela
vivesse o resto da vida separada dele?
         - Tenho uma proposta a lhe fazer - disse em tom seco.
         - Uma proposta? - indagou Kate, cautelosa. 0 que Sean pretendia fazer? oferecer-lhe dinheiro para levar Oliver embora e negar que ele fosse seu pai?
         - Que tipo de proposta? - O olhar que ele lhe voltava era evidentemente cnico.
         - Pensei que soubesse que em meu mundo h apenas um tipo de proposta que um homem costuma fazer a uma mulher depois de passarem a noite junto
         - E, quando Kate se manteve em silncio, apenas fitando, disse: - Eu a estou pedindo em casamento.
         O choque a atingiu como um raio. Um misto de incredulidade seguido de uma dor cruciante.
         - Por qu? - foi tudo que conseguiu dizer.
         - Porque a quero de volta como minha esposa e...
         - Sean desviou o olhar e fitou o gramado, tentando evitar que Kate visse a expresso de seu rosto. - porque quero Oliver como meu filho.
         Era como se Kate o estivesse ouvindo ao longe, atravs de uma parede de vidro.
         A resposta irada "Mas Oliver  seu filho!" reverberou em sua mente. Porm, no mesmo instante, Kate tratou de afast-la quando a imagem de um menino que
ansiava por um pai a substituiu. Se havia algo em Sean que conhecia era seu grau de comprometimento com as decises que tomava - por vezes, de maneira obstinada.
         Foi testemunha da harmonia que ele desenvolvera com Oliver e fingir tal ligao no era da natureza de Sean. Mas no podia arriscar o futuro emocional do
filho.
         Seu filho? - questionou em tom frio. - Mas voc se negou a aceitar o fato de ele ser seu filho. Disse-me que outro homem o havia gerado e acreditando nisso...
         Esse no  um caminho que no estou preparado pura seguir - interrompeu-a Sean, rispidamente. - No percebe o quanto  difcil saber que houve outro homem
em sua vida? A noite anterior no lhe provou o quanto ainda a quero? A nica forma que tenho de lidar com esse fato  o enterrando fundo num lugar onde jamais possa
ser descoberto.
         Acha que  diferente para mim? Foi infiel ao nosso casamento!
         Pode esquecer essa mulher. Na realidade ela...
         No significou nada para voc? - Kate o interrompeu, irada.
         Sean desviou o olhar. Quase cara na armadilha de revelar que tal mulher nunca existira!
         Como Kate se sentiria se soubesse a pattica verdade sobre ele? Sentiria compaixo? O rejeitaria? Ou reconheceria o quanto amava Oliver e desejava ser um
pai para ele?
         Uma parte dele ansiava por dividir aquele fardo com Kate, mas o orgulho o detinha.
         Oliver precisa de um pai - declarou por fim.
         - Quer fazer caridade conosco? - sugeriu Kate, furiosa, recusando-se a admitir como aquelas palavras lhe tocavam o corao.
         - No - negou Sean. O brilho irnico nos olhos azuis, disfarando-lhe a dor. - Quero que vocs faam caridade comigo. - Era o mais prximo da verdade que
conseguia chegar. - Ambos sabemos o quanto  difcil crescer sem o amor de um dos pais, e Oliver quer um pai.
         Kate se encontrava no limite. As palavras "Oliver tem um pai" queimavam-lhe os lbios, mas a inocente imagem do filho no jardim a deteve.
         Inspirou profundamente.
         - Muito bem, eu aceito. Mas se algum dia fizer algo que fira Oliver, deixarei voc imediatamente,  preveniu-o em tom veemente.
         Havia se afastado quando percebeu que Sean a seguia. Ao estacar, ele a tomou nos braos e lhe cobriu os lbios num beijo profundo e possessivo.
         Impotente, Kate sentiu os lbios cederem sob os dele e o corpo traidor, ainda inundado pelas sensaes da noite anterior, se moldar to perfeitamente 
rigidez dos msculos exaltados que podia jurar ser parte da anatomia dele. Sean podia ter comeado o beijo, mas era ela a prolong-lo, traando com a ponta da lngua
o contorno dos lbios quentes.
         Podia sentir a excitao de Sean e num gesto impensado pressionou os quadris contra ela, esperando que Sean lhe tomasse os seios nas mos e lhe percebesse
a rigidez dos mamilos. Porm, ele a afastou, interrompendo o beijo.
         Humilhada, pensou em se afastar quando o ouviu pronunciar o nome do filho em tom de alerta. Oliver! O fato de Sean ser mais atento que ela  aproximao
de Oliver a surpreendeu, mas a esperana que o filho no tivesse testemunhado a intimidade de ambos quedou-se por terra.
         Mame, por que estava beijando Sean? Antes que Kate pudesse pensar em algo, Sean se adiantou.
         Estvamos nos beijando por que vamos casar e isso  o que pessoas casadas fazem - dizendo isso, ajoelhou e abriu os braos. - Pedi sua me em casamento
e agora h algo que quero lhe perguntar.
         Kate mal podia suportar a mirade de emoes que limitavam dentro dela, mas no foram nada comparveis ao que se seguiu. - Voc me aceita como seu pai?
         O olhar de Oliver se iluminou de alegria antes de se atirar nos braos do pai.
         Quando Sean o ergueu, Oliver estava cantando. Papai... papai. Posso cham-lo de pai agora, no posso, Sean?
         Ele anuiu com um gesto de cabea e Kate podia jurar que os olhos azuis se encontravam rasos d'gua.
CAPITULO NOVE
         Para surpresa de Kate, Sean insistira em uma cerimnia religiosa. Mais surpreendente ainda era a sensao de estar se casando pela primeira vez enquanto
aguardava  porta da pequena capela pronta para seguir at o altar onde Sean a esperava.
         O vestido gracioso que usava era creme e a saia rodada de seda farfalhou enquanto ela se virava para observar Oliver.
         - Pronto, Ollie? - perguntou carinhosamente.
         Ele estivera to excitado o dia inteiro, mas naquele momento parecia compenetrado e seu olhar era de venerao.
         John a entregaria a Sean, mas seria Oliver quem caminharia a seu lado at o altar. Aquela deciso foi dela e Sean a acatara em silncio.
         Dentro da igreja, com o calor do sol do lado de fora, a dignidade daquele lugar de devoo, sculo aps sculo, emprestava uma graa especial a todos os
presentes enquanto Oliver pegava a mo da me.
         Juntos, ao som do rgo, me e filho caminhavam ao encontro de Sean que os esperava e a quem confiariam suas vidas.
         J estavam quase no altar, quando Oliver apertou a mo da me e anunciou num sussurro.
         - Me, eu estou muito feliz por ns estarmos nos casando com Sean.
         Kate concluiu o restante do caminho com os olhos midos de lgrimas, totalmente dominada pela emoo.
         O buqu de lrios que ela trazia foi retirado por Caren, mas quando a amiga fez meno de pegar Oliver para lev-lo consigo, Sean fez um gesto de negativa
com a cabea e pegou a mo dele.
         E ento, com Oliver no meio dos dois, segurando as mos de ambos, o vigrio deu incio  cerimnia que os uniu pela segunda vez como marido e mulher, uniu
dessa vez tambm como pais.
         Enquanto os sinos tocavam celebrando seu casamento e o sol lanava seus raios dourados, Kate agradecia os votos de felicidade com um sorriso silencioso.
Claro que no estava remoendo o beijo rpido que Sean lhe dera ao final da cerimnia, pensou ela.
         Afinal, apenas se casara outra vez com ele por causa de Oliver, e no por qualquer outro motivo, disse a si mesma.
         O caf-da-manh estava sendo servido em um salo privativo em um local bastante exclusivo do hotel, e de l eles voariam para a Itlia para passar alguns
dias. Inicialmente, Kate tentara protestar, mas Sean insistira dizendo que os trs precisavam passar algum tempo a ss, longe de seu ambiente normal, a fim de comearem
a entender seus novos papis na vida uns dos outros.
         Dos trs, Oliver certamente era o que tinha menos dificuldade de adaptao. A palavra "pai" parecia sair-lhe dos lbios com bastante freqncia. De fato,
ela podia ouvi-lo dizendo-a naquele exato momento, enquanto se inclinava para Sean e informava-o com bastante imponncia que agora ele era seu filho. Uma sombra
pairou no olhar de Kate.
         - Eu quero adotar Oliver legalmente - dissera lhe Sean abruptamente na semana anterior.
         Kate se recusara a responder. Como ele poderia adotar o prprio filho?
         Kate abriu os olhos com relutncia, sem vontade de abandonar o sonho no qual se encontrava nos braos de Sean. Seus corpos nus entrelaados. A grande cama
do hotel, no entanto, encontrava-se vazia sem a presena de Sean. Na noite anterior, logo depois que chegaram e ela vira a sute, exclamara sem pensar:
         - Vamos ficar todos no mesmo quarto?
         - Achei que preferiria assim - respondera Sean.
         - Claro - Kate concordara, mas uma pequena parte dentro de si no podia deixar de comparar as circunstncias daquela segunda lua-de-mel com as da primeira.
O ambiente podia no ser to luxuoso quanto aquele, mas o ar no pequeno quarto que dividiram estava carregado de amor e paixo que agira como um potente afrodisaco.
         Aquilo era passado. O presente era bem diferente.
         E onde estava Oliver? A pequena cama que Sean insistira em colocar no quarto deles tambm se encontrava vazia.
         Ansiosa, afastou as cobertas e pegou o robe. Haviam chegado to tarde que mal notara a sute. Naquele momento, porm, enquanto abria a porta para a varanda
privativa, Kate prendeu a respirao de prazer. O hotel fora originalmente um pequeno palcio e a sute deles ficava no trreo para benefcio de Oliver. Da varanda,
Kate podia ver a gua azul da piscina do hotel. O som de gua batida chamou-lhe a ateno e ela ficou petrificada ao ver que se tratava de Oliver dando braadas
na piscina, enquanto Sean a seu lado o encorajava.
         Encorajando-o a nadar! Mas Ollie no sabia nadar! Tentara de tudo para ensin-lo desde que era beb, mas ele parecia ter fobia de gua. At quele momento...
         At Sean...
         De um recndito bem afastado de sua mente, um sentimento que no queria analisar a atingiu. Sentiu-se excluda, indesejada. Sentiu cimes, reconheceu Kate,
zangada consigo mesma por se permitir tais sentimentos mesquinhos.
         Afinal, Sean dissera que queria casar-se com ela outra vez por causa de Oliver, mas naquele momento o significado daquela afirmao a atingia em cheio.
         Sean sempre quisera um filho e agora, como um homem de negcios bem-sucedido, sem dvida, desejaria um mais do que nunca. Para criar sua prpria dinastia,
por certo. Mas isso no significava que ele amasse Oliver... e muito menos que a amasse.
         Ser que fizera a coisa certa casando-se com ele? No tomara aquela deciso no af da emoo? Ser que enterrada l bem no fundo de sua mente havia a esperana
de que de alguma forma Sean reconheceria que Oliver era seu filho e assim...
         Ela podia ouvir Oliver e Sean voltando. Rapidamente deixou a ansiedade de lado.
         No momento em que eles entraram na varanda, Oliver correu na direo dela, gritando de excitao:
         - Me... me... eu estava nadando.
         Kate pegou-o no colo e fechou os olhos, aspirando os resqucios do cheiro de beb que ele ainda exalava.
         - No posso acreditar que voc nunca o ensinou a nadar - repreendeu-a Sean, enquanto o tirava dos braos dela num movimento automtico de um homem que tinha
o direito de segurar o prprio filho.
         Kate prendeu a respirao, dizendo a si mesma que no era desapontamento o que sentiu quando viu Oliver passar alegre para os braos de Sean.
         - Eu tentei - respondeu ela na defensiva. - Mas desde beb Ollie tem pavor de gua...
         -  Bem, agora no tem mais - anunciou Sean. - Para o chuveiro agora, garoto. E depois vamos tomar caf - disse ao filho, pondo-o no cho.
         Quando Oliver havia se afastado o suficiente para no ouvir, Sean disse:
         - Talvez ele sentisse que voc ficava temerosa por ele. As crianas precisam sentir segurana.
         - Grata pela aula sobre psicologia infantil - disparou Kate furiosa. - Mas gostaria de lembr-lo que tenho sido a me de Oliver desde o momento em que ele
foi concebido.
         - E agora eu sou o pai - respondeu Sean irritado.
         Vrios pensamentos povoavam-lhe a mente e o corao nos dias seguintes daquela breve "lua-de-mel", enquanto assistia a Oliver e Sean formarem uma aliana
masculina, deixando-a totalmente excluda.
         E agora, que as frias chegavam ao fim, Kate no podia deixar de observar, enquanto caminhavam em direo ao carro de Sean, que Oliver comeava a falar
como o pai.
         A Sra. Hargreaves os aguardava para dar-lhes as boas-vindas ao chegarem a casa, e apesar de Kate ter notado vagamente um olhar conspiratrio entre ela e
Sean, no deu muita ateno ao fato, nem s palavras que trocaram em particular.
         No andar superior, ela se encaminhava ao seu quarto, quando Sean a interceptou.
         Pedi  Sra. Hargreaves que levasse suas coisas para o quarto principal.
         O estmago de Kate contraiu-se. Zangada consigo mesma pela onda de prazer que aquela informao lhe causou, forou-se a objetar. Mas esse  o seu quarto.
Era o meu quarto - concordou Sean com frieza. - Agora  nosso.
         O quarto deles! A sensao indesejada aumentou de intensidade e espalhou-se por seu corpo. Kate sabia que se encontrava muito prxima a desistir de seu
orgulho e entregar-se mais uma vez quele amor revivido por Sean. Ele podia desej-la sexualmente, disse a si mesma, mas deixara bem claro que estava se unindo com
ela pelo bem de Oliver.
         Portanto, no se humilharia oferecendo-lhe um amor indesejado.
         Mas por quanto tempo seria capaz de manter aquele sentimento em segredo se fosse obrigada a dormir a seu lado todas as noites?
         - Eu no quero... - comeou ela.
         - No na frente de Oliver - admoestou-a Sean, no lhe deixando opo seno deixar aquele assunto para quando Oliver estivesse bem acomodado em seu novo
quarto.
         - Isso foi ridiculamente extravagante, Sean, comprar um computador para ele jogar - protestou Kate, quando Sean terminara de mostrar ao filho como operar
o novo brinquedo e ambos se encontravam do lado de fora do quarto.
         - Ser bom para ele exercitar sua destreza - respondeu Sean sem sombra de arrependimento. - Venha ver como ficou o quarto principal - acrescentou, guiando-a
at a porta.
         A primeira coisa que Kate viu quando ele abriu a porta foi a enorme cama no centro do quarto. E sua concentrao ficou presa nela.
         -  uma cama enorme! - exclamou ela.
         - King size - informou Sean secamente.
         O pnico invadiu-lhe o corao. No importava o tamanho da cama. O que realmente importava era que teria que dividi-la com Sean e sabia que seria quase
impossvel se policiar para no se comportar como se ambos ainda fossem um casal apaixonado.
s cegas, perambulou pelo quarto e ento descobriu que um par de braos a impedia de sair dali. Sean fechou a porta e encostou-se a ela, cruzando os braos
enquanto observava sua furiosa agitao.
         No posso dormir nessa cama com voc - explodiu Kate.
         Por que no? Dividimos o mesmo quarto durante a viagem.
         Isso  diferente - insistiu Kate, desejando que ele no a encarasse daquela forma lenta e deliberada que a fazia sentir-se nua.
         Ns  estamos  casados - lembrou-a  Sean. Alm disso, a cama tem espao suficiente para mantermos distncia um do outro, se  isso que quer.
         Claro que  isso que eu quero - mentiu Kate.
         Temos que pensar em Oliver - disse Sean com frieza. - Que impresso ele ter se dormirmos em quartos separados?
         Ela estava sendo manobrada, reconheceu Kate. Incapaz de fazer qualquer outra coisa, retaliou.
         Eu vi o olhar da Sra. Hargreaves quando chegamos e agora sei o motivo - acusou-o.
         Para sua surpresa o comentrio pareceu surtir um eleito maior do que esperara, pois ele franziu o cenho e uma sombra que ela no pde decifrar turvou-lhe
o olhar.
         Eu instrui a Sra. Hargreaves que a partir de amanh tomaremos um ch leve com Oliver s cinco horas e jantaremos mais tarde, quando ele j tiver se recolhido.
Acho importante dividirmos as refeies tambm. E pensei em lev-lo  fazenda amanh. Os cachorrinhos esto quase prontos para deixar a me e Ollie pode escolher
um.
         Eram nove horas da noite. Oliver j dormia em sua cama nova e ela e Sean dividiam a deliciosa refeio que a Sra. Hargreaves deixara pronta antes de ir
para casa. De sbito, a ltima coisa que Kate sentia era vontade de comer.
         - E desde quando voc e a Sra. Hargreaves decidem o que  melhor para Oliver sem me consultar?
         - Enquanto falava, Kate levantou-se deixando cair o guardanapo e agarrando-se  mesa furiosa.
         - Ele est desesperado por seu prprio cachorro - argumentou Sean. - Voc sabe disso.
         - Tambm sei que eu disse que ele no poderia ter um agora.
         - Porque teria que voltar para a creche e voc para o trabalho. Mas isso no se aplica mais - ponderou Sean.
         Kate tremia com um misto de raiva e angstia sem saber exatamente o motivo.
         - No vou ficar aqui ouvindo mais nada - informou ela, empurrando a cadeira para trs e quase correndo para o quarto, ignorando os protestos de Sean.
         - Kate! Volte aqui.
         Como uma tola, procurou refugio exatamente no quarto principal e sua face ficou lvida quando notou que Sean a havia seguido e agora fechava a porta atrs
de si.
         - O que deu em voc?
         - Eu consegui criar Oliver durante cinco anos sem sua assistncia e sem sua interferncia. Eu sou a me dele... e eu...
         E voc o qu? - desafiou-a Sean. - E voc dividiu sua cama com outro homem para conceb-lo?
         A emoo selvagem na voz dele a assustou. Nunca o vira assim fora de controle e a intensidade daquela exploso a deixou paralisada.
         Voc acha que no penso sobre isso todo santo dia, toda santa hora? Diabos, Kate, acha que porque no sou capaz de gerar um filho, porque no sou homem
o bastante para dar a vida a uma criana, no sou homem o bastante para pensar em voc e ele juntos?
         Em silncio eles fitaram um ao outro.
         Kate  liberou o  ar que ficara retido  em  seus pulmes.
         O que est dizendo? No pode gerar um filho? A boca de Kate ficara seca e seu corao batia descompassado. Apesar do choque, podia notar o olhar angustiado
de Sean e a intensidade de suas emoes. Quando Sean comeou a se afastar, ela o segurou pelo brao.
         Voc  o pai de Oliver, Sean - disse Kate calmamente.
         No, no sou. No posso ser - negou ele com amargura. - Eu no sou capaz de gerar uma criana.  impossvel sob o ponto de vista mdico.
         No posso entender - disse Kate num sussurro, enquanto tentava compreender as palavras dele.
         Era tarde demais para retroceder, pensou Sean. Alm do choque que aquela revelao causara a Kate, ele podia divisar uma grande determinao. Sabia que
ela insistiria em saber a verdade. E o que adiantava negar agora?
         Sean respirou fundo.
         - Durante os exames de rotina anuais, o mdico sugeriu uma contagem de espermatozides. Era apenas uma formalidade, dissera ele, e eu acreditei. Afinal,
sempre me julguei um homem saudvel. Quando os resultados chegaram, houve um problema...
         Ele fez uma pausa e Kate aguardou, ardendo de compaixo por ele.
         - Parecia... Ele me disse que a contagem de espermatozides era to baixa que seria impossvel gerar um filho - disse Sean com a voz entrecortada. - Naturalmente,
me recusei a aceitar aquela afirmativa e pedi para repetirem os exames. Mas eles no estavam errados. No preciso explicar-lhe, Kate, a intensidade da humilhao
que senti ao ouvir aquela sentena do mdico.
         - Por que no me contou? - murmurou Kate.
         -  Eu no podia. No conseguiria ver seu rosto quando lhe contasse que no seria capaz de dar-lhe os filhos que tanto desejava.
         Sim. Desejava muito, pensou Kate. Mas no tanto quanto o desejava. Ela o conhecia profundamente e sabia o que aquelas notcias deviam ter destrudo dentro
dele.
         - Eu tinha o direito de saber, Sean.
         - E eu tinha o direito de proteg-la.
         - Proteger-me?
         Sean comprimiu os lbios.
         - Eu sabia que se lhe contasse, voc insistiria em... aceitar o fato de que jamais teramos um filho e... iria querer sacrificar suas chances de ser me
por minha causa. Ento, decidi naquele instante que no deixaria que isso acontecesse e que eu... tinha que deix-la livre para encontrar outro homem... que fosse
capaz de dar-lhe o que eu no poderia dar.
         Deixar-me livre? - Agora que o choque inicial passara, Kate comeava a ficar zangada. - Voc foi infiel, Sean e...
         - No!
         - No?
         - Nunca houve mais ningum. Eu... Eu apenas inventei outra mulher por que... sabia como se sentiria e como reagiria. No queria mant-la presa em nosso
casamento, sacrificando-se por mim, tendo pena de mim e talvez algum dia at me odiando. Devo dizer, no entanto, que no esperava que encontrasse algum com tamanha
rapidez. Foi por isso que seu relacionamento com esse homem no durou?
         Um n alojara-se em sua garganta e a nica coisa que Kate conseguia fazer era balanar a cabea em sinal de negao. Ela no sabia o que a fazia sofrer
mais, a dor por Sean ou por si prpria.
         - Sean. Eu no me importo com os exames mdicos. Oliver  seu filho - exclamou ela emocionada.
         As vezes essas coisas so possveis e...
         - No! - O grito de Sean paralisou-a. - No laa isso comigo, Kate. Seu carter no lhe permite trapacear e Oliver no merece isso.
         Kate ficou lvida, mas antes que pudesse defender-se, ele continuou com veemncia:
         - No consegue entender como me sinto? O quanto desejaria que Oliver fosse de fato meu filho? O quanto me di que ele no seja? S preciso segur-lo em
meus braos para sentir todo o am... alguma coisa dentro de mim que... Ter filhos com voc, dar-lhe filhos, era uma coisa to arraigada dentro de mim, to instintiva,
que me deixava quase maluco s de pensar em voc tendo um filho de outro homem, mas...
         - Oliver  seu filho! - protestou Kate. - Ele  seu, Sean, nosso...
         - No faa isso, Kate. No posso ouvir isso. O que tenho que fazer para que pare de mentir para mim? Isto?
         Kate no conseguiu mais mover-se quando ele a tomou em seus braos e esmagou-lhe a boca num beijo alucinado, inclinando-lhe a cabea para trs. A fora
das emoes, raiva contra raiva, fundiu-se e espalhou-se pelo corpo de Kate.
         Como um desejo to primitivo poderia nascer da raiva? Seu corpo tremia pelo choque de reconhecer sua vulnerabilidade. Ela tentou escapar, mas era tarde
demais.
         Kate fora capturada num turbilho de emoes e sensualidade to intenso, que mal conseguia raciocinar.
         Quando Sean interrompeu o beijo, seu peito arfava violentamente. Kate tentou afastar-se, mas ele recusou-se a solt-la.
         - Talvez o nico modo de fazer-me parar de pensar nisso  deixar minha marca em voc para sempre.
         - Foi voc quem pediu o divrcio, Sean.
         - E verdade, mas no a substitu em minha cama - retrucou ele com amargura. - Quanto voc o queria, Kate?
         Sean, no - protestou dividida entre o choque e a dor. Choque por ele acreditar que ela se dera a outro homem quando sabia o quanto o amava e dor por ele,
por ela mesma.
         No? Voc no disse no a ele, disse? - desafiou-a. - Vou faz-la esquecer que um dia o conheceu, Kate. Vou faz-la querer-me tanto que esquecer que um
dia esse homem sequer existiu.
         Sean acariciava a lateral de seu pescoo com os lbios, procurando deliberadamente o ponto especial que a fazia estremecer. Ele fez isto? As palavras saam
abafadas contra a pele macia de sua garganta, enquanto ela lutava para evitar que as lagrimas lhe banhassem o rosto.
         Voc no lhe disse o quanto isto a deixa excitada?
         Havia uma nota de crueldade na voz de Sean que lhe fazia doer o corao. Apesar da raiva, porm, ela precisava convenc-lo de que nenhum outro homem jamais
tomara seu lugar. Nem em sua vida, nem em seu rotao, nem em seu corpo. Mas as palavras simplesmente no lhe saam da garganta.
         Ele a tocava assim, Kate? E assim? As palavras irritadas do marido congelavam-lhe as emoes. Um vazio imenso se espalhou dentro dela e todo corpo se enrijeceu.
Oh, Deus, Kate. Libertando-a, caminhou at a cama e sentou-se com os cotovelos sobre os joelhos, amparando o rosto entre as mos.
         - Que diabos estou fazendo?
         A angstia sufocante com que aquelas palavras foram proferidas preencheu o vazio entre eles.
         Antes que Kate pudesse responder, ele continuou:
         -  O que est acontecendo comigo, afinal? Eu sempre fui ciumento quando se tratava de voc, mas... - Sean mal podia conter seu desespero.
         Kate ergueu a mo e pousou-a sobre a cabea dele. Imediatamente ele enrijeceu.
         - No me toque, Kate, pelo amor de Deus. Como pode me tocar? - perguntou com um brilho selvagem no olhar.
         Ao fit-lo, Kate reparou na umidade em sua face e esse fato comprimiu seu corao. Um sentimento extraordinrio de fora preencheu-a e ela pousou a mo
sobre a dele.
         De imediato ele retirou a mo, rejeitando aquele toque.
         - Vou dormir em outro quarto esta noite - informou abruptamente.
         Sean levantou-se e comeou a afastar-se. Naquele instante, porm, Kate pde ver a intensidade da excitao dele atravs da luz que insidia sobre suas coxas.
         De sbito, ela postou-se  frente dele e encarou-o bem dentro dos olhos.
         - Saia da minha frente, Kate... Eu no quero...
         -  Isto? - perguntou ela, colando os lbios aos dele e acariciando-os lentamente, deixando suas sensaes revelarem a intensidade de seu prazer. Ela sentiu
o movimento involuntrio do corpo dele e notou o quanto ele estava tenso. Mas no pretendia desistir.
         Ou isto? - sussurrou ela contra a boca de Sean, enquanto uma de suas mos passava pelo corpo dele e acariciava o objeto de seu desejo.
         Sean permaneceu tanto tempo inerte, que ela quase desistiu. De repente, porm, ele comeou a retribuir cada beijo com uma fora explosiva, que lhe sugava
toda energia do corpo e da alma.
         De alguma forma, em algum lugar, a raiva latente entre eles tomara outra direo e atravessara a barreira da autoproteo, encontrando um recndito dentro
dela onde se sentia ainda uma adolescente apaixonada por Sean.
         Podia sentir a paixo correr em suas veias, levando-a a um lugar que pensava perdido para sempre.
         Roupas foram arrancadas por dedos impacientes e deixadas no cho ao lado da cama, onde eles se enrolavam corpo contra corpo. Os braos de Kate enlaando
o pescoo de Sean, enquanto continuava a beij-lo com um desejo ardente. Kate! Ela sentiu as mos do marido em seus seios, acariciando-os enquanto seu corpo tremia
de prazer antecipado. Um desejo selvagem e desenfreado penetrou-lhe nas veias, manifestando-se na sensualidade com que o beijava, o tocava. Sutil e deliberadamente
o encorajava e o convidava, pressionando seu corpo nu contra o dele, impulsionada por uma fora incontrolvel.
         Uma fora que no queria controlar ou negar, reconheceu Kate com um desejo febril, ao mesmo tempo em que passava as mos pelo torso de Sean, por seus cabelos,
pela maciez de sua pele, pela rigidez de sua excitao. Torturou-o lentamente, at sentir o corpo enrijecer, anunciando que no poderia mais se controlar.
         - Sean! - Estendendo os braos para ele, inclinou o corpo de encontro  cama.
         Os ltimos raios de sol penetravam pela janela, mas ainda conseguia ver a expresso no olhar dele, notar-lhe o desejo com que percorria seu corpo, seus
seios, fixando nos mamilos rosados e intumescidos. O calor do sol aqueceu-lhe o abdmen, fazendo brilhar sua pelugem dourada.
         Deliberadamente, abriu as pernas e observou-o tremer, notando a direo dos olhos dele que brilhavam com um fogo ertico. Sem conseguir resistir  tentao,
tocou-se. De imediato, uma espiral de excitamento atingiu seu corpo.
         - Agora  sua vez - murmurou ela com audcia. E como se soubesse o que ela estava sentindo, Sean gemeu e tocou-a no mesmo lugar.
         Possessivamente, Kate envolveu-o com as pernas, gemendo de prazer com aquele toque e quase chegando  loucura quando o sentiu dentro dela.
         Em alguns segundos tudo havia terminado. O clmax foi to imediato e intenso que at seu tero lhe doa.
         Seu tero!
         Lgrimas incontrolveis escorriam de seus olhos e ela virou a cabea para escond-las. No passado, sentira que aquela mesma sensao fora um sinal de que
suas entranhas clamavam pela semente que Sean plantara dentro dela, mas ele se recusava a crer que era capaz de lhe dar um filho.
CAPTULO DEZ
         - Est pronta? - perguntou Sean bruscamente e sem olhar Kate nos olhos, enquanto entrava no quarto. Ele se inclinou para pegar Oliver no colo que imediatamente
correu em sua direo.
         Aquela era sua atitude costumeira para com ela - fria, distante e indiferente - desde que fizeram amor.
         Eles continuavam dividindo a imensa cama no quarto principal, porm Sean sempre dormia de costas para ela e o frio espao entre os dois parecia uma montanha
intransponvel. A linguagem corporal do corpo de Sean dizia-lhe que no a queria mais perto dele.
         E por que deveria quer-la? A seus olhos, j obtivera o que queria daquele casamento, pensou Kate.
         - No precisa ir conosco at o hospital, Sean. O mdico disse que os exames so apenas uma formalidade e eu sei que j estou totalmente recuperada.
         -  Voc no disse que queria ir tambm  sua casa?
         - Disse - admitiu Kate. - O corretor informou que achou algum interessado em alug-la e...
         - Acho que deveria vend-la - cortou Sean. Kate desviou os olhos. Como poderia explicar-lhe que temia que a situao do passado se repetisse no presente
e que ela ainda precisasse voltar com Oliver para a pequena casa na vila?
         Prefiro mant-la - respondeu por fim.
         Falei com meu advogado ontem - anunciou Sean, levantando-se - sobre a adoo.
         Oliver estava correndo em direo  porta, mas Kate lanou um olhar de advertncia a Sean, o qual ele obviamente interpretou mal.
         A seus olhos eu posso ser o pai de Oliver, Kate, mas eu sei que no sou. Portanto, quero legalizar essa situao para o bem dele.
         Com o corao partido, Kate seguiu-o em silncio at o centro.
         Antes pararam no caminho para fazer um lanche e agora Sean estava estacionando o carro do lado de fora do consultrio mdico.
         No h necessidade de voc e Oliver entrarem disse Kate, enquanto abria a porta do carro. Mas Sean no apenas insistiu em entrar, como tambm a seguiu 
sala do mdico.
         Eu entendo a preocupao de seu marido - disse o mdico aps examin-la. - Voc esteve bastante mal. Ele meneou a cabea. - O seu foi provavelmente o pior
caso de virose que eu j vi.
         Quem sabe ela no precise de um check-up completo? - sugeriu Sean.
         No h nada de errado comigo - argumentou Kate irritada.
         Mame vomitou aps o caf-da-manh - anunciou Oliver.
         No silncio que se seguiu quela revelao inocente, os trs adultos se fitaram.
         - Eu... Deve ter sido o vinho tinto que tomei no jantar - explicou Kate com um sorriso amarelo.
         Imediatamente a expresso do mdico relaxou.
         - Vinho tinto s vezes  muito forte para estmagos delicados - disse o doutor.
         - Voc mal tocou na taa de vinho - lembrou Sean, enquanto deixavam o consultrio.
         -  Porque no estava com vontade - retrucou Kate de pronto.
         Para seu alvio, ele no continuou com aquele assunto. Em vez disso, disse:
         - Acho que seria melhor deixarmos o carro estacionado aqui e caminharmos at a sua casa. No fica muito longe.
         Automaticamente, Kate postou-se ao lado dele com Oliver entre eles.
         Talvez a caminhada lhe fosse bastante familiar ou no estivesse muito concentrada, pois no notou quando Oliver largou sua mo e gritou pelo nome de um
amigo do outro lado da calada. Ela no reagiu com a devida rapidez e Oliver correu para a rua, antes que ela pudesse evitar.
         Atnita, viu o caminho se aproximar e ouviu a prpria voz gritando o nome do filho, enquanto corria em sua direo, mesmo sabendo que seria tarde demais.
         De repente, viu Sean correndo em direo  estrada e cobrindo o corpo de Oliver com o seu.
         Kate ouviu os gritos de Ollie e o barulho de pneu raspando o asfalto. Sentiu o odor de borracha queimada e o sabor do medo em sua boca. O caminho freou
e os transeuntes comeavam a correr em direo s duas pessoas estendidas na estrada.
         Mas Kate chegou primeiro.
         Sean jazia inerte e um fio de sangue escorria de um corte em sua cabea. Uma das pernas estava dobrada em um ngulo estranho. E deitado ao lado do corpo
inconsciente estava Oliver, sem um arranho. Os olhos muito abertos pelo choque. Papai... - choramingou ele.
         Havia pessoas por toda parte. Mdicos... sirenes... uma ambulncia...
         Apertando o filho de encontro ao peito, Kate entrou na ambulncia ao lado de Sean e dos paramdicos.
         Ele est em choque, madame - informou um mdico.
         0 corao de Kate batia descompassado dentro do peito. Os olhos no paravam de fitar o monitor.
         Na sala de emergncias do hospital, uma enfermeira retirou Oliver dos braos de Kate, enquanto Sean era levado s pressas para o centro cirrgico.
         Quero ir com ele - disse Kate, mas a enfermeira a impediu.
         Milagrosamente, Oliver tivera apenas algumas escoriaes mnimas. No. Aquilo nada tinha a ver com sorte, reconheceu Kate, pois Sean arriscara a vida para
salv-lo.
         Uma angstia enorme apoderou-se de seu corao. Sean estava certo. No bastava gerar um filho para ser pai. Hoje ele provara seu amor por Oliver.
         A equipe mdica foi bastante solcita e atenciosa, mas nada poderia aplacar o medo de Kate enquanto aguardava notcias sobre Sean na ante-sala.
         Para seu horror, um neurologista havia sido chamado para examin-lo.
         Uma hora j havia se passado e depois outra. Oliver adormecera em seus braos e os olhos de Kate estavam midos de lgrimas. Aps o que pareceu uma eternidade,
um mdico veio em sua direo.
         Kate tentou focaliz-lo.
         - Meu marido? - perguntou ela ansiosa.
         - Tem uma perna quebrada e vrios cortes e escoriaes e ns estvamos preocupados com o enorme galo em sua testa. - Quando ele notou a expresso de Kate,
sua voz tornou-se mais gentil. - Felizmente, no  nada mais do que um galo, mas tnhamos que nos certificar.
         Lgrimas de alvio correram pela face de Kate.
         - Ns vamos ter que operar-lhe a perna, mas precisamos tirar algumas amostras de sangue. Ele est totalmente consciente agora. No parava de falar no filho...
Oliver no ? Queria saber se ele estava mesmo bem e no descansa enquanto no o vir.
         Kate no se movia. No conseguia. Uma idia martelava em sua mente... Uma esperana... Queimava em sua lngua.
         - As amostras de sangue que o senhor vai colher - comeou ela. - Seria possvel...? - Respirando fundo, prosseguiu. - Sean no acredita que Oliver  seu
filho, mas ele . Se o senhor pudesse fazer um teste de DNA...
         O mdico franziu o cenho.
 - Isso seria totalmente irregular. - Sean ama Oliver - informou Kate desesperada. Ele arriscou a vida para salv-lo. A senhora tem certeza que a criana
 dele? Absoluta certeza.
         Infelizmente no poderei fazer o que me pede sem o consentimento do paciente - disse o mdico. Contudo, acredito que consiga fazer esses testes pela Internet.
         Como assim?
         Tudo que precisa  uma pequena amostra. Um fio de cabelo, por exemplo. Kate engoliu em seco.
         O senhor acha que eu deveria...? O que eu acho  que a pessoa que faz uma coisa assim deve ser unicamente guiada por sua prpria conscincia.
         Mordendo o lbio inferior, Kate virou-se e seguiu o mdico pelo corredor.
         Sean estava em um quarto particular, cercado por equipamentos mdicos, quando Kate viu o "galo" que o mdico havia descrito e quase gritou.
         Parecia que um lado da cabea de Sean havia sido esmagado pela estrada. E provavelmente fora, pensou estremecendo.
         Olhe Sean, trouxemos Oliver para v-lo conforme prometemos - informou uma das enfermeiras.
         Enquanto Sean virava a cabea para ver o filho, ela leve que lutar contra o mpeto de atirar-se em seus braos.
         - Papai! - exclamou Oliver, acordando e estendendo os braos para ele.
         - Deixe-me peg-lo - pediu ele.
         Incerta, Kate olhou para e enfermeira. Mas esta fez um sinal positivo. Ela ento caminhou com Oliver nos braos. Mas em vez de entreg-lo, sentou-se na
cama segurando-o no colo. Estava receosa de que Oliver pudesse inadvertidamente machucar o pai.
         - Ele est bem? - perguntou Sean a Kate, enquanto erguia um dos braos para tocar o rosto do filho.
         - Est timo... graas a voc - respondeu Kate com voz trmula.
         - Voc no precisa me visitar duas vezes por dia Kate - anunciou Sean quando viu a esposa abrir porta do quarto.
         Escondendo sua mgoa, Kate forou um sorriso.
         -  O doutor disse que voc poder ir para casa amanh. - Sean franziu a testa. - Oliver no pode esperar para t-lo em casa.
         Imediatamente a ruga da testa desapareceu.
         Kate decidiu no lhe contar o que havia feito para aliviar a saudade que Oliver sentia dele. Ele teria que descobrir por si mesmo a nova aquisio que fizera
para sua casa. Kate ficara surpresa como Rusty e Oliver se adaptaram to bem um ao outro.
         - Voc pediu ao neurologista que fizesse os exames nele para ver se aconteceu algo quando...?
         Todas as vezes que Kate o visitava ele fazia as mesmas perguntas sobre Oliver. Ela estava certa de que Sean somente ficaria satisfeito ao chegar em casa
e ver o quanto o filho estava bem.
         - Falei com meu advogado ontem - prosseguiu ele. - Ele me disse que voc est se recusando a assinar os papis da adoo.
         Kate serviu-se de um copo d'gua. O cheiro do hospital estava lhe dando nuseas.
         No estou me recusando a assinar, Sean, apenas... Achei que deveramos esperar at que voc estivesse em casa para fazermos uma pequena celebrao.
         Ento no se trata de algum tipo de hesitao de sua parte?
         L no fundo, Kate ainda se sentia culpada por ter cortado alguns fios de cabelo enquanto ele dormia.
         Conforme o mdico dissera, descobrira o site na Internet que oferecia aquele tipo de servio e enviara amostras dos cabelos de Sean e Oliver. No tinha
dvidas,  claro, quanto ao resultado dos testes. Automaticamente levou uma das mos ao corao.
         Sean observou enquanto Kate saa. Tivera tempo de  sobra durante os ltimos dias para pensar. E pensou bastante sobre o passado e o futuro.
         O que acontecera foi um aviso de como as pessoas to preciosas para ele eram to vulnerveis. Tudo o que lhe importava era Oliver, a criana que aprendera
a amar como a um pai, e Kate, a mulher que amara e ainda amava acima de todas as coisas que aconteceram ou viriam a acontecer.
         Oliver e Kate. No podia sequer pensar em perd-los. Quase perdera o juzo naquele meio segundo em que julgara que Oliver corria perigo de vida. E ento
descobriu que no importava que no houvesse sido ele a ger-lo, nem que tivesse havido outro homem na vida de Kate. Aquilo era passado. Ele tinha o presente e queria
o futuro.
         - Veja l. No v jogar futebol com essa perna e volte para um exame geral dentro de seis semanas - disse o mdico bem-humorado, aps examin-lo e liber-lo.
- Deve estar ansioso para voltar para casa para sua mulher e seu filho - acrescentou, observando Sean enquanto falava.
         Seguindo a solicitao de Kate, o mdico havia lido todos os registros mdicos de Sean. Um deles continha o parecer de um especialista atestando que seria
um milagre se Sean alguma vez gerasse um filho.
         - Voc teve muita sorte de no ter tido ferimentos mais graves, sabia? - continuou o mdico. - Mas, como dizemos na comunidade mdica, milagres acontecem.
         Sean fechou os olhos. No discutiria a afirmativa do doutor. Afinal, tinha seu milagre particular a agradecer.
         Cinco anos atrs, se algum lhe dissesse que um dia ele no s aceitaria o filho de outro homem como tambm amaria essa criana como jamais supunha ser
possvel, com exceo de Kate, ele diria ser impossvel. No entanto, era assim que se sentia em relao a Oliver.
         Quando vira o menino na frente do caminho soube que o amava com um sentimento profundo de proteo, como se fosse seu pai biolgico. Oliver era seu filho
e ele o amava como tal. Mas legalmente Oliver no era seu filho e se, por algum motivo, Kate decidisse tir-lo dele e sair de sua vida, podia faz-lo.
         Algum motivo? Sean comprimiu os lbios. Kate tinha um bom motivo para querer deix-lo e fora ele mesmo quem lhe dera esse motivo naquela noite que fizeram
amor...
         No aliviava a conscincia nem a angstia de Sean o fato de no final um sentimento mtuo de paixo desenfreada ter acometido a ambos. Sua nica desculpa
era que o cime o havia cegado, mas isso no era suficiente. Odiava-se pelo que tinha feito a Kate e sabia que ela tambm devia t-lo odiado, mesmo tentando disfarar.
         A porta de seu quarto se abriu e uma enfermeira contente entrou. Atrs dela vinham Kate e Oliver.
         Quando o menino se soltou da mo de Kate e correu para Sean, ele baixou a cabea para esconder a emoo.
         Ele se recusou a esperar por voc em casa explicou Kate, enquanto Sean pegava as muletas que comearia a usar.
         Imediatamente ela postou-se ao lado dele para ajud-lo, mas Sean recusou seu auxlio, afastando-se dela.
         Muito plida, ela observou a enfermeira ajud-lo, tomando o lugar que deveria ser dela. Sean casara-se novamente com ela, mas definitivamente no a queria
como esposa, reconheceu Kate pesarosa.
         - Pedi a Sra. Hargreaves que mudasse minhas coisas para um dos outros quartos.
         Por sorte, Kate estava de costas para Sean. Assim ele no viu sua reao quelas palavras.
         - E quanto a Oliver? Voc mesmo disse que...
         - Eu disse a ele que era por causa da minha perna - cortou Sean.
         Mas na verdade aquilo era apenas uma desculpa pensou Kate angustiada. Ele no queria mais dividir o quarto nem a cama com ela... Porque no a queria mais!
         Eles estavam no corredor. Sean inclinado sobre as muletas, enquanto Oliver corria atrs do cachorrinho pela sala, tentando peg-lo para mostr-lo ao pai.
         - Vejo que mudou de idia - comentou Sean sardnico, encarando-a.
         - Sou uma mulher e mulheres mudam de idia - replicou Kate calmamente. Havia, porm, outro motivo pelo qual decidira dar o animalzinho a Oliver.
         Ser que Sean reconhecera que o cachorrinho era o mesmo que ele prprio escolhera para Ollie? E reconhecera, no dissera nada, e Kate ficou bastante desapontada.
         - Vou ajud-lo a subir a escada - ofereceu-se indo postar-se a seu lado. Sean, porm, desvencilhou-se dela com um gesto de repdio e ela ficou paralisada.
Em seguida, virou-se e se afastou para que ele no visse seus olhos cheios de lgrimas.
CAPTULO ONZE
         Sentindo uma nusea profunda, Kate voltou a deitar a cabea no travesseiro e fechou os olhos. Talvez fosse melhor que Sean no mais estivesse dividindo
o quarto com ela.
         Sean!
         Era o aniversrio dele. Ela alcanou o pacote de biscoitos que comprara naquela semana, no mesmo dia em que comprara o carto para ele.
         Demorou para levantar-se, esperando que o enjo passasse antes de ir at o quarto de Ollie.
         Ele estava to excitado como se fosse o dia de seu prprio aniversrio. Kate notara quando Ollie escolhera o presente que daria a Sean e o embrulhara junto
com ela no dia anterior.
         Sean j se encontrava sentado  mesa do caf-da-manh quando eles chegaram, e imediatamente Oliver correu para o pai e jogou-se sobre os joelhos dele gritando:
         - Feliz aniversrio, papai.
         Baixando a cabea para disfarar as prprias emoes, Kate pegou o carto que Oliver deixara cair em sua excitao.
         -  Feliz aniversrio, Sean - ecoou Kate, e em seguida acrescentou: - Hoje temos uma celebrao dupla agora que retirou o gesso.
         Ele removera o gesso no dia anterior e o mdico havia expressado sua total satisfao com a cura da perna dele.
         Eu tenho um carto e um presente para voc - exclamou Oliver com ar de importncia, ainda sentado nos joelhos dele.
         Obedientemente, Kate entregou-lhe o carto e o presente.
         Voc tem que abrir este primeiro - instruiu o menino. -  o meu carto. Mame tambm tem um carto para voc e Rusty tambm. Ele ps a prpria patinha para
marc-lo - informou Oliver cheio de emoo. - Mame preparou uma lama especial e ns mergulhamos a pata dele l e ento pusemos no carto!
         Uma lama especial? Isso parece bem inteligente!
         Ser que ela conseguira detectar uma fagulha de divertimento nos olhos de Sean enquanto a fitava? O corao de Kate disparou dentro do peito.
         Isso explica as estranhas manchas no jeans da mame ontem, no  mesmo? - perguntou ele a Oliver.
         Ns fizemos vrias tentativas frustradas. - Kate sorriu, mas quando o encarou, ele no sorria de volta para ela. Ele olhava fixamente para o carto de Oliver.
Continuou a olhar o carto por vrios minutos, antes de erguer a cabea e fit-la nos olhos.
         Voc gostou, papai? - Perguntou Oliver, sacudindo o brao de Sean.
         - Eu amei, Ollie! - respondeu ele com voz embargada. - Mas amo voc ainda mais.
         Enquanto ele abraava Oliver, pousou o carto aleatoriamente e Kate pegou-o e colocou-o de p sobre a mesa. A caligrafia de Oliver ainda no se podia chamar
de boa, mas a mensagem ao pai era. "Eu o amo de monto, papai."
         - E agora tem que abrir meu presente - insistiu Oliver.
         Kate observou enquanto Sean desembrulhava o porta-retrato com a foto que ela tirara dos dois. Enquanto ele fitava a foto, ela prendeu a respirao. Ser
que ele no conseguia ver, como ela via, a semelhana entre ambos?
         Se podia, obviamente no teceria nenhum comentrio a respeito.
         O restante dos cartes foi aberto, inclusive o de Rusty. Em seguida, Sean garantiu solenemente a Oliver que estava ansioso pelo seu ch de aniversrio e
por comer o bolo que ele e Kate haviam preparado.
         Kate no disse nada.
         - Mame, voc no tem um presente para o papai? - perguntou Oliver de repente.
         -  Claro que tem, Ollie - disse Sean antes que Kate pudesse proferir qualquer palavra. - Sua me me deu um presente muito, muito especial. O melhor presente
do mundo.
         - Onde est ele? - perguntou Oliver espantado. Por sobre a cabea dele, Sean fitou Kate. -  voc, filho. Sua me me deu voc.
         Kate sabia que deveria estar satisfeita por ouvir as palavras de amor a seu filho e  claro que estava, pois uma parte dela ainda doa por saber que aquilo
confirmava o que ela j sabia: que Sean somente a queria por causa de Oliver.
         Aquele no era o tipo de relacionamento que desejava ter com o homem que amava. O homem que...
         Abruptamente, ela levantou-se.
         Havia deixado seu presente para Sean no escritrio. Quando ele o encontrasse saberia que para ter Oliver no precisava necessariamente ficar ao lado dela.
Kate, aonde voc vai? No comeu nada.
         Ela no se virou.
         No estou com fome - respondeu e instintivamente pousou a mo sobre o ventre.
         No est com fome? pensou Sean com amargura enquanto a observava afastar-se. Ou no podia suportar a presena dele?
         Assim que terminaram o caf-da-manh, Sean levou Oliver ao jardim juntamente com Rusty. Ser que Kate percebera que havia escolhido o mesmo cachorrinho
que ele mesmo escolhera?
         Enquanto caminhavam, Oliver conversava alegremente com ele e ao olhar para Oliver, Sean sentiu uma dor profunda pelos anos de vida dele que perdera, por
no estar presente quando ele nasceu. Sua mo imensa segurava a mo pequenina de Ollie. Ele era seu filho. Mas ele no fora inteiramente sincero ao afirmar que era
o bem mais precioso que poderia ter.
         Oliver era precioso. Muito precioso. Mas o amor de Kate tambm era. No se passara uma noite sequer desde que fizeram amor, que ele no tivesse ficado acordado,
odiando a si mesmo pelo modo como a tratara. No admirava que ela no suportasse ficar no mesmo recinto que ele.
         J era hora do almoo quando Sean entrou no escritrio e viu o grande envelope branco sobre a escrivaninha.
         Franzindo o cenho, ele o pegou, reconhecendo a caligrafia de Kate. "Para voc", ela havia escrito. "E para Oliver."
         Ainda conservando a ruga na testa, Sean abriu o envelope. Removeu o contedo e leu-o. E em seguida, leu mais uma vez. E outra ainda. Ele tentava focalizar
o borro estampado nas folhas, formado por suas emoes em choque.
         Ele era realmente o pai de Oliver. Estava escrito. O preto no branco. A prova incontestvel do teste de DNA.
         Sean leu mais uma vez aqueles documentos at que finalmente concluiu que no podia haver nenhum erro.
         Milagres realmente acontecem, dissera o mdico agora Sean sabia que era verdade! Mas ele pagara um terrvel preo por seu milagre, reconheceu quando a realidade
do que fizera o atingiu em cheio.
         Ele se recusara a acreditar que Kate no tinha dormido com outro homem. Ele fizera muito mais do que recusar-se a acreditar nela...
         Naquele instante, ouviu a porta do escritrio abrir-se.
         Kate entrou e fechou a porta. Ela olhou para a escrivaninha e em seguida para ele. - Voc o abriu?
         - Sim. Mas desejaria no t-lo feito. Kate sentiu-se nauseada. O que ele estava tentando dizer-lhe?
         Mas esses papis provam que Oliver  seu filho! - protestou ela.
         Oliver j era meu filho! - exclamou Sean em tom de desespero. - Aqui em meu corao estava a prova que eu precisava e que eu queria. Mesmo sendo necessria
uma tragdia para me fazer perceber isso, kate! Isto... - furioso, ele pegou os documentos - no significa nada!
         Kate estava chocada demais para dizer qualquer palavra.
         Quero que Oliver cresa sabendo que meu amor por ele vem daqui - disse Sean, levando a mo ao corao. - E no daqui. - Zangado, jogou os documentos sobre
a mesa. - Enquanto estive no hospital tive muito tempo para pensar Kate, e o que pensei, o que aprendi e o que finalmente aceitei foi que o amor... o verdadeiro
amor... pode e deve transcender todas as outras emoes humanas. Cime, dvida, medo. Eu a amo tanto quanto sempre a amei - continuou ele. Amo a nica mulher para
mim. Minha outra metade, que preciso para completar-me... Minha alma gmea. Nada poder mudar isso. Nada, nem ningum. E amo Oliver como a criana do meu corao.
         Isto... - ele mostrou os papis sobre a mesa. Comprova o fato de que eu no apenas abusei da confiana que voc depositou em mim uma vez, mas duas. E que
eu criei uma outra barreira entre ns com meu egosmo e estupidez.
         Tonta, Kate encarou-o. - Voc me ama?
         Sean franziu a testa, tomado de surpresa no apenas por aquela pergunta, mas pelo exultante prazer que animava a voz dela.
         - Voc ainda me quer? - perguntou ele.
         -  Oh, Sean! - Lgrimas turvavam a viso de Kate enquanto ela caminhava em direo a ele at ficar a centmetros dele e ser tomada por dois braos fortes.
- Sempre e para sempre. Quero voc e seu amor. - A emoo fazia as palavras sarem entrecortadas. - Mas se voc me ama, por que me rejeitou? Por que...?
         Uma onda de calor tingiu as faces de Sean de vermelho.
         - Eu achei que... Eu pensei... Naquela noite que fizemos amor... Deus do cu, Kate, eu tenho que verbalizar minha vergonha? Eu perdi o controle e eu...
         Gentilmente, Kate pousou os dedos sobre os lbios dele, silenciando-o.
         -  Ns dois perdemos o controle naquela noite, Sean, e como resultado disso... - Ela fez uma pausa. - Voc estava realmente falando srio quando disse que
me ama, Sean?
         -  Como pode me perguntar isso? - gemeu ele enquanto a puxava para si e a beijava com ardor, inclinando-lhe a cabea para trs.
         - Bem, no  apenas por mim que tenho que perguntar - disse Kate bem devagar, tentando escolher ns palavras com cuidado.
         Ficou bvio para ela, quando Sean lhe ergueu o queixo para que o encarasse que ele no compreendera o que ela estava tentando dizer.
         - Quer dizer que  tambm por causa de Oliver?  inquiriu ele espantado. - Voc sabe que eu o amo.
         - No. No  s por causa de Oliver - disse ela. Mas voc est chegando l.
         Ela o fitou com o olhar brilhante at ele emitir um som inteligvel e baixar a cabea para tomar mais uma vez os lbios macios que se ofereciam para ele.
         O beijo durou vrios minutos e disse mais do que as palavras, fez promessas de amor e compromisso eternos, e quando terminou Sean perguntou estupefato.
         - Voc est grvida?
         Kate lanou-lhe um olhar enigmtico.
         Quem disse que eu no poderia engravidar? disse ela com um brilho no olhar que no conseguia esconder seu excitamento. - Aparentemente as pesquisas modernas
mostram que o corpo da mulher tem a capacidade de lutar com afinco para receber a semente do homem que ela ama e... alm do mais, Sean,  necessrio apenas um!
         Com carinho, ele passou um dedo pela curva da fuce da mulher amada.
         Bem... Este aniversrio certamente ficar na histria.
         -  Hummm... e ainda no acabou - informou Kate. - Voc sabe como uma mulher grvida pode ter certos desejos incontrolveis...?
         Sean balanou a cabea obediente.
         - Tudo que quiser, querida...
         - Bem, meu desejo incontrolvel e irresistvel  de voc - disse ela. - Alm do mais, no vai querer que o beb pense que o pai no ama a me dela, vai?
         - A me dela? - Sean perguntou com carinho, vrias horas mais tarde, enquanto descansava a cabea sobre o brao e fitava o rosto de Kate.
         A boca de Kate curvava-se em um sorriso clido e sensual de satisfao e seus olhos brilhavam de amor e felicidade.
         - Tenho a sensao de que ser uma menina - respondeu ela, antes de acrescentar: - Foi por causa de minha gravidez que resolvi dar o cachorrinho a Oliver
agora. Basta um beb de cada vez em casa!
         - Oh, Deus, quando penso no que poderia ter perdido. O que eu realmente perdi nesses anos infernais que fiquei sem voc - exclamou Sean, puxando-a para
perto dele e apertando-a contra o peito. - Obrigado por perdoar minha estupidez. Por tornar possvel que eu tivesse Oliver e voc outra vez em minha vida.
         - Quando entendi o porqu de voc ter feito tudo isso, tudo mudou. Especialmente quando vi a maneira carinhosa com que tratava Ollie. Claro que fiquei furiosa
por voc ter se recusado a acreditar que Oliver era seu filho, mas pensando pela lgica, entendi porque se recusava a acreditar nisso. E jamais deixei de am-lo,
mesmo sem querer admiti-lo.
         Bem, de agora em diante no permitirei que pare de me amar - informou Sean categoricamente. - E eu jamais deixarei de am-la.
EPLOGO
         - Julguei t-la ouvido dizer que bastava um beb de cada vez em uma casa.
         Kate fitou Sean com amor, enquanto ambos observavam os dois bebs perfeitos e idnticos que dividiam o bero do hospital.
         Suas filhas nasceram com dez minutos de diferena entre uma e outra no dia anterior, e aps trazer Oliver para ver as irms, Sean levou-o de volta para
casa e entregou-o aos cuidados da Sra. Hargreaves antes de voltar ao hospital para ficar com Kate.
         - E eu julguei t-lo ouvido dizer que seria impossvel isto acontecer! - respondeu Kate e sentiu os olhos midos com lgrimas de emoo ao ver o orgulho
estampado no rosto dele.
         No momento em que souberam que Kate estava grvida de gmeos, Sean ficara ansioso e preocupado por ela, mas agora...
         Gentilmente, ele pegou-lhe uma das mos e levou-a aos lbios.
         -  Sem voc isto no seria possvel - disse ele emocionado. - Voc poderia ter se apaixonado por outro homem e ter tido seus filhos com ele. E eu sei que,
de alguma forma, meu problema tornaria impossvel para eu gerar filhos com qualquer mulher que no fosse voc.
 claro que ela deveria responder-lhe que aquilo era um absurdo, pensou Kate, mas no faria isso. O que faria seria guardar na lembrana aquele momento
pelo resto de sua vida.
         Vejo que Rusty me enviou um carto escrito pela prpria pata - comentou ela. - Trs patinhas e duas delas rosa!
         Sean deu uma risada.
         Tenho uma confisso a fazer - ele avisou. - A confeco desse carto envolveu a destruio de vrios itens de roupas, alm de uma ameaa de Annie Hargreaves
de deixar nossa casa! Mas Oliver insistiu tanto! Felizmente, as gmeas foram decisivas para faz-la mudar de idia.
         Os bebs estavam acordando e Kate sabia que em breve exigiriam ser alimentados. Mas ainda havia tempo para inclinar-se e mostrar ao pai deles o quanto ela
o amava, e ento pousou os lbios sobre os dele.
         *****
